Luís Pinto manda recado ao Vitória de Guimarães: «Os clubes premiados são os que mantêm os treinadores»
Luís Pinto reapareceu publicamente e não evitou os temas mais sensíveis da sua passagem pelo Vitória de Guimarães, no qual foi substituído por Gil Lameiras, no decorrer da temporada. Numa análise profunda sobre a importância da estabilidade nos projetos desportivos, o treinador deixou críticas implícitas à forma como o futebol português — e o Vitória em particular — gere o comando técnico.
Para sustentar a sua tese, o treinador olhou para o topo do futebol europeu e nacional: «Se formos às melhores equipas da Europa, conseguimos ver quem é que está na final da Champions, quem chega às fases avançadas... por norma, são sempre clubes que têm uma grande continuidade naquilo que é o trabalho.»
Luís Pinto reforçou a ideia olhando para a Liga portuguesa: «Este ano conseguimos ver na Liga os clubes a serem premiados pela sua consistência e regularidade. Dos três grandes, temos dois que mantêm os treinadores e fazem épocas fantásticas. Depois temos o SC Braga que não troca, todas as equipas como o Moreirense, o Arouca, o Famalicão, o Gil Vicente são equipas que mantêm os seus treinadores desde o início e que dão uma estabilidade grande, mesmo passando por momentos mais complicados.»
O contraste e o ‘recado’ ao Vitória
Sem rodeios, o técnico estabeleceu a comparação com os projetos que falharam por excesso de mudanças. «Se formos ao polo oposto da tabela, vivemos precisamente o contrário, que é equipas que trocaram pelo menos três vezes de treinador. Eu acho que é uma época que permite também começar a tirar conclusões, porque os clubes têm de ter uma perspetiva de perceber que vai haver alturas em que não se vai ganhar, mas que se se contratou em algum momento é porque se confiou», continuou Luís Pinto.
Apesar da saída durante a temporada, o treinador recordou com orgulho o trabalho realizado no Vitória: «Acho que foi muito produtivo, foi muito proveitoso para o clube. Ainda hoje continuam a colher frutos daquilo que foi construído durante o tempo que lá estivemos, com as vendas de jogadores e com os jogadores que estão a ser associados a saídas e a jogadores nas seleções.»
Quanto ao próximo passo na carreira, o Luís Pinto assume que o estrangeiro é agora uma forte possibilidade.
«Pela primeira vez na minha carreira, abro portas a sair de Portugal. Hoje vejo a perspetiva de poder sair com bons olhos. Já existem contactos, já existem coisas mais avançadas, outras mais iniciais, mas sinto que ainda estou no momento de esperar por aquilo que eu quero mesmo e não estar a precipitar nenhum tipo de decisão», concluiu.
Por fim, Luís Pinto recusou-se a comentar diretamente o caso de suspensão de Nélson Oliveira, alegando que não aconteceu no seu período no clube.