José Carlos Pinto e Omar Elkhatib celebram a conquista das medalhas de ouro em Taranto 2026
José Carlos Pinto e Omar Elkhatib celebram a conquista das medalhas de ouro em Taranto 2026

Jogos do Mediterrâneo: Pinto e Alkhatib na senda dourada do atletismo em Taranto

José Carlos Pinto (5000 metros) e Omar Elkhatib (400 metros) conquistaram mais duas medalhas de ouro para Portugal e elevaram para 29 o total de 'metais', recorde absoluto no historial da Missão nacional. Atletismo já ganhou seis, menos uma do que a natação

O atletismo português viveu mais um dia memorável nos Jogos do Mediterrâneo Taranto 2026, com Omar Elkhatib e José Carlos Pinto a conquistarem medalhas de ouro nos 400 e 5000 metros, respetivamente.

Com estes triunfos, o atletismo já contribuiu com seis medalhas (quatro de ouro, uma de prata e outra de bronze) para o pecúlio da Missão portuguesa na cidade italiana, sem precedentes, somando 29 medalhas, mais quatro do que em Oran 2022, das quais 13 são de ouro, ficando a apenas um título de duplicar o registo deste metal precioso alcançado na Argélia. Por ora, apenas a natação arrecadou mais medalhas (sete) para a representação lusa na presente edição deste Jogos (três de ouro, uma de prata e três de bronze). 

Na jornada de ontem no Estádio Giuseppe Valente, Omar Elkhatib brilhou ao vencer os 400 metros com um tempo de 44,92 segundos, estabelecendo não só um novo recorde pessoal, mas também um novo recorde da competição. O atleta sucede assim ao compatriota João Coelho como campeão mediterrânico da distância.

«Não tenho como esquecer uma coisa destas, a primeira vez que baixei dos 45 [segundos]. Entrar na casa dos 44, de certeza que vai ficar para a história», afirmou Elkhatib, citado pela Lusa. «Bem tinha dito ontem [na segunda-feira] que queria ganhar uma medalha e ganhei, e a de ouro. Fiquei surpreendido com a marca: ‘bem, eu fiz isso?’. Fui ver, fiquei ali fixamente e foi realmente um grande recorde pessoal», acrescentou.

O velocista de 24 anos é apenas o segundo português a correr os 400 metros em menos de 45 segundos, depois do recordista João Coelho, com 44,79, e não constrange a ambição: «Quem sabe se volto cá outra vez para fazer história», disse, já depois de ter revelado que quando se apercebeu que tinha conquistado o ouro «não sabia se devia rir ou chorar».

PINTO SÓ NÃO SABIA A COR…

Pouco depois, na pista do Giuseppe Valente, foi a vez de José Carlos Pinto subir ao lugar mais alto do pódio nos 5000 metros. O fundista superou uma «quase queda» sofrida nos 1500 metros, que o levou a receber assistência médica, para garantir a medalha de ouro com um desempenho pessoal que descreveu como a «melhor prestação de sempre pela seleção». E que o deixava desde logo convicto de que seria suficiente para conquistar o pódio. «Eu sabia que ia buscar uma medalha, só não sabia de que ‘cor’ seria», confessou.

«Claro que eu luto sempre para ganhar, afinal o nosso desporto é isso: um ganha e 99 perdem. Portanto, sempre que parto para uma prova é com o objetivo de ganhar, mesmo não sendo o melhor atleta em prova. Não era o caso nestes 5000, era o melhor atleta em prova», assumiu, referindo-se ao recorde pessoal.

A jornada de sucesso no atletismo incluiu ainda as qualificações de Diogo Barrigana para a final dos 400 metros barreiras e de Delvis Santos para a dos 200 metros. A tarde já tinha sido marcada pelas cerimónias de pódio de Auriol Dongmo (ouro) e Jessica Inchude (prata) no lançamento do peso, e de Mariana Machado (prata) nos 10.000 metros.

INÊS BRONZE NO REMO

A remadora portuguesa Inês Oliveira conquistou a medalha de bronze na prova de single scull ligeiro em Taranto e não escondeu a emoção depois de longa espera por pódios em competições internacionais de prestígio. 

Inês Oliveira celebra a conquista da medalha de bronze na prova de single scull ligeiro dos Jogos do Mediterrâneo Taranto 2026 (foto COP)
Inês Oliveira celebra a conquista da medalha de bronze na prova de single scull ligeiro dos Jogos do Mediterrâneo Taranto 2026 (foto COP)

«São muitos anos de trabalho, acho que esta medalha já estava na altura de aparecer. Foram muitos anos à porta das medalhas», declarou à Lusa logo após a cerimónia do pódio.

A portuguesa, de 27 anos, completou a prova que decorreu no Parque Cimino, nas margens do mar Piccolo, em 8.31,03 minutos. A medalha de ouro foi para a grega Zoi Fitsiou, que terminou com o tempo de 8.11,67, enquanto a argelina Nihed Benchadli assegurou a prata com 8.26,89. 

«Ontem [segunda-feira], estava com o quinto tempo, mas à tarde virei-me para o meu treinador e disse ‘eu acho que dá para ir às medalhas’. Se o atleta não consegue acreditar, não vale a pena mais ninguém acreditar», defendeu.

Durante a regata, ao perceber que lutava pelo terceiro lugar, a portuguesa encontrou a força necessária. «Dei por mim e já estava à frente, e [pensei] ‘ok, agora não pode fugir a medalha’», relatou, explicando que se lembrou de «toda a época dura e exigente» em que esteve «quase» a conseguir uma medalha.

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