Michael Carrick com Kobbie Mainoo
Michael Carrick com Kobbie Mainoo - Foto: IMAGO

Foi assim que Michael Carrick reinventou o Manchester United

Treinador interino soma seis jogos sem perder, cinco vitórias e um empate

Um trabalho de investigação do diário britânico The Telegraph traça o retrato da transformação vivida pelo Manchester United desde a saída de Ruben Amorim e a entrada de Michael Carrick para o comando técnico.

A ironia não passa despercebida em Carrington: durante meses, Carrick aguardava no carro pelo filho, Jacey, jogador das camadas jovens, a escassos metros do gabinete de Amorim. «É irónico pensar que a solução para tantos problemas esteve a 100 metros do escritório e ninguém percebeu», confidenciou uma fonte ao jornal.

Seis semanas após assumir o cargo, Carrick soma cinco vitórias numa série de seis jogos sem perder, incluindo um suado 1-0 no terreno do Everton. Segue-se o Crystal Palace, em Old Trafford, num momento em que o acesso à Liga dos Campeões se torna imperativo para um clube cuja dívida se aproxima dos 1,3 mil milhões de libras (1,48 mil milhões de euros).

A hierarquia promete uma busca exaustiva por um treinador permanente, mas a consistência de Carrick reforça-lhe a candidatura. Depois da turbulência da era Amorim — em que os dirigentes temiam cada intervenção pública do técnico português — o antigo médio devolveu serenidade e previsibilidade fora de campo.

Dentro dele, as mudanças foram imediatas: abandono do 3-4-2-1 e regresso ao 4-2-3-1, reposicionando peças-chave nas zonas preferidas. A vitória por 2-0 sobre o Manchester City foi descrita como uma das melhores exibições do pós-Sir Alex Ferguson, e o United continua a ser a única equipa a bater o líder Arsenal em qualquer competição no Emirates desde maio passado.

O relatório do Telegraph detalha ainda mudanças subtis ainda que simbólicas: folgas ao domingo após jogos ao sábado para maximizar o tempo em família; partida do autocarro atrasada 15 minutos para potenciar o contacto com adeptos; ambiente mais familiar nos bastidores. Carrick tem acompanhado regularmente os sub-21 e sub-18, ao contrário do antecessor, reforçando a ligação à academia.

No treino, sessões mais curtas e intensas, reuniões breves, maior trabalho individualizado e uma equipa técnica experiente — com destaque para Steve Holland, Jonathan Woodgate e Jonny Evans — criaram nova dinâmica. Evans esteve, inclusive, por trás de uma jogada estudada que envolveu Bruno Fernandes e Kobbie Mainoo, culminando num golo de Bryan Mbeumo diante do Tottenham.

Carrick recuperou Mainoo para o onze, devolveu Bruno Fernandes à posição 10 e reacendeu a ligação com Casemiro, que deverá sair no verão, mas procura despedir-se em alta. Já Benjamin Sesko, com seis golos em sete jogos — incluindo o decisivo frente ao Everton —, destaca o trabalho individual com Travis Binnion.

O clube reconhece que a ausência de competições europeias criou circunstâncias particulares, oferecendo tempo raro para treinar. Ainda assim, o Telegraph sublinha sinais de união: celebrações efusivas entre suplentes, abraços coletivos após golos e uma sensação de percurso partilhado.

Carrick insiste que «é apenas o começo». Um começo que não podia ser mais promissor.