O Rio Ave foi o clube que Zé Gomes mais vezes representou na carreira - Foto: A BOLA
O Rio Ave foi o clube que Zé Gomes mais vezes representou na carreira - Foto: A BOLA

Jogou com Rui Borges e... sabe o que é golear o Sporting

Em entrevista a A BOLA, Zé Gomes recorda os tempos em que partilhou balneário com o técnico do Sporting. O antigo defesa esteve no trinfo mais gordo dos vilacondenses sobre os verdes e brancos. Ninguém esquece o 4-0 em 2004...

Com a manutenção já garantida, o «tranquilo» Rio Ave recebe, na próxima segunda-feira (20h15), o (menos tranquilo) Sporting, que, não dependendo só dele, ainda luta para alcançar o segundo lugar. O ónus do encontro estará, por isso, do lado dos leões, num relvado onde «costumam ter algumas dificuldades» - lembra Zé Gomes.

Em conversa com a A BOLA, o histórico jogador do emblema da caravela - pelo qual somou mais de 160 partidas - recorda a vitória mais expressiva dos vilacondenses diante dos verdes e brancos da capital: 4-0, a 20 de março de 2004, em Vila do Conde. Zé Gomes jogou… ou, melhor dizendo, esteve extremamente concentrado (assim é que é) durante 90 minutos: «Lembro-me perfeitamente de que o Sporting teve uma ou outra oportunidade e logo a seguir acabámos nós por fazer golos. Marcou o Evandro [16’ e 77’], o Jaime Júnior [25’] e o Paulo César [45’]. Tivemos uma eficácia de quase 100%, ao contrário do Sporting. Além disso, defendemos bem e estivemos num nível de concentração muito alto», evoca. 

No dia seguinte à goleada por 4-0 do Sporting ao Rio Ave, A BOLA fazia histórica manchete: «Choque in Rio»

«Só dessa forma é que as equipas pequenas conseguem ganhar a um grande» afirma o antigo lateral, deixando, então, a receita daquilo que os rioavistas têm de fazer se quiserem triunfar, na próxima jornada. «Só é preciso 100% de concentração, aproveitar todas as oportunidades para fazer golo e não facilitar, porque, ao mínimo erro, com a qualidade que têm, os jogadores do Sporting aproveitam, como se viu no jogo contra o Vitória de Guimarães [5-1]», alerta. 

«O Rui Borges levou-me o adjunto»

Zé Gomes não só sabe daquilo que os jogadores do Sporting são capazes, como conhece profundamente as competência da sua equipa técnica: «Tenho lá três amigos. O Rui Borges, o Nando [Fernando Morato] e o Ricardo Chaves.»

Foi no Bragança que Zé Gomes, depois de tantos anos de Rio Ave e Liga, acabou a carreira de jogador (2012/13) iniciou a de treinador (2013/14, como adjunto). Após ter partilhado balneário com Rui Borges na capital do Nordeste Transmontano, foi lá que o antigo defesa orientou o atual técnico do Sporting: «O Rui [médio ofensivo] tinha boa qualidade técnica, bom passe e boa visão de jogo. Era acima da média, para aquela divisão [CP]. Na minha opinião, podia ter chegado mais longe. Como pessoa, era exatamente o que é agora, como vemos na televisão. Terra a terra, amigo do amigo e com uma humildade fantástica.»

Em 2017/18, Zé Gomes deixou Bragança para ir treinar na formação do Rio Ave. Na mesma época, Rui Borges teve a primeira aventura como treinador, no Mirandela. No meio destas mudanças vem, então, à baila, o nome de… Fernando Morato. «Quando eu saí do Bragança, ele assumiu o Mirandela e levou-me o adjunto, o Nando [Fernando Morato], que eu tinha lançado», começa por contar. 

«O Nando ligou-me a dizer que o Rui o tinha convidado para ir para o Mirandela e eu disse-lhe que ele fazia bem em ir. Levou-o porque se informou e reconheceu-lhe qualidade e competência. Felizmente, estão juntos até hoje», acrescenta, com orgulho, por ter descoberto o jovem brigantino que, anos mais tarde, se viria a revelar como uma das peças mais importantes da equipa técnica dos leões, tal como o seu antigo companheiro rioavista, Ricardo Chaves.

Pedro Barbosa e Zé Gomes em duelo no mítico Rio Ave 4-0 Sporting - Foto: A BOLA

«As coisas não foram fáceis»

Sobre o atual momento do Rio Ave, o antigo capitão do clube reconhece que, apesar do momento mais sereno vivido atualmente, as coisas não começaram da melhor maneira: «Passou por um período de mudança, ao ser adquirido pelo Marinakis, e houve uma reestruturação muito grande. As coisas não foram fáceis inicialmente. Mas, com o passar tempo, foram melhorando, evoluindo e a equipa finalmente está bem.»

O agora treinador considera que a mudança de sistema implementado por Sotiris Silaidopoulos a meio da época (de um 3x4x3 para 4x3x3) foi chave para voltar a trazer a equipa aos bons resultados: «O Rio Ave já garantiu a manutenção e é uma equipa que evoluiu o processo, que experimentou várias estruturas de jogo e acabou por se consolidar neste 4x3x3, que, no fundo, se formos ver o histórico do clube, foi a estrutura que mais mais vezes deu certo.» 

«Espero que na próxima época as coisas corram mais tranquilamente», finaliza Zé Gomes.

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