Gian Piero Gasperini, treinador da Roma - Foto: IMAGO

Gasperini abandona conferência a chorar (vídeo)

Emocionou-se a falar da Atalanta, onde passou nove anos e adversário da Roma neste sábado. Mas a rotura com Ranieri também ajuda a explicar o estado psicológico do experiente treinador de 68 anos

Gian Piero Gasperini terminou abruptamente, nesta sexta-feira, a conferência de imprensa de lançamento do jogo entre a Roma e a Atalanta. O treinador dos romanos não conteve as lágrimas ao recordar os nove anos passados no clube que será o seu adversário neste sábado, no Olímpico.

«Foi uma história longa, de nove anos. Estive oito anos no Génova e nove na Atalanta, isso quer dizer que se calhar não sou uma pessoa assim tão má. Quanto se está tanto tempo junto haverá três, quatro, cinco episódios negativos, mas e quanto aos positivos? 50? 150? Em Bérgamo pude fazer bem as coisas porque o contexto era compacto, o trabalho do clube era extraordinário. Lutávamos de igual para igual com as melhores equipas italianas e da Europa. O clube funcionava em sintonia com o treinador. Mas depois mudaram os proprietários, já não estava o papá [Antonio Percasi, que vendeu a maioria do capital a Stephen Pagliuca, co-proprietário dos Bolton Celtics], a ligação era muito…» Não terminou a frase, levantou a mão, saiu da mesa, e fechou a porta da sala de imprensa com estrondo.

A emoção pode ser explicada pela instabilidade que se vive no clube e em particular a tensão com Claudio Ranieri, o conselheiro da família Friedkin, dona da Roma, que, nesta semana, respondendo às críticas de Gasperini sobre o mercado, foi muito duro para com o treinador, afirmando, por exemplo, que este não foi sequer a terceira escolha para o cargo.

Convidado a comentar a entrevista de Ranieri à DAZN, Gasperini admitiu ter ficado «incrivelmente surpreendido». «Porque eu nunca, em circunstância alguma, usei um tom assim duro com Ranieri, por isso foi uma surpresa inesperada. E ao longo destes meses nunca tive esta sensação deste tom da parte dele. Mas a minha preocupação agora é de não responder porque não quero prejudicar o clube e por respeito ao nosso público. Amanhã estarão 60 mil pessoas no estádio, isso é o que verdadeiramente importa», acrescentou o experiente treinador de 68 anos.

Tensão com o «antipático»

Não espanta o estado a que esta relação chegou. Na apresentação de Gasperini na Roma, a 17 de junho de 2025, Claudio Ranieri foi de uma frontalidade invulgar. «Gasperini é antipático? Sim, é verdade. Eu também não gostava dele quando éramos adversários. Mas ele é o homem certo para a Roma. É uma pessoa honesta, um trabalhador que diz as coisas na cara e, neste momento, o clube não precisa de simpatia, precisa de resultados e de alguém que saiba reconstruir», foram estas as palavras do dirigente, em conferência de imprensa.

Mas as divergências na escolha de jogadores, tanto no mercado de verão como no de inverno, além dos perfis rígidos de cada um levaram à rotura. Segundo o Corriere dello Sport, ambos não se falam desde março e os os Friedkin, donos da Roma, e ainda não se pronunciaram. Dependendo da classificação final da equipa na Serie A (está a três pontos dos lugares de Champions e chegou a ser líder em outubro), as mais recentes informações referem que é o treinador quem tem a posição mais fragilizada.