O 'top' da polémica que fez todos os olhos se virarem para Annabell Fuller. Foto X Golf Digest
O 'top' da polémica que fez todos os olhos se virarem para Annabell Fuller. Foto X Golf Digest

Golfista envolvida em polémica por usar 'top' e deixar umbigo à mostra

A britânica Annabell Fuller, de 23 anos, quebrou o silêncio depois do tumulto causado pela escolha da roupa que não se enquadra no rigoroso código, cujas infrações acarretam multas pesadas, que começam nos 1000 dólares e duplicam a cada nova violação

A golfista Annabell Fuller, de 23 anos, viu o seu melhor resultado da época ofuscado por uma polémica em torno do seu vestuário. Durante o Australian WPGA Championship de 2026, em Sanctuary Cove, a atleta inglesa alcançou um T7, o seu melhor registo da temporada, que incluiu uma volta de 64 pancadas (-7). Contudo, foi o seu crop top que gerou debate, levando Fuller a quebrar finalmente o silêncio.

Em declarações à Golf Digest Australia, a golfista defendeu a sua escolha e questionou a atenção gerada. «Muitas raparigas têm usado crop tops nos últimos anos. Na verdade, não sei por que é que o meu despertou mais interesse», afirmou. Fuller estabeleceu ainda um paralelo com o ténis, defendendo uma maior liberdade no vestuário de golfe para facilitar o movimento. «No inverno, em Inglaterra, a velocidade da minha tacada diminui muito porque usar muitas camisolas impede-me de rodar livremente. Sinceramente, acho que o vestuário de golfe deveria ser mais semelhante ao do ténis».

A golfista inglesa acredita que a decisão sobre o que vestir deve caber à atleta. «Desde que esteja confortável e me sinta bem comigo mesma, sinto-me bem para jogar», acrescentou. Apesar da controvérsia, é importante notar que Fuller não violou qualquer regra do torneio.

A discussão reacendeu um debate antigo sobre os códigos de vestuário no golfe feminino. A polémica ganhou tração nas redes sociais, com uma publicação de Rick Golfs na plataforma X a questionar: «Recentemente, um jogador do PGA Tour foi repreendido por usar a camisa por fora das calças. Qual é o veredito sobre uma jogadora com um crop top?». A publicação gerou reações diversas, incluindo o apoio de figuras como Paige Spiranac, que comentou: «Ela está ótima, bem-arranjada e atlética!».

Recorde-se que, em meados de 2017, a LPGA implementou um código de vestuário mais rigoroso, proibindo decotes pronunciados, leggings usadas sem saias ou calções por cima, e saias demasiado curtas. Regras semelhantes aplicam-se no Ladies European Tour e noutros eventos profissionais. As infrações acarretam multas pesadas, começando nos 1000 dólares e duplicando a cada nova violação. Felizmente para Fuller, não houve lugar a qualquer penalização.

Esta política mais restritiva da LPGA já tinha sido alvo de críticas por parte de várias profissionais no passado. Charley Hull, uma das principais golfistas do circuito, considerou a medida «uma pena», afirmando que «muitas pessoas rotulam o golfe como antiquado e precisamos de nos afastar disso». Paige Spiranac, por sua vez, associou a política a uma forma de body-shaming.

Até a já retirada Michelle Wie West, que no passado usou um crop top como forma de protesto, sentiu-se visada. «Tivemos muitas discussões porque algumas das roupas que usei este ano fizeram levantar algumas sobrancelhas», revelou, explicando que, embora não tenha sido multada, teve de dar várias explicações à LPGA.

O caso de Annabell Fuller vem, assim, reacender a tensão latente sobre os códigos de vestuário no golfe, num momento em que várias vozes no desporto pedem uma abordagem mais moderna e focada no conforto e desempenho das atletas.