A polícia de choque avança sobre os manifestantes durante uma concentração pelo direito à habitação,  em Lisboa, Portugal - foto 
EPA/MANUEL DE ALMEIDA
A polícia de choque avança sobre os manifestantes durante uma concentração pelo direito à habitação, em Lisboa, Portugal - foto EPA/MANUEL DE ALMEIDA

Acampadas: intervenção policial resulta em 13 detidos, 13 agentes feridos e um deles mostrou arma

Polícia avançou sobre os manifestantes em Lisboa e Porto ao mesmo tempo, às 4h30; organização fala em 38 feridos no Porto

As manifestações pelo direito à habitação realizadas em Lisboa e no Porto, na última noite, culminaram na detenção de 13 pessoas e provocaram ferimentos em 13 agentes da autoridade. O balanço foi apresentado pelo porta-voz da PSP, Sérgio Soares, que confirmou ainda que um elemento policial à paisana, num grupo de 4 que, disse, estava a sofrer agressões, empunhou a arma de fogo durante os incidentes no Porto.

De acordo com os dados avançados pela força de segurança na sua sede, em Lisboa, as detenções dividiram-se entre seis detidos em Lisboa e sete no Porto. No que diz respeito aos feridos - sem nota de números entre os manifestantes - o registo incidiu na totalidade na cidade nortenha, atingindo dez operacionais do corpo de intervenção e três elementos de uma unidade à civil. Foi precisamente nessa comitiva à paisana que um quarto agente puxou da arma de fogo perante a aproximação de manifestantes.

Os detidos foram libertados ao início da manhã e segunda-feira serão presentes a tribunal.

«Premeditação para o contacto físico com os polícias»

A justificação para a intervenção e o consequente recurso à força assentou, segundo o porta-voz, na crescente resistência dos participantes, no arremesso de tintas e de petardos contra os agentes, bem como na utilização de uma faixa em Lisboa que impedia a progressão policial. A polícia sublinhou ainda que as concentrações afetavam o direito ao descanso, a liberdade de circulação e o exercício da atividade jornalística.

«Tivemos de mais uma vez, lamentavelmente, de intervir em ambos os locais. Pelas 4h30, desenvolvemos uma operação coordenada e simultânea nas duas cidades, Lisboa e Porto, no sentido de retirar os manifestantes daqueles locais», começou por dizer o subintendente Sérgio Soares. «Lembrando que a PSP respeita, garante e assegura o direito de reunião e de manifestação, há aqui alguns limites e foi nesse sentido que interviemos, mais uma vez, apesar de todos os nossos esforços para que isso não acontecesse», continuou, falando numa «resistência muito ativa». «Isso obrigou-nos a usar a força. Tentámos ao máximo evitar usar a força de forma de extrema, nomeadamente com o uso de bastão, o que em algumas situações não foi possível e portanto tivemos obrigação, para conseguir levar os nossos intentos por diante, de usar em situações muito cirúrgicas depois do arremesso de vários objetos, nomeadamente: artigos de pirotecnia, garrafas, tinta tinta essa que tem, suspeitamos, um produto inflamável, o que mostra uma premeditação para o contacto físico com os polícias. Por isso, nesse sentido tivemos de usar a força», referiu.

Em resultado dessa intervenção houve então os 13 detidos e a apreensão de 99 estruturas de acampamento - 69 em Lisboa e 30 no Porto. Sérgio Soatres explicou melhor os feridos dentro das forças de autoridade: «Para além disso temos 13 polícias feridos - 10 polícias do corpo de intervenção e 3 polícias que se encontravam à civil, numa equipa composta por quatro polícias na Avenida dos Aliados, no Porto, que foi detetada por manifestantes e agredida. Esses polícias estão no hospital a receber tratamento, tendo o quarto elemento dessa equipa feito recurso passivo da sua arma de fogo, que não chegou a ser utilizada, apenas foi exibida como meio dissuasor para evitar que o polícia fosse agredido.»

Relativamente ao horário da ação policial, que ocorreu mais tarde face à semana anterior, a PSP esclareceu que o atraso se deveu a um processo de mediação mais prolongado. Esse diálogo foi motivado pela presença de deputados na concentração de Lisboa, designadamente Pedro Delgado Alves, do PS, e Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto, ambos do Livre, e também Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, que partilhou alguns vídeos.

Segundo um porta-voz da Acampada de Lisboa, os promotores contabilizaram pelo menos seis feridos, três dos quais terão sido hospitalizados no Hospital de São José, mas também no Porto houve feridos. Segundo a organização, num balanço preliminar, resultaram 35 feridos ligeiros e três graves da carga policial sobre os manifestantes, além de sete detidos, confirmados por um dos advogados do movimento, Tiago Machado.

Presidente pede informações

O Presidente da República solicitou informações «com todo o detalhe» ao Governo e Provedoria de Justiça, sobre o que se passou nesta madrugada nas manifestações pela habitação em Lisboa e Porto e sobre a situação dos detidos e feridos. De acordo com a agência Lusa, António José Seguro «solicitou informações e esclarecimentos, com todo o detalhe, sobre o que se viveu esta madrugada nas manifestações em Lisboa e Porto e o que está a passar-se com os manifestantes detidos e com todas as pessoas feridas».

(em atualização)

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