Fim de uma era à vista na Champions após um quarto de século
A bola da Liga dos Campeões poderá ter um novo visual em breve, uma vez que a UEFA está a ponderar abrir o concurso para o fornecimento da bola oficial das suas competições masculinas de clubes a partir da época 2027/28. A Adidas, que detém o contrato desde 2001, enfrenta agora a concorrência de outras marcas de topo.
A decisão de abrir um concurso surge do desejo da UEFA e da European Club Association (ECA), através da sua parceria conjunta UC3 e Relevent Football Partners, de maximizar as receitas e explorar o interesse do mercado. Fontes próximas do processo, que pediram anonimato, confirmaram que várias empresas já manifestaram interesse, incluindo as gigantes Nike e Puma, que pretendem desafiar o domínio da Adidas.
Recorde-se que a Adidas é a fornecedora oficial da bola da Liga dos Campeões desde 2001, quando assumiu o contrato que pertencia à Nike. Atualmente, a marca alemã fornece também as bolas para o Campeonato da Europa e para o Mundial da FIFA. Já nas outras competições europeias, a Liga Europa e a Liga Conferência, as bolas são fornecidas pela retalhista francesa Decathlon desde 2024. Ambos os contratos expiram no final da temporada 2026/27.
A Liga dos Campeões é amplamente reconhecida como a competição de clubes mais popular do mundo, tendo alcançado uma audiência global de 1,18 mil milhões de pessoas na época passada, segundo o relatório anual da UEFA.
A possibilidade de mudança é real, especialmente considerando o historial recente da UC3 e da Relevent em terminar parcerias de longa data. Um exemplo notório foi a substituição da Heineken, patrocinadora de cerveja desde 1994, pela Anheuser-Busch InBev (AB InBev) a partir de 2027. A AB InBev terá oferecido 200 milhões de euros por ano, um aumento de 66% em relação ao acordo anterior com a Heineken.
Da mesma forma, a Pepsi viu-se obrigada a mais do que duplicar o valor do seu patrocínio para abranger as três competições de clubes, após a UEFA ter negociado com marcas rivais. Esta abordagem sugere que a organização estará disposta a aceitar a melhor oferta financeira para o fornecimento das bolas.
Fontes indicam que a UEFA está aberta a negociar os direitos em conjunto para as três competições (Liga dos Campeões, Liga Europa e Liga Conferência) ou separadamente, dependendo do que for mais vantajoso. No total, são 531 jogos por época que servem de montra para as marcas.
A Puma, em particular, tem vindo a ganhar terreno no mercado. Recentemente, garantiu o contrato para a bola da Premier League, que pertencia à Nike desde a época 2000/01. A marca alemã também fornece as bolas da LaLiga desde 2019/20 e da Serie A desde 2022/23, além de ter sido a escolhida para a Copa América 2024, quebrando um domínio de duas décadas da Nike na competição sul-americana.
A Adidas, a Nike e a Puma foram contactadas para comentar, mas não se pronunciaram sobre o assunto.
Numa entrevista concedida ao The Athletic em 2024, Carlos Laje, diretor-geral da Puma para a América Latina, destacou a importância estratégica da bola para a marca. Embora a empresa continue a procurar acordos com estrelas e equipas, Laje sublinhou que a bola garante uma presença constante e relevante em todos os jogos.
«A bola é uma forma de estar em todos os jogos, porque a bola é o objeto de desejo dos adeptos e dos jogadores. Podemos ser o centro das atenções sem a necessidade de andar país por país a escolher peças, jogadores e equipas», afirmou.