Mundial
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Insustentável leveza do 'outsider'
Têm sido poucos os duelos sem um favorito à partida. A organização da prova acentua a tendência: a FIFA quer, naturalmente, um campeonato que traga os grandes duelos para as fases finais. Os oitavos de final não têm sido exceção: a figura do outsider está muito presente em selecções como Canadá, Paraguai, ou até Noruega.
Tem sido muito interessante perceber como a superioridade do adversário molda a postura das equipas: assume-se que, jogando olhos nos olhos, o jogo está perdido? Entende-se que a única maneira de chegar à vitória é agarrarem-se ao seu ideário e serem fiéis aos seus princípios? Preferem cair agarrados às próprias ideias ou ceder à armadilha da subversão estratégica? O Paraguai caiu depois de erguer uma muralha em frente à sua baliza. Percebeu que o caminho era reduzir o espaço das estrelas francesas e conseguiu empurrar as decisões para o final.
Seria possível, contudo, discutir o jogo de outra maneira? Se o Paraguai quisesse ter bola, sair apoiado ou envolver mais jogadores ofensivamente, seria capaz de adiar a decisão? O Canadá, por outro lado, empurrou Marrocos para trás durante a primeira parte inteira. Naquele que talvez tenha sido o pior jogo da equipa de Ouahbi, o Canadá só não se adiantou na primeira parte por milagre. Na segunda foi traído por um erro na defesa de uma bola parada que mudou o jogo — uma das bolas paradas de laboratório deste Mundial. O resultado é uma mentira.
Por fim, a Noruega quis dar um chuto na história e entrou na primeira parte para dividir o jogo com o Brasil. Talvez a diferença individual seja menor que a das restantes equipas, mas seria fácil para a equipa de Solbakken dar o domínio do jogo ao escrete e esperar que a velocidade na frente fizesse a diferença. Claro que Bruno Guimarães podia ter adiantado a equipa (Vinícius teve medo da responsabilidade?), mas o golo não contaria a história de um jogo com oportunidades dos dois lados. A Noruega assumiu o desafio pelos colarinhos e, aos ombros de Haaland, foi recompensada. Não há receitas, mas a maturidade competitiva é um fator diferenciador. A capacidade de se erguer entre as adversidades, conseguir estabilizar o jogo e ferir o adversário é um traço de campeão. O Brasil não foi capaz de o fazer.