A responsabilidade de envergar a braçadeira de capitão

João Matos: «Zézito e Benedito foram exemplos»

Dois carismáticos do Sporting moldaram João Matos na função de capitão de equipa

- Ao longo de mais de duas décadas teve de reinventar-se. Qual é a sensação de ter começado sob palavras de orientação de João Benedito e terminar a dar indicações a Zicky Té, considerado um dos melhores pivôs do Mundo, que tem menos anos do que você?

- Bebi muito do Benedito, sem esquecer o Zézito, e ainda hoje bebo, porque são pessoas com quem falo, com quem me dou e tenho o maior gosto em estar com eles, é sempre extraordinário, adoro-os de coração. São duas pessoas incríveis e enormíssimas na minha vida, que me ensinaram, que me moldaram, que me ajudaram a crescer, que foram irmãos, muitas das vezes até pais... E sou eternamente grato aos dois. Agora uma coisa tinha que fazer, não podia ser o Zézito, nem o João Benedito, senão isso ia dar asneira. Tinha de ser o João Matos, com aquilo que aprendi dos dois. É a minha forma de estar e de liderança. É o João Matos com um bocadinho de cada um deles, com um bocadinho dos meus pais e da minha mulher, um bocadinho do Paulo Fernandes, do Orlando, do Braz e do Dias, um pouco de todos eles. E há algo curioso, as brincadeiras que o Zézito fazia comigo quando eu tinha 18 anos, o Zicky tem essas expressões.

- Deixo o futsal com o Zicky Té a usar expressões que utilizei quando tinha 17, 18 anos, que o Zézito utilizou comigo, isso é brutal, extraordinário, muito bonito de se ver. A verdade é que lhes dou indicações, mas também me dão a mim. O Tomás [Paçó] faz-me correções, é a minha forma de estar e a minha liderança, também tenho muito a aprender com todos eles. É incrível ver no que estes miúdos se tornaram. O reconhecimento internacional que têm, não é para todos. A evolução da modalidade também pelos media, redes sociais, tudo isto ajudou para que eles fossem reconhecidos e até nem são à medida que deveriam ser. É um crime o Tomás não estar no top-3 de melhores do Mundo, para mim é, sem dúvida, o melhor jogador na posição dele, e o Zicky já provou o que tinha a provar e ainda tem muitas cartas para dar. É simplesmente fenomenal.

«Meu sucessor? Vejo o Tomás»

João Matos, o eterno capitão, encerrou um capítulo e, claro, haverá sucessor e quando questionado sobre quem vê a usar a braçadeira e dar contibuidade ao seu legado, não vacila: «Tomás Paçó, sem dúvida.»

Passando a justificar a escolha: «Desejo que assim o seja, pela pessoa que ele é. Espero que seja o Tomás, ao estilo de Tomás. Tal como eu fui o João Matos, ao meu estilo, com coisas de João Benedito e do Zézito, assim o desejo.»

Refira-se que Tomás Paçó, fixo de 26 anos, também é fruto da formação leonina, tendo começado a jogar de leão peito em 2011, com tenros 12 anos, tal e qual o mesmo percurso do irmão gémeo, Bernardo Paçó, que tem sido titular na defesa das redes da equipa leonina.

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