Luís Represas segura uma bandeira do Belenenses ao lado do ator Fernando Ferrão e do também músico João Pedro Pais (foto: A BOLA)
Luís Represas segura uma bandeira do Belenenses ao lado do ator Fernando Ferrão e do também músico João Pedro Pais (foto: A BOLA)

Luís Represas: o amor ao Belenenses e a guitarra no Dakar

A ligação ao desporto de um nome incontornável da cultura portuguesa, falecido aos 69 anos de idade

A face mais visível da ligação de Luís Represas ao desporto era a paixão pelo Clube de Futebol ‘Os Belenenses’. «Esteve sempre ao lado do clube», refere o comunicado do emblema da Cruz de Cristo, a manifestar «profundo pesar pelo falecimento» do músico, esta quarta-feira, aos 69 anos de idade.

«Colaborou de forma voluntária, generosa e desinteressada sempre que foi chamado», acrescenta a nota de homenagem. Em viagem pelo arquivo de A BOLA encontramos várias demonstrações dessa mesma devoção: a promover corridas/caminhadas, a participar em tertúlias ao lado do ator Francisco Nicholson - falecido há 10 anos - ou a subscrever ações para o aumento de capital da SAD, em 2001, ao lado do inigualável Raul Solnado.

Em 2019, quando o Belenenses comemorou o centenário, Luís Represas subiu ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, acompanhado apenas por uma guitarra, e cantou o sucesso «125 Azul». «Viva o Belém!», gritou no fim, para gáudio da plateia de 1300 convidados.

No passado mês de abril gravou um vídeo partilhado pelo próprio Belenenses, por ocasião da morte do ex-jogador, Vicente Lucas, aos 90 anos de idade. «O Belenenses lembrará sempre o Vicente como um exemplo a seguir. Que o nosso clube siga sempre o exemplo que o Vicente nos deixa», expressou então.

Represas sofreu com os momentos de crise dos azuis, mas também teve a oportunidade de viver de perto algumas alegrias: em 2013 participou na receção da equipa na Câmara Municipal de Lisboa, por ocasião da conquista do título da 2ª Liga.

O músico cultivou relações de amizade com várias figuras do desporto - com Eusébio, por exemplo -, e sempre com o lado solidário bem presente. Deu a cara pelo Comité Paralímpico, a dada altura, orientou atletas em projetos musicais com fins solidários.

Luís Represas era também um apaixonado pelo desporto motorizado, em particular pelo todo-o-terreno. Apadrinhou provas e chegou mesmo a participar em algumas. O cantor acompanhou não só as edições do Dakar que tiveram início em Lisboa, como também chegou a seguir a prova na América do Sul. 

Luís Represas a viver o desporto por dentro, em 1999 (foto: A BOLA)
Luís Represas a viver o desporto por dentro, em 1999 (foto: A BOLA)
Ao lado do antigo piloto Carlos Sousa (foto: A BOLA)

Francisco Pita, antigo presidente da Federação Portuguesa de Jet Ski, chegou a contar, nas páginas d’A BOLA, uma história caricata ocorrida em 2009, um dos anos em que participou no Dakar: «No primeiro Dakar na Argentina, o Luís Represas veio connosco trabalhar para a rádio e abraçar a causa do Dakar que tanto gosta. Eu fazia parte da equipa Toyota França e no meio da maior avenida carregávamos o camião com os sacos e pertences de cada um. O Paul gritava “Só dois sacos a cada um”. Eu tinha três, mais a guitarra do Luís e ele insistia: “Os sacos podem ir mas a guitarra não”. Expliquei-lhe, educadamente, que o Luís Represas era um grande cantor em Portugal e que a guitarra era minha responsabilidade. O Paul, percebendo que não tinha alternativa, retorquiu resignado: “Menos mal que o teu amigo é guitarrista. Imagina se fosse pianista…”»

Luís Represas e Francisco Pita no Dakar (DR)
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