Moreirense venceu na Amoreira sem espinhas - Foto: Filipe Amorim/LUSA
Moreirense venceu na Amoreira sem espinhas - Foto: Filipe Amorim/LUSA

Hino minhoto para abafar os assobios canarinhos (crónica)

Erros acumulados justificam novo desaire do Estoril e a contestação aumenta no António Coimbra da Mota. Moreirense respira melhor, após duas derrotas consecutivas

Num duelo entre canarinhos numa posição aflitiva na tabela — na última posição e sem qualquer triunfo logrado — e cónegos de orgulho ferido, após a eliminação da Taça de Portugal, na terceira eliminatória, aos pés do Aves SAD, imperou a lei da eficácia… e sorriu a equipa claramente com as ideias mais arrumadas nesta fase da temporada. Mas já lá vamos.

Sedenta de vitórias, a formação orientada por Sérgio Raimundo — treinador que assumiu o cargo de interino depois do despedimento de Vasco Matos — até tentou assumir as despesas desde cedo, com muita posse de bola.

O embate estava animado e até já se tinham visto ocasiões junto das duas balizas quando Manuel Mendonça aproveitou, aos 12’, uma das (inúmeras) falhas defensivas do conjunto da Linha. O criativo made in Alcochete agradeceu a bola que lhe caiu nos pés na recarga, após tiro de Vonic. Xavi Sintes ficou muito mal na fotografia.

Quase nem tempo houve para digerir o soco no estômago, já que Tiago Andrade ampliou a vantagem dos verdes e brancos aos 15’. O jovem de 21 anos, produto da formação do FC Porto, finalizou, após beneficiar de um ressalto, uma jogada marcada pela tremenda passividade da retaguarda estorilista.

Se a situação já estava (bastante) difícil para os homens da casa, o complicómetro da defesa não ajudou. Começaram a ouvir-se os primeiros assobios da tarde no António Coimbra da Mota.

O cenário de crise agravou-se com mais um tento dos axadrezados, desta feita com Nile John a cobrar de forma exímia um livre direto, à passagem dos 28’.

A linha ofensiva do Estoril bem tentou reduzir e esteve muito perto de fazê-lo antes do intervalo. João Carvalho, Holsgrove e Guitane foram perdulários e ainda houve tempo, na baliza oposta, para Vonic assustar o 4-0, colocando mesmo o esférico no fundo das redes, mas estava em posição irregular.

A etapa complementar, mais morna, trouxe mais perdas de bola em zonas proibidas dos canarinhos e controlo sem grandes sobressaltos para os pupilos de Vasco Botelho da Costa.

Mesmo com as alterações efetuadas por Sérgio Raimundo ao intervalo (duas) e no decorrer da segunda metade (três), o Estoril mostrou ter poucos argumentos para combater a organização minhota.

Ferro, primeiro com um cruzamento que acabou por transformar-se em remate e depois com um cabeceamento por cima do travessão, provocou alguns calafrios ao Moreirense, mas o golo que impediu a goleada foi da autoria de Peixinho, que finalizou sem espinhas ao cair do pano (90+4’). 

Mal soou o apito final, os adeptos fizeram-se ouvir novamente, depois de terem cantado «Estoril é nosso e há de ser», e voltaram a contestar a paupérrima exibição da equipa. Vida difícil para o conjunto estorilista, que prolonga o jejum de triunfos. Os cónegos respiram melhor após duas derrotas consecutivas.

A figura do Estoril: Jordan Holsgrove

Entre um mar de exibições cinzentas na equipa da Linha, o escocês foi quem deu algum rumo aos colegas. Incansável no setor intemediário, o número 10 dos canarinhos ditou os ritmos de jogo, atuando ao lado de um desinspirado capitão e à frente de uma defesa desorganizada. Ainda ameaçou o golo e não baixou os braços até ao derradeiro apito.

As notas dos jogadores do Estoril: Joel Robles (4); Ricard Sánchez (4), Ferro (5), Xavi Sintes (3), Roko Jurisic (4); Antef Tsoungui (4), João Carvalho (5), Jordan Holsgrove (6); Rafik Guitane (5), Axel Camblan (4) e Nail Omerovic (4). Pedro Carvalho (5), André Lacximicant (5), Fernando Medrano (5), Peixinho (6) e Xeka (5).

O melhor em campo: Tiago Andrade (Moreirense)

Chegou no mercado de verão a Moreira de Cónegos, mas o diamante com escola de grande parece já estar plenamente entrosado na equipa às ordens de Vasco Botelho da Costa. Um perigo à solta no corredor esquerdo, foi uma dor de cabeça para Ricard Sánchez no primeiro tempo, no qual assinou o segundo dos minhotos. Promete explodir este ano, de estreia na elite do futebol nacional.

As notas dos jogadores do Moreirense: André Ferreira (7); Dinis Pinto (6), Gilberto Bastista (6), Kevyn (5), Francisco Domingues (6); Guilherme Liberato (7), Nile John (7); Kiko Bondoso (5), Manuel Mendonça (7), Tiago Andrade (7); Leonardo Vonic (6). Rodrigo Alonso (5), Mateja Stjepanovic (5), Landerson (5), Álvaro Martínez (—) e Yan Maranhão (—).

Miguel Moreira (adjunto do Estoril)

As coisas não estão a acontecer e não é por falta de trabalho. Sabemos que os jogadores têm muita qualidade. É mais uma derrota difícil, temos de analisar o que fizemos e crescer. Só pensamos em trabalhar, nesta casa ninguém desiste. Vimos de uma fase difícil e sofremos três golos de rajada. A equipa foi-se abaixo, mas tentou reagir e lutou até ao fim. Nunca desistimos.

Vasco Botelho da Costa (treinador do Moreirense)

Deixo uma palavra para o Estoril, que é um clube muito querido para mim. Espero que consigam dar a volta a esta situação. Era a resposta que queríamos depois da eliminação da Taça. Somos uma equipa extremamente jovem e em crescimento. É uma vitória muito justa e uma demonstração de qualidade e união da nossa equipa. Temos de manter os pés assentes na terra.

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