Seleção do Irão foi uma das primeiras a qualificar-se para o Mundial 2026
Seleção do Irão foi uma das primeiras a qualificar-se para o Mundial 2026

FIFA reage à sugestão de substituir o Irão pela Itália no Mundial

BBC garante que organização recusa troca e não tem planos

A FIFA não tem planos para substituir o Irão pela Itália no Mundial deste verão, apesar da proposta ter sido avançada pelo enviado especial do presidente dos EUA, Donald Trump.

A BBC cita esta quinta-feira fontes do organismo para garantir que a troca não está a ser avaliada e que, tal como o presidente Infantino já disse anteriormente, a FIFA quer ver o Irão - uma das primeiras nações a qualificar-se para a competição que vai decorrer nos EUA, Canadá e México - no Mundial. A participação do Irão no torneio, que arranca a 11 de junho, tem sido marcada pela incerteza devido à guerra com os EUA e Israel.

A sugestão de troca foi feita por Paolo Zampolli, enviado especial dos EUA, em declarações ao Financial Times. «Confirmo que sugeri a Trump e a Infantino que a Itália substituísse o Irão no Campeonato do Mundo», afirmou. «Sou italiano de nascença e seria um sonho ver os azzurri num torneio organizado pelos EUA. Com quatro títulos, eles têm o pedigree para justificar a inclusão», acrescentou.

Vale lembrar que a Itália falhou a qualificação para o Mundial pela terceira vez consecutiva, após uma surpreendente derrota nos penáltis contra a Bósnia, no play-off de apuramento, em março.

A FIFA não comentou oficialmente a proposta, mas remeteu para uma declaração do seu presidente, Gianni Infantino, na semana passada, na qual garantia: «A equipa iraniana virá, com certeza.»

Apesar da incerteza, o porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, afirmou na quarta-feira, segundo a Al Jazeera, que o Irão está «totalmente preparado» para participar no torneio. Já em março, o próprio Infantino, após uma visita à equipa iraniana na Turquia, confirmou que os jogos se realizariam nos EUA, conforme planeado, contrariando a intenção da federação iraniana de «negociar» com a FIFA a deslocalização dos jogos para o México.

O Irão tem agendados jogos contra a Nova Zelândia e a Bélgica em Los Angeles, a 15 e 21 de junho, respetivamente, e contra o Egito em Seattle, a 26 de junho.

Na semana passada, em Washington, Infantino defendeu a separação entre desporto e política. «Esperamos que, até lá, a situação seja pacífica. Isso ajudaria definitivamente. Mas o Irão tem de vir se quiser representar o seu povo. Eles qualificaram-se e, na verdade, são uma equipa bastante boa. Eles querem mesmo jogar e devem jogar. O desporto deve estar à margem da política», declarou.

De acordo com os regulamentos da FIFA, o organismo que rege o futebol mundial tem «poder discricionário exclusivo» sobre o que acontece se uma equipa se retirar ou for excluída da competição, podendo, segundo o artigo sexto, «decidir substituir a Associação Membro Participante em questão por outra associação».

Segundo o Financial Times, o plano de Zampolli foi também sugerido para apaziguar as relações entre os EUA e a Itália, depois de a primeira-ministra Giorgia Meloni ter criticado Trump pelos seus comentários sobre o Papa Leão XIV.