António Nobre dirigiu o FC Porto-Gil Vicente - Foto: Rogério Ferreira/Kapta+
António Nobre dirigiu o FC Porto-Gil Vicente - Foto: Rogério Ferreira/Kapta+

Houve mesmo penálti sobre Samu? A análise de Pedro Henriques ao FC Porto-Gil Vicente

Única nota negativa do excelente trabalho de António Nobre foi mesmo o tempo de compensação dado na segunda parte. Num jogo morno, juiz ainda teve de gerir a expulsão do gilista Martín Fernández, que pouco tempo esteve em campo

António Nobre dirigiu o FC Porto-Gil Vicente, que os dragões venceram por 3-0. O juiz da Associação de Futebol de Leiria teve como assistentes Nélson Pereira e Francisco Pereira, sendo Fábio Melo o quarto árbitro. O VAR foi João Casegas, assistido por Marco Vieira. Vamos à análise!

12’ O assistente esperou que a jogada terminasse e só quando a bola entrou na baliza levantou a bandeirola, cumprindo o protocolo e anulando de forma correta o golo dos dragões, pois, quando Gabri Veiga passou para Borja Sainz, este estava claramente em fora de jogo. 

34’ Penálti bem assinalado. Penálti corretamente assinalado a favor dos dragões, por braço esquerdo de Murilo de Souza a envolver Samu, impedindo a sua movimentação e derrubando o avançado espanhol dos azuis. Também foi mostrado, de forma correta, o respetivo cartão amarelo. De relembrar que as despenalizações disciplinares nos penáltis aplicam-se apenas quando o infrator tenta jogar a bola — ou seja, sempre que se usa as mãos ou os braços, isso, para a lei, nunca é considerado tentar jogar a bola. 

36’ Na sequência do pontapé de penálti assinalado a favor dos dragões, o árbitro mostrou dois cartões amarelos, um para cada equipa: Zé Carlos, do Gil Vicente, e Gabri Veiga, dos dragões, por comportamento antidesportivo mútuo. 

45’ Tempo extra. O árbitro deu dois minutos de compensação pelo tempo perdido aquando da marcação do pontapé de penálti, momento em que, além de ter aguardado pela confirmação do VAR, foram ainda mostrados três cartões amarelos na sequência da marcação do castigo máximo. 

52’ Advertências nos bancos. Cartão amarelo para o treinador do Gil Vicente, por palavras dirigidas ao banco dos dragões. O árbitro sancionou disciplinarmente o técnico gilista por comportamento antidesportivo. De seguida, dirigiu-se ao banco portista e mostrou também um cartão amarelo a um dos treinadores adjuntos, neste caso a Lino Godinho. 

69’ Expulsão por conduta violenta. Foram dadas indicações muito claras quanto a este tipo de entradas em salto, desgovernadas, de sola e com os pitons à frente — entradas em modo karaté. Independentemente da intenção, o que conta é a ação e a zona de contacto. Sendo o impacto acima do joelho, e ainda por cima sem a bola estar por perto, a sanção correta é o cartão vermelho. O árbitro limitou-se a seguir as instruções e expulsou Martín Fernández pela conduta violenta sobre Thiago Silva.

Positivo
A gestão técnica e disciplinar por parte do árbitro. Os assistentes também em bom plano ao nível do fora de jogo. As poucas faltas (21).
Negativo
Os bancos de suplentes que continuam em matéria de disciplina a não darem o melhor exemplo. O tempo extra dado.

78’ Na bola. Bamba estica a sua perna esquerda e, com a ponta do pé, toca na bola, desarmando assim, de forma legal e sem falta, Rodrigo Mora. Não há, portanto, razão para castigo máximo. O árbitro nada assinalou e o VAR posteriormente confirmou a decisão.

86’ Legal. No início da jogada que depois dá origem ao terceiro golo dos dragões, não há qualquer infração por parte de Pablo Rosario, que desarma de forma correta Santiago García, tocando apenas na bola com o pé ao esticar a perna esquerda.

86’ Sem braço. William Gomes, antes de finalizar a jogada que resultou no terceiro golo portista, tem um momento em que o seu adversário, Jonathan Buatu, pontapeia a bola, que toca apenas na barriga do avançado brasileiro dos dragões, nunca tocando na sua mão ou braço. Golo legal.

90’ Compensação insuficiente. O árbitro deu quatro minutos de tempo extra, para compensar o tempo perdido no segundo tempo, onde ocorreram várias incidências merecedoras de desconto: dois golos, um cartão amarelo, um vermelho (com verificação do VAR e assistência ao jogador dos dragões) e seis paragens para substituições, com entrada de dez jogadores. Em resumo, o tempo dado revelou-se escasso.

93’ Cartão amarelo corretamente exibido a Kiwior, que vai com a perna esquerda esticada e de sola, acabando por tocar — ainda que de raspão — no pé esquerdo de Santiago García. Entrada negligente, bem sancionada disciplinarmente.

A NOTA DE ANTÓNIO NOBRE — 8