Luisão estreou-se pelo Benfica com um golo (foto André Alves/ASF)

Luisão ataca Benfica: «Dói ver o clube sofrer nas mãos de quem tenta apequená-lo»

Antigo capitão não cala a revolta perante a postura do clube após a acusação de racismo a Prestiani

Luisão voltou a criticar severamente a postura do Benfica perante a acusação de racismo feita por Vinícius Jr. a Prestianni, na primeira mão do play-off da Champions, com o Real Madrid.

«Como ex-capitão e alguém que dedicou tantos anos da sua vida ao Benfica, não posso esconder a minha preocupação diante da postura adotada pelo clube nas acusações de racismo feitas por Vini Jr. a um de nossos atletas. Para o meu espanto, a reação institucional foi de adesão imediata ao discurso do jogador acusado, sem que, aparentemente, houvesse qualquer interesse genuíno em apurar os acontecimentos após uma denúncia tão grave», começou por escrever.

O antigo capitão das águias, que é juntamente com Veloso o atleta com mais jogos com a camisola encarnada, lamenta ainda que o nome de Eusébio tenha sido utilizada para tentar defender a alegada inocência do jogador argentino.

«O uso da imagem de Eusébio, nossa maior lenda, como um escudo que supostamente blinda o clube de ser falível no combate ao racismo foi no mínimo doloroso, assim como as inúmeras tentativas de descredibilizar a vítima», acrescentou, antes de justificar.

«Doloroso porque o Benfica sempre foi maior do que qualquer circunstância, qualquer jogador, dirigente ou momento. Sempre se apresentou como uma instituição de valores, de dimensão humana e de responsabilidade histórica. Foi assim que eu aprendi e que vivi desde o momento em que cheguei à Luz, em 2003, quando o clube vivia uma de suas maiores crises desportivas. Hoje, porém, vivemos um outro tipo de crise, muito pior, porque é moral, e que me gera questionamentos inevitáveis: do lado de quem estamos? E, mais importante ainda, de que lado estamos? O que defendemos nas nossas vidas? Queremos realmente enfrentar o problema de frente ou só desejamos convenientemente varrê-lo para debaixo do tapete?», questiona.

O antigo defesa internacional brasileiro termina com críticas diretas ao estado em que vê o «gigante Benfica» a ser inferiorizado e do lado errado da história.

«Neste momento, é isso que está verdadeiramente em debate. Não se trata de rivalidades, de proteger A ou B. Trata-se de princípios. Racismo não é opinião. É uma chaga que precisa ser combatida com firmeza e responsabilidade, e talvez, como sociedade, o primeiro passo seja o mais difícil: olharmos no espelho e examinarmos as nossas consciências. Às vésperas de mais um aniversário do Benfica, é doloroso ver este gigante, por natureza e por história, sofrer nas mãos de quem aparentemente tenta apequená-lo moralmente. O Benfica que eu conheci e defendi dentro de campo sempre esteve do lado certo da história. O tempo se encarregará de mostrar, com plena justiça, quem esteve de que lado das trincheiras. E eu espero, sinceramente, que estejamos à altura da grandeza que sempre nos definiu», escreveu ainda nas redes sociais.