Gabri Veiga, médio espanhol do FC Porto
Gabri Veiga, médio espanhol do FC Porto - Foto: IMAGO

Gabri Veiga aborda futuro no FC Porto: «Sinto-me um pouco português...»

Médio espanhol recordou a chegada ao clube com Anselmi, elogiou Farioli e Villas-Boas, comentando também o interesse do Atlético Madrid em janeiro e o passado na Arábia Saudita

Após uma época excecional no FC Porto, coroada com o título de campeão nacional e os melhores números da sua carreira - 47 jogos, 6 golos e 12 assistências -, Gabri Veiga garantiu que evoluiu como futebolista e não se arrepende da sua passagem pela Arábia Saudita, até pelo contrário. O médio espanhol, em entrevista ao jornal AS, fez um balanço do seu fantástico ano nos dragões.

Veiga considera que a chave para o sucesso da equipa foi a mentalidade com que os reforços chegaram e a rápida adaptação ao clube. «Vínhamos de um ano complicado, sem cumprir objetivos, e o presidente tomou uma atitude ao mudar o treinador», explicou, elogiando a coragem da decisão. «O que me surpreendeu foi adaptarmo-nos tão rápido e conectarmo-nos tão bem com o que significa o FC Porto

Apesar de uma chegada difícil, a tempo do Mundial de Clubes, e da posterior mudança de treinador, o jogador admite que tudo acabou por correr bem. «Com a mudança de treinador tive algumas dúvidas, porque vens para um estilo e muda tudo, mas no final foi para melhor», confessou.

Sobre o técnico Farioli, Veiga descreve-o como «muito metódico», destacando a sua importância na organização da equipa. «Taticamente, parece-me de topo. Sou um jogador que gosta de entender o jogo e nisso ele ajudou-me muito», afirmou, revelando que o treinador lhe pede «muito percurso, muita chegada» e liberdade, mas com um foco crucial no trabalho sem bola, como a pressão e os equilíbrios defensivos.

Passado na Arábia Saudita

Esta foi a sua melhor temporada em termos estatísticos, algo que vê como uma resposta às críticas que recebeu pela sua ida para a Arábia Saudita. «Sou melhor jogador agora do que quando cheguei no verão», sublinha, acrescentando que, apesar de querer mais golos, está satisfeito com os seus números.

O médio espanhol defende convictamente a sua decisão de rumar ao futebol saudita, afirmando que faltou empatia na forma como foi julgado. «Só a minha família e o meu representante sabem o que aconteceu naquele verão. Tomei a melhor decisão, goste-se ou não. Se estivesse novamente nessa posição, voltaria a fazê-lo. Não tenho nenhum arrependimento», declarou de forma categórica. A sua passagem pelo Al Ahli não foi «de férias», tendo jogado ao lado de «grandes jogadores» e tido um «grande treinador», numa «experiência de topo que muitos gostariam de viver».

Jorge Costa e... Varandas

A união do balneário foi, para Veiga, o segredo da regularidade da equipa ao longo de uma época marcada por adversidades, como o falecimento do diretor desportivo Jorge Costa. «O que aconteceu com o Jorge Costa foi algo traumático. Foi o clique para dizer: tem de ser esta temporada», revelou. A força do grupo ficou evidente quando, após a única derrota no campeonato, contra o Casa Pia, se juntaram para um almoço para evitar que a equipa entrasse numa fase negativa.

Questionado sobre a intensidade dos clássicos em Portugal, com polémicas envolvendo Sporting e Benfica, Gabri Veiga mostrou apreciar o ambiente. «Aqui vivem-no muito. Sinceramente, eu gosto. Desde que haja respeito, o que por vezes acho que não houve», atirou, parecendo referir-se às palavras do presidente leonino, Frederico Varandas, às quais abordou na festa do título.

Seleção espanhola

O jogador do FC Porto aborda a ausência da pré-convocatória da seleção espanhola, o interesse do Atlético Madrid em janeiro e o seu futuro, afirmando sentir uma forte ligação ao clube azul e branco.

Apesar de não ter sido incluído na pré-lista do selecionador espanhol, Luis de la Fuente, o jogador do FC Porto garante não estar incomodado, mantendo o foco total no seu clube. «Sou um jogador muito focado no que acontece no clube. Sou jogador do FC Porto», afirmou, reconhecendo o elevado nível da seleção espanhola. «Há muito nível na seleção e tenho de continuar a melhorar. Se o selecionador me vir preparado, estarei lá com a máxima vontade», acrescentou, resignado. «Sabia que teria de me esforçar muito para ir, porque o bilhete está muito caro. Mas vou apoiar a partir de casa, temos uma grande seleção», afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de ser chamado como reserva para o particular contra o Iraque, o atleta considerou a ideia «estranha». «É algo novo... não sei o que dizer. Claro que teria todo o gosto em ir à seleção, fosse de que maneira fosse. Mas, obviamente, se sabes que depois não vais ficar, é um pouco estranho», admitiu.

Interesse do Atlético Madrid

Em janeiro, o seu nome foi associado a um regresso a Espanha, pela mão do Atlético Madrid. O jogador confessou que o interesse de um clube dessa dimensão foi motivo de entusiasmo. «Sim, na verdade, sempre que um grande clube como o Atlético te liga, ficas muito entusiasmado. É o teu país, é uma grande equipa que luta por títulos», revelou. Contudo, a transferência não se concretizou. «No final... não foi possível, estou muito feliz aqui e o futuro nunca se sabe», explicou.

O jogador recordou a sua ida para a Arábia Saudita como um exemplo da imprevisibilidade da sua carreira, afirmando que «não se fechou nenhuma porta». No entanto, o seu presente é no Dragão, onde se sagrou recentemente campeão. «Agora estou aqui, acabo de ser campeão e sinto uma ligação muito importante com o clube. Sinto-me um pouco português, para ser sincero», disse, entre risos, aludindo à proximidade com a Galiza.

Sobre o mercado de verão, o atleta prefere não fazer planos. «A primeira chamada será da minha mulher para irmos de lua de mel», brincou. «A verdade é que não estou a pensar nisso. Quero terminar a época, ver se consigo melhorar os meus números, celebrar o título pela cidade e depois Deus dirá».

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