Arouca-Santa Clara - Foto: PAULO NOVAIS/LUSA
Arouca-Santa Clara - Foto: PAULO NOVAIS/LUSA

Salvação de uns, esperança de outros (crónica)

Arouca (que jogou desde os 66' com menos um jogador) garantiu a manutenção, Santa Clara resgatou ponto precioso aos 90+5'. Vasco Seabra e Petit expulsos

A festa da permanência conheceu este sábado novo protagonista, o Arouca, que à boleia de um empate (2-2) em casa com o Santa Clara garantiu que a época 2026/2027 vai ser no principal escalão do futebol português. A festa ficou beliscada pela fuga dos três pontos ao cair do pano, que devolveu o sorriso ao emblema de Ponta Delgada — a equipa açoriana ainda não está a salvo, mas deu passo importante rumo ao mesmo objetivo, com duas jornadas por disputar.

O conjunto de Vasco Seabra entrou melhor no encontro e aos 8 minutos já festejava: Kuipers trocou as voltas a Frederico Venâncio, cruzou para a área e, após disparo de Tiago Esgaio, Hyunju desviou para o fundo das redes (8').

A festa amarela pouco durou, graças a uma reação supersónica do Santa Clara, que devolveu a igualdade ao marcador num cabeceamento de Gabriel Silva, um par de minutos depois — o avançado brasileiro quase festejou em dose dupla, mas o golo foi bem anulado.

Sem mais lances dignos de registo nas balizas até final da primeira parte — que ficou marcada pela saída prematura de Guilherme Romão (22'), por lesão —, entraram em cena os treinadores, com Petit — que fez o jogo 300 na Liga — e Vasco Seabra a receberem ordem de expulsão antes do intervalo, após um desentendimento.

No segundo tempo, os lobos voltaram à carga e só não voltaram a marcar graças a Gabriel Batista, que secou Van Ee (57'). Na outra baliza, De Arruabarrena também foi chamado ao serviço, para parar Djé Tavres (60'), que logo a seguir teve melhor ocasião para festejar, mas viu o recém-entrado Matías Rocha impedir o golo, com um corte providencial.

O caminho dos açorianos para a baliza ficou mais desimpedido com a expulsão de Hyunju (por acumulação de amarelos, aos 66'), mas curiosamente foi o Arouca a criar perigo... e a materializar. Após um aviso de Fukui — disparo à baliza sofreu um desvio, mas Gabriel Batista travou o remate, com a mão direita, 74') —, Tiago Esgaio aproveitou uma falha de marcação para atirar de cabeça para o fundo da baliza (83'), colocando a equipa de novo na frente do marcador.

Com mais em jogo na luta pela permanência, os insulares não baixaram os braços e batalharam até ao último minuto e foi aos 90+5' que festejaram como ninguém o ponto conquistado, via Elias Manoel. Não valeu a permanência — foi o Arouca a respirar de alívio com a manutenção, pese o sabor agridoce do empate —, mas poderá fazer a diferença nas contas finais...

Melhor em campo

Tiago Esgaio (7) — Imparável do ponto de vista defensivo e a nível ofensivo, o lateral-direito teve contributo decisivo na altura de inaugurar o marcador, já que foi na sequência de um remate seu que Hyunju chegou ao golo, desviando para a baliza (8'). Na reta final, protagonizou corte providencial, impedindo o Santa Clara de ficar em vantagem, e aos 83' fez o 2-1, com um cabeceamento certeiro.

A figura

Gabriel Silva (7) — Entre os mais dinâmicos do ataque do Santa Clara, o avançado brasileiro teve pronta reação ao golo inaugural do Arouca, empatando aos 10’ com um remate irrepreensível de cabeça, e só não bisou aos 36’ porque Klismahn estava em posição irregular. Foi dor de cabeça para os defesas adversários. Aos 56', serviu Djé Tavares, mas o companheiro de equipa não conseguiu concretizar.

Notas dos jogadores do Arouca

De Arruabarrena (6); Tiago Esgaio (7), Javi Sánchez (6), Fontán (6) e Kuipers (6); Van Ee (7), Fukui (7) e Hyunju (6); Trezza (5), Barbero (6) e Djouahra (6); Matías Rocha (6), Amadou Dante (5), Mateo Flores (5) e Pablo Gozálbez (5)

Notas dos jogadores do Santa Clara

Gabriel Batista (6); Diogo Calila (6), Sidney Lima (6), Frederico Venâncio (5) e Guilherme Romão (5); Serginho (6), Djé Tavares (7) e Gustavo Klismahn (6); Brenner Lucas (5), Gonçalo Paciência (6) e Gabriel Silva (7); Paulo Victor (5), Welinton Torrão (6), Lucas Soares (5), Vinícius Lopes (5) e Elias Manoel (7)

Cláudio Botelho, treinador-adjunto do Arouca

«Felicito o grupo por alcançar o objetivo. O jogo começou num ritmo baixo, o Santa Clara parecia confortável com o empate, deixámo-nos adormecer, mas fomos superiores e seríamos justos vencedores. Fizemos golo, mas uma infelicidade no final ditou empate, fica sensação de frustração. Boa época, mas poderia ser muito boa.»

Igor Dias, treinador-adjunto do Santa Clara

Contra 10 precipitámo-nos em algumas tomadas de decisão e permitimos a transição que dá canto e golo. Reagimos, chegámos ao ponto, queríamos os três, mas não perder é importante. Queríamos resolver hoje, pode acontecer amanhã, mas queremos depender de nós. Festejar em casa também seria interessante.

A iniciar sessão com Google...