A festa encarnada na Luz
A festa encarnada na Luz

Há roupa nova para a águia esfarrapada (crónica)

Encarnados golearam (5-1) Belenenses e Marco Silva deve ter encontrado nova soluções entre jovens talentos, mundialistas e reforços: Durán marca na estreia

Foi amigável, foi de preparação e foi particularmente importante para o Benfica esta partida com o Belenenses, dérbi lisboeta que parecia a feijões, mas que ganhou relevância após a derrota (1-2) dos encarnados na Suíça, com o St. Gallen, na primeira mão da 2.ª pré-eliminatória da Liga Europa.

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Marco Silva não pretendia, naturalmente, massacrar os jogadores mais utilizados, os habituais titulares, desejava, isso sim, ver em ação os miúdos, os menos utilizados, dar minutos aos mundialistas e aos reforços, de maneira a poder encontrar soluções para dia 30, altura em que o St. Gallen visita a Luz.

Também estava em causa o relvado, o novo tapete verde, e o resultado, também nesse capítulo, foi satisfatório, pois permitiu jogar e, até mesmo, jogar bem em determinados momentos da partida.

Mérito de alguns nomes do lado do Benfica, mas também do Belenenses, equipa que joga com qualidade, que gosta de bola, que causou dificuldades ao Benfica na primeira parte e que parece destinada a fazer boa figura na Liga 3.

Marco Silva apresentou sete portugueses do Seixal e quatro estrangeiros, com a particularidade de estarem em campo Barrenechea, Ivanovic e João Rego, utilizados na Suíça.

Anísio Cabral foi o primeiro a marcar, bem servido por José Neto, depois Ivanovic, de penálti, e Prestianni. Bruninho também celebrou para os azuis antes do intervalo, fazendo então o 1-1.

Dedic foi dominante, está leve, é qualidade garantida para a segunda mão com o St. Gallen, eis a principal nota da primeira parte, pautada por toques de juventude irrequieta e pelo inconformismo de Ivanovic, que mesmo andando de um lado para o outro do campo, sempre fora da sua posição (extremo-esquerdo com Mourinho, extremo-direito com Marco Silva) foi capaz de ser sério e desequilibrador.

No segundo tempo, mais dois golos para as águias, mais juventude, mas, sobretudo, Jhon Durán. Ainda está lento, pesado, a tirar as medidas aos colegas, mas já marcou. E como é importante marcar numa estreia. O golo foi fácil, encostou para a baliza, mas o lance merece nota: passe brilhante de Gabriel Índio, central brasileiro e reforço, a isolar Olívio Tomé na esquerda, que depois serviu de bandeja.

Foi interessante ver a personalidade de Índio, mesmo distraindo-se num passe e quase oferecendo novo golo a Bruninho, foi interessante ver José Neto com a braçadeira de capitão e dar um passo em frente em relação a miúdos como Anísio Cabral ou Banjaqui. Entre a juventude e tudo o resto, Marco Silva pode acreditar que há, afinal, um futuro prometedor pela frente, muito menos negro do que os 90 minutos de St. Gallen poderiam sugerir.

O Benfica prepara a chegada a todo o momento de central, médio e extremo, Marco Silva lida com vários jogadores que estão de saída ou à venda no mercado, mas há, garantidamente, mais valias dentro de casa, gente com qualidade para fazer uma equipa melhor do que aquela que se apresentou na Suíça.

O jogo foi fácil, foi útil, foi saboroso e foi mesmo, mesmo aquilo de que o Benfica estava a precisar.

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