Flamengo: Jardim estreia-se a ganhar 4 dias depois de chegar e dedica título a Filipe Luís
Leonardo Jardim conquistou o Campeonato Carioca na sua estreia pelo Flamengo, apenas quatro dias após assumir o comando técnico. Venceu o Fluminense por 5-4 nos penáltis, depois de um nulo no tempo regulamentar, garantindo o seu primeiro troféu no Brasil.
Na conferência de imprensa após o jogo, Jardim fez questão de partilhar o mérito da conquista com o seu antecessor, Filipe Luís, que havia sido demitido durante a semana.
«É muito bom ganhar um título no Brasil, algo que ainda não tinha acontecido comigo na carreira. (...) Um grande abraço ao Filipe (Luís), porque ele construiu esta equipa, apesar de ter saído», afirmou o técnico, que no ano passado orientou o Cruzeiro.
O treinador português destacou a colaboração que recebeu desde a sua chegada, num contexto de pressão devido à saída de Filipe Luís e à instabilidade em torno do diretor de futebol, o também português José Boto.
«Com quatro dias, tive uma colaboração muito grande de todo o staff do Flamengo e também dos jogadores, que estiveram totalmente ligados e abertos», explicou. «Quem trabalha no Flamengo tem que jogar para ganhar», disse.
Sobre a estratégia para a final, Jardim revelou que o foco foi a consistência defensiva. «Procurei que conseguíssemos anular melhor o Fluminense, principalmente em comparação aos últimos jogos. Fomos consistentes na defesa. No processo ofensivo, tivemos ainda algumas dificuldades», analisou, mostrando-se satisfeito com a atitude da equipa.
Plantel e rotação
Questionado sobre a gestão do plantel, o técnico sublinhou a importância de ter várias opções de qualidade, como Paquetá e Arrascaeta, para fazer face a uma época que pode chegar aos 78 jogos.
«Temos que ter dois jogadores por posição. Não acredito que o Flamengo seja uma equipa com 11 jogadores. Feliz o treinador que tem dois jogadores dessa qualidade», comentou, referindo a necessidade de gerir o esforço para evitar lesões.
Jardim, que já conhecia a intensidade do calendário brasileiro, defende a rotação do plantel como essencial. «Sei dessa carga que existe aqui no Brasil. Por isso a importância de o Flamengo ter um grupo que permite a rotação de forma a não termos lesões e sermos competitivos em todos os jogos», concluiu.
A gestão do plantel e a necessidade de reforços
O técnico destacou a exigência física no clube, afirmando que «no Flamengo tem que se jogar sempre no máximo» e que o clube «exige manter uma equipa sempre vitoriosa». Esta necessidade de rendimento constante leva a um grande desgaste, o que justifica a procura por novas soluções para o plantel.
A possibilidade de contratar um novo jogador foi admitida para evitar futuras adaptações. «Se, no futuro, conseguirmos trazer um jogador que nos permita não mais fazer adaptações, vamos fazê-lo», explicou, mencionando o cansaço do avançado Pedro: «Quando falei na segunda parte, já estava com fadiga muscular». O treinador elogiou a atitude e o empenho do jogador, mas reconheceu as limitações físicas.
Questionado sobre a dupla Samuel Lino e Cebolinha, o treinador mostrou-se satisfeito com as opções que tem para a ala. «Estou feliz por ter os dois. O Cebolinha entrou no lugar do Lino e manteve a intensidade», afirmou. O técnico destacou a importância dos extremos no seu sistema, que têm de «defender e atacar», e valorizou a competição interna: «No futuro o Cebolinha vai ser titular e o Lino vai entrar... Temos essa capacidade e satisfação de ter esses dois pontas». Já sobre a situação contratual de Cebolinha, cujo vínculo termina no final do ano, remeteu o assunto para a direção.