Golfista envolvida em polémica por usar 'top' e deixar umbigo à mostra
A golfista Annabell Fuller, de 23 anos, viu o seu melhor resultado da época ofuscado por uma polémica em torno do seu vestuário. Durante o Australian WPGA Championship de 2026, em Sanctuary Cove, a atleta inglesa alcançou um T7, o seu melhor registo da temporada, que incluiu uma volta de 64 pancadas (-7). Contudo, foi o seu crop top que gerou debate, levando Fuller a quebrar finalmente o silêncio.
Em declarações à Golf Digest Australia, a golfista defendeu a sua escolha e questionou a atenção gerada. «Muitas raparigas têm usado crop tops nos últimos anos. Na verdade, não sei por que é que o meu despertou mais interesse», afirmou. Fuller estabeleceu ainda um paralelo com o ténis, defendendo uma maior liberdade no vestuário de golfe para facilitar o movimento. «No inverno, em Inglaterra, a velocidade da minha tacada diminui muito porque usar muitas camisolas impede-me de rodar livremente. Sinceramente, acho que o vestuário de golfe deveria ser mais semelhante ao do ténis».
A golfista inglesa acredita que a decisão sobre o que vestir deve caber à atleta. «Desde que esteja confortável e me sinta bem comigo mesma, sinto-me bem para jogar», acrescentou. Apesar da controvérsia, é importante notar que Fuller não violou qualquer regra do torneio.
Golf dress code violations are always a hot topic. Just recently a PGA Tour player got a reprimand for an untucked shirt.
— Rick Golfs (@Top100Rick) March 22, 2026
So what is the verdict on a lady player in a crop top?
Annabelle Fuller dropped this outfit at the AUS PGA.
I think it’s 🔥. pic.twitter.com/c8UVjLECxX
A discussão reacendeu um debate antigo sobre os códigos de vestuário no golfe feminino. A polémica ganhou tração nas redes sociais, com uma publicação de Rick Golfs na plataforma X a questionar: «Recentemente, um jogador do PGA Tour foi repreendido por usar a camisa por fora das calças. Qual é o veredito sobre uma jogadora com um crop top?». A publicação gerou reações diversas, incluindo o apoio de figuras como Paige Spiranac, que comentou: «Ela está ótima, bem-arranjada e atlética!».
Annabell Fuller was the topic of dress code conversations for her outfit during a competition in Australia.
— Golf Digest (@GolfDigest) March 23, 2026
Read more: https://t.co/78Rq7EHDbh pic.twitter.com/nGQU2GwDRp
Recorde-se que, em meados de 2017, a LPGA implementou um código de vestuário mais rigoroso, proibindo decotes pronunciados, leggings usadas sem saias ou calções por cima, e saias demasiado curtas. Regras semelhantes aplicam-se no Ladies European Tour e noutros eventos profissionais. As infrações acarretam multas pesadas, começando nos 1000 dólares e duplicando a cada nova violação. Felizmente para Fuller, não houve lugar a qualquer penalização.
Esta política mais restritiva da LPGA já tinha sido alvo de críticas por parte de várias profissionais no passado. Charley Hull, uma das principais golfistas do circuito, considerou a medida «uma pena», afirmando que «muitas pessoas rotulam o golfe como antiquado e precisamos de nos afastar disso». Paige Spiranac, por sua vez, associou a política a uma forma de body-shaming.
Até a já retirada Michelle Wie West, que no passado usou um crop top como forma de protesto, sentiu-se visada. «Tivemos muitas discussões porque algumas das roupas que usei este ano fizeram levantar algumas sobrancelhas», revelou, explicando que, embora não tenha sido multada, teve de dar várias explicações à LPGA.
Professional golfer Annabell Fuller sparked conversation with her outfit at the Australian WPGA Championship this weekend. https://t.co/nQlSuFv2gA
— Men's Journal (@MensJournal) March 23, 2026
O caso de Annabell Fuller vem, assim, reacender a tensão latente sobre os códigos de vestuário no golfe, num momento em que várias vozes no desporto pedem uma abordagem mais moderna e focada no conforto e desempenho das atletas.