Na conferência em que foi apresentado como novo selecionador, treinador deixou limites

Klopp foi apresentado como selecionador alemão, prometeu surpresas e deixou aviso

Treinador falou em dia especial e quer uma equipa que entusiasme os adeptos

Jürgen Klopp, de 59 anos, é o novo selecionador da Alemanha, sucedendo a Julian Nagelsmann. O técnico foi apresentado esta sexta-feira em Frankfurt, tendo assinado um contrato válido até ao Mundial 2030, com início de funções a 15 de agosto.

Nas suas primeiras declarações, Klopp não escondeu a emoção. «Estou encantado. É uma grande honra estar aqui sentado. Há muita coisa a passar-me pela cabeça. Eu tinha uma certa ideia do quão grande seria este trabalho, mas era inimaginável para mim alguma vez isto acontecer», afirmou o treinador, considerando a assinatura do contrato um momento «muito, muito especial».

Aviso à imprensa

Klopp deixou também um aviso sério à comunicação social, estabelecendo limites claros. «Não faço isto por mim, é por vocês. Sou muito bem pago, no dia em que vocês não quiserem mais isto, digam. E eu vou-me embora. Sem indemnização. Se amanhã disserem que sou uma porcaria, eu vou-me embora. Não apenas um, teriam de ser mais. Se a DFB disser que sou uma porcaria, eu vou-me embora. Se se comportarem mal e não deixarem a minha família em paz, vou-me embora. Estou a aceitar este desafio mesmo depois de ter visto a forma como trataram o Julian (Nagelsmann), e depois de ver também como, em Inglaterra, trataram o Thomas Tuchel, num contexto em que tudo gira em torno do sucesso desportivo. E há outros países onde a situação pode ser ainda pior, embora não tenha lido nada sobre isso. É apenas uma coisa que vos peço», vincou.

O novo selecionador prometeu coragem e abertura, garantindo que a porta da seleção não está fechada para ninguém, e deixou adivinhar surpresas. «Há jogadores terão oportunidades com as quais ainda nem contam. Porque eu gosto de ser corajoso. Sempre fui e continuarei a ser», declarou, acrescentando que «ninguém está descartado» e que este é «um novo começo». O objetivo é claro: «Quero trabalhar com rapazes que joguem um futebol que agrade a todos. Nem sempre se tem sucesso imediato, mas quero que as pessoas saiam do estádio e digam: ‘uau!’».

Klopp mostrou-se entusiasmado com o novo desafio, mas reconheceu que precisa de tempo para preparar a equipa.«Fico satisfeito por a estreia não ser já amanhã. Estaria completamente sobrecarregado. Vou acompanhar jogos em todos os países onde os nossos jogadores atuam. Naturalmente, isso também inclui a Alemanha. Nos últimos tempos adquiri um conhecimento enorme sobre os jogadores e ocontacto com eles é muito importante, vou tentar estabelecer essa ligação o mais cedo possível. Essa será a minha primeira missão. Na primeira pausa para seleções, terei os jogadores reunidos desde domingo e o jogo será na quinta-feira. São apenas quatro dias. Claro que gostaria de ver progressos. O mais importante é que os rapazes me mostrem que representar a seleção nacional é algo verdadeiramente especial», previu.

Numa referência ao ambiente geral na Alemanha, o técnico mencionou até o chanceler Friedrich Merz, ao imaginar o impacto de uma vitória no Mundial. «Se nos imaginarmos a ser campeões do mundo daqui a quatro anos, a sensação é boa. Se fizermos todos isto juntos, no dia seguinte o vizinho não seria tão parvo, o tempo não estaria tão mau, o Merz não estaria a fazer tudo mal», brincou.

E considera que, agora, chegou ao topo da carreira: «Para mim, não existe uma carreira para além da seleção nacional. Este é o ponto mais alto. Idealmente, este é o auge da minha carreira, da minha vida e da minha vida profissional. Vou dar tudo o que tenho e reuni a melhor equipa técnica que poderia desejar.»

Mais um pedido de desculpas a Nagelsmann

Questionado sobre se houve algum contacto com o antigo selecionador alemão, Julian Nagelsmann, Jurgen Klopp voltou a desculpar-se por uma frase polémica que disse durante o Mundial. Numa conversa no canal em que acompanhou a competição, analisando se Jamal Musiala deveria ser titular - antes do jogo com Curaçau, que viria a redundar numa goleada por 7-1 -, disse que Nagelsmann «ainda é quem toma as decisões sobre os onzes iniciais da Alemanha», o que na altura foi visto como pressão. Klopp ainda se desculpou logo no final do jogo, mas já estava dito.

«Não houve qualquer troca de mensagens. Apenas lhe dei os parabéns pelo aniversário. Tenho um enorme respeito por ele, e o dia em que disse aquela frase foi um dos piores da minha vida. Percebi imediatamente que a polémica ia rebentar. Teria preferido que isso nunca tivesse acontecido. Pedi desculpa, as desculpas foram aceites e penso que não há mais nada a acrescentar. Desejo-lhe apenas o melhor.»

A Federação Alemã de Futebol (DFB) confirmou ainda outra novidade: Per Mertesacker, campeão do mundo em 2014, assumirá o cargo de diretor-geral desportivo, sucedendo a Andreas Rettig.

Questionado sobre o seu estilo de vestuário, Klopp brincou com um jornalista, dizendo que ainda não pensou se usará fato ou fato de treino. «Fiquei mais velho, como tu, como podes ver», disse, garantindo, no entanto, que não usará gravata.

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