Gil Martins apontou um dos golos da jornada (e, quiçá, do campeonato), ao picar a bola por cima de André Gomes. Estreou-se a marcar na Liga - Foto: HUGO DELGADO/LUSA
Gil Martins apontou um dos golos da jornada (e, quiçá, do campeonato), ao picar a bola por cima de André Gomes. Estreou-se a marcar na Liga - Foto: HUGO DELGADO/LUSA

Gil tirou o chapéu ao ganso e Héctor assumiu o poleiro (crónica)

O jovem inaugurou o marcador, picando a bola sobre André Gomes. O espanhol ampliou a vantagem de grande penalidade e fatura pelo segundo jogo seguido

Onde há galo, não canta ganso. Foi esta a máxima que o Gil Vicente tentou impor desde início.

Andreas Lausen teve no pé direito o 1-0 ao segundo minuto de jogo, num canto preparado em laboratório em que o médio escapou da marcação para ficar livre para o remate numa zona mais recuada da área. Não foi logo aí, mas o mote estava dado.

Já depois de Lawrence Ofori (aos 6’) tentar surpreender Lucão com um remate ainda atrás no meio-campo, foram mesmo os anfitriões a assumir a pasta dos golaços (já lá vamos).

É verdade que os minhotos dominavam com bola no último terço, mas o contra-ataque é que lhes levou o primeiro tento, quando Héctor Hernández foi lançado na profundidade com um grande passe de Ricardo Esgaio. O espanhol acabou no chão e muitos pensariam que o lance estava perdido, mas, nunca desistindo da bola, o avançado conseguiu assistir Gil Martins para uma… obra de arte! Vindo na passada, o jogador, de 20 anos, dominou o esférico de forma orientada e, com um toque sublime, aplicou um chapéu a André Gomes.

Na resposta, Henrique Araújo desperdiçou de forma clamorosa na pequena área… Rochinha serviu (com um cruzamento de luxo) o ex-Benfica, que, sem marcação, cabeceou para fora. Aos 41’, foi André Geraldes a rematar por cima, após um bom desenho ofensivo do conjunto do Sul, que, num momento em que até estava a animar-se, cometeu grande penalidade.

Em cima do intervalo, Lawrence Ofori tocou a bola com a mão, após um cruzamento (já dentro de área) pela esquerda de Andreas Lausen. Anzhony Rodrigues não teve outra alternativa senão assinalar penálti, que Héctor Hernández não desperdiçou, naquele que foi o segundo golo do atacante em dois jogos — e da mesma forma!

Novamente em reação rápida, Henrique Araújo tentou ser feliz por duas vezes (45+1’ e 45+3’), mas nunca acertou com o alvo.

Na etapa complementar, os barcelenses baixaram a guarda (o que também fez baixar o ritmo do jogo), mas os casapianos não aproveitaram como deviam e, à terceira partida, continuam sem pontuar nem marcar no campeonato (levando já dez golos sofridos).

Com este triunfo, e após a vitória com o Rio Ave (1-0) na primeira jornada, os minhotos chegam aos seis pontos em dois jogos. De recordar que o encontro da segunda jornada, com o SC Braga, fora adiado.

No lado gilista, nota ainda para a homenagem a Arthur Tchaptchet, antes do jogo. O jovem central foi operado recentemente a uma lesão na coxa esquerda.

Melhor em campo: Héctor Hernández

Assistiu, marcou e, aos 30 anos, tem no horizonte a tão esperada afirmação em Barcelos. Em apenas dois jogos, o atacante já igualou os dois golos conseguidos na época passada (em nove duelos), quando chegou oriundo dos brasileiros do Corinthians. Neste jogo, ainda assim, o grande destaque vai mesmo para a assistência. Foi a sua resiliência que permitiu o colega Gil Martins abrir a contagem.

As notas dos jogadores do Gil Vicente: Lucão (5); Ricardo Esgaio (6), Elimbi (5), Buatu (5), e Weverson (5); Cáseres (6) e Andreas Lausen (6); Joelson Fernandes (5), Santi García (6) e Gil Martins (8); Héctor Hernández (8); Diogo Prioste (5), Murilo (5), Zé Carlos (5), Carlos Eduardo (5), Agustín (5)

A figura do Casa Pia: Rochinha

Nunca abandonou a alegria de jogar (bem), mesmo que nem sempre tivesse sido devidamente acompanhado pelos seus colegas. Ao minuto 22, o tecnicista ex-Famalicão pôs, com grande classe, descobriu Henrique Araújo na área e pôs-lhe a bola 'prontinha'  na cabeça para fazer o 1-1. Porém, o avançado esquivou-se à responsabilidade e não conseguiu mudar o rumo do jogo...

As notas dos jogadores do Casa Pia: André Gomes (5); André Geraldes (5), João Goulart (5), David Sousa (5) e Abdu Conté (5); Selvi Clua (5), Seba Pérez (5) e Lawrence Ofori (4); Henrique Araújo (5), Jatta (5) e Rochinha (6); Cassiano (5), Gabi Pereira (5), Clau Mendes (5), Adbu Dafé (5) e Pedro Rosas (5)

Luís Pinto, treinador do Gil Vicente

Foi um jogo muito bem conseguido, até aos 75 minutos. Depois, não tivemos tanta bola, discernimento, nem reação à perda, mas também há que respeitar o jogo. Na frente, podíamos ter sido mais perigosos. Tivemos uma postura defensiva compacta.

Filipe Coelho, treinador do Casa Pia

Fica a frustração de não marcar, mas já vimos sinais de que o nosso caminho está a ser construído. Senti a equipa, em alguns momentos, num patamar superior ao que já tinha apresentado. Não posso esconder a qualidade do Gil Vicente.

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