FC Porto: bandeira no Museu, o 2 eternizado em campo e o plano para Diogo Costa
A fechar uma época em que, após o falecimento de Jorge Costa, foi decidido que a mítica camisola 2 do FC Porto não teria dono, André Villas-Boas deu, anteontem, uma novidade em primeira mão. «Fiz um desafio que espero que o Diogo Costa aceite para o próximo ano, que é envergar a camisola número 2 do FC Porto. Seria uma honra enorme para nós e para todos os adeptos do FC Porto também. É um desejo que lhe transmiti e, para que isso aconteça, ele tem que estar no clube para o ano», revelou o presidente dos dragões, à margem do jantar com deputados portistas na Assembleia da República. Um repto carregado de simbolismo e dirigido, por esse mesmo motivo, ao atual capitão dos azuis e brancos, um dos jogadores que sentiu de forma mais dolorosa, pela ligação de ambos ao clube azul e branco, a trágica partida do 'Bicho', a 5 de agosto do ano passado.
O desafio lançado por Villas-Boas tocou particularmente o dono da baliza portista, que ficou sensibilizado com as palavras do dirigente máximo e com esta espécie de sinal de tremenda confiança, que vem reforçar ainda mais o estatuto de símbolo do FC Porto no presente. Levanta-se, assim, a forte possibilidade de Diogo Costa aceitar dar continuidade e transportar para dentro de campo o vasto legado do número 2, algo que, de resto, foi idealizado por AVB quando fazer a proposta ao internacional português. Isto numa altura em que, sabe A BOLA, a bandeira de Jorge Costa, que desceu da bancada até ao relvado do Dragão a 2 de maio, durante as celebrações do 31.º título, será retirada para o Museu do FC Porto.
Confirmando-se a troca de número, Diogo deixará de usar outro dorsal que muito lhe diz: o mesmo 99 que Vítor Baía, ídolo do guardião, envergou a partir do momento em que voltou ao FC Porto, após a passagem pelo Barcelona. Mas, a julgar pela ligação a Jorge Costa e as homenagens feitas ao 'Bicho' na primeira ronda de festejos, o capitão dos dragões abraçará com orgulho o manto de responsabilidade que vestir a mítica 2 acarreta.
Peça-chave para segurar no núcleo duro
Tal como Villas-Boas também frisou, para assumir a camisola 2 Diogo Costa terá, também, de manter o compromisso com o clube do coração, que representa desde criança. O líder do FC Porto foi perentório ao afirmar que o (ainda) 99 é um dos ativos que a SAD pretende manter em 2026/27, mas, após uma época de alto nível e com a titularidade no Mundial assegurada, ao serviço da Seleção Nacional, é de esperar que os tubarões da Europa e emblemas endinheirados voltem a virar atenções para o guardião de 26 anos, ainda que nesta fase não haja, à primeira vista, um colosso com a baliza em aberto.
Aí, entra em cena a cláusula de rescisão do jogador, fixada em 60 milhões de euros desde a renovação assinada em dezembro último. Uma vez que a estrutura azul e branca não equaciona perder Diogo, apenas uma proposta que chegue ao valor da blindagem — ou muito perto disso... — poderá interferir nos planos do FC Porto. O que, de certa forma, fornece algum conforto, uma vez que ainda se trata de uma verba elevada, em especial por dizer respeito a um guarda-redes. Ainda assim, é preciso ter sempre em conta o caráter imprevisível do mercado de verão, ainda mais em ano de Mundial.
Diogo Costa, tem, naturalmente, as suas ambições para o futuro, mas também já afirmou que «seria um homem feliz» se terminasse a carreira no FC Porto. O capitão dos dragões é uma das peças-chave do modelo de jogo de Francesco Farioli e tudo indica que assim continuará a ser na próxima temporada, que vai marcar o regresso do campeão nacional à UEFA Champions League. E esse também é um fator que alicia Diogo a continuar firme no Dragão. Provavelmente, com o número 2 nas costas...