Filipe Martins e o Casa Pia-Sporting: «Sem a expulsão, dificilmente perderíamos»
Corria a temporada de 2022/23 e, após um longo interregno de 83 anos, o Casa Pia confirmava o aguardado regresso ao escalão principal do futebol português.
A 4 de abril de 2023, um tranquilo conjunto casapiano recebeu o Sporting na 27.ª jornada da Liga. Sem condições no mítico Estádio Pina Manique para acolher jogos da I Liga, o duelo realizou-se no Estádio Nacional.
A história tinha paralelo distante: em 1938/39, a receção aos leões disputou-se no Campo do Restelo, a primeira casa dos gansos, com vitória leonina por 4-2. Mais de oito décadas depois, em 2022/23, novo triunfo verde e branco por números quase idênticos: 4-3 a favor da equipa então comandada por Ruben Amorim. A linha temporal avançara a passos largos, mas o marcador parecia ter ficado congelado no tempo.
Filipe Martins, técnico dos lisboetas nessa época, recorda a A BOLA os pormenores desse duelo. «Foi uma partida muito bem conseguida da nossa parte. Entrámos praticamente a perder devido a um golo do Trincão, mas respondemos sempre bem. O Sporting sentiu imensas dificuldades, esteve por três vezes em vantagem e conseguimos anular sempre a desvantagem. Aliás, julgo que sem a expulsão do Felippe Cardoso dificilmente teríamos saído derrotados. O golo decisivo deles surgiu apenas a cinco minutos do fim», sublinha.
Para o treinador, além do cartão vermelho, houve outra figura determinante: «O Trincão vivia um excelente momento de forma e assinou um hat-trick.» O outro golo verde e branco pertenceu a Pedro Gonçalves, ao passo que, do lado casapiano, o próprio Felippe Cardoso, Rafael Martins e Yuki Soma fizeram balançar as redes da baliza de Adán.
Na memória de Filipe Martins permanece viva também a partida da época seguinte (2023/24): «Dessa vez, já em Rio Maior, voltámos a causar grandes embaraços ao Sporting. Venceram por 2-1, mas ficou na retina aquele célebre erro do VAR que validou o golo ao Paulinho em posição de fora de jogo. Foi um lance que nos prejudicou claramente, mas a resposta em campo foi muito positiva.»
Atualmente com 48 anos e a aproveitar uma pausa competitiva para reformular a equipa técnica e regressar com novas competências, Filipe Martins assume que o Casa Pia «continua a ter um lugar especial» no seu trajeto. E deixa um desejo para o futuro do clube: «Gostava de vê-los de volta a Pina Manique, um palco com uma mística singular. O apoio dos adeptos seria ainda mais determinante.»
Lançando o olhar sobre o duelo de amanhã, o treinador antevê uma equipa casapiana consolidada e capaz de «voltar a criar problemas» ao leão.