«Ficávamos apaixonados a ouvi-lo»: Cláudio Ramos abre o coração sobre Jorge Costa
Cláudio Ramos abriu o coração na entrevista aos canais do FC Porto ao recordar Jorge Costa, lendário capitão e diretor do futebol profissional dos dragões, falecido em agosto passado, sublinhando o impacto humano e emocional que a sua perda deixou no balneário azul e branco. O guarda-redes descreveu-o como a personificação do que é ser jogador à Porto, um líder simples e humilde, mas com uma presença inesquecível no dia a dia da equipa.
«O Jorge, além de toda a história que tem no FC Porto e do legado que nos deixou sobre o que é ser jogador à Porto, o que é ter liderança e representar este clube e esta cidade, era alguém de quem eu gostava de estar sempre perto. Adoro sentar-me à mesa com pessoas dessa geração e ficar uma tarde inteira a ouvir histórias, e o Jorge era exatamente isso: tu sentavas-te e ficavas apaixonado por aquilo que ele dizia», contou Cláudio Ramos, lembrando um homem que ganhou praticamente tudo com a camisola azul e branca, mas que nunca perdeu a simplicidade.
Jorge Costa tinha aquele cheiro de balneário, aquelas sensações que mais ninguém tem porque ninguém viveu o que ele viveu. Chegava e dizia: ‘Hoje não estou a sentir o treino’ ou percebia logo se havia alguma coisa no grupo.
O guardião sublinhou ainda a forma única como Jorge Costa lia o balneário. «Ele tinha aquele cheiro de balneário, aquelas sensações que mais ninguém tem porque ninguém viveu o que ele viveu. Chegava e dizia: ‘Hoje não estou a sentir o treino’ ou percebia logo se havia alguma coisa no grupo. As experiências que ele tinha, ninguém mais as tinha, e é uma pessoa que nos faz muita falta diariamente», afirmou, destacando a liderança silenciosa e a capacidade de antecipar estados de espírito dentro da equipa.
Cláudio Ramos não esqueceu também o contexto difícil que marcou o último ano de vida do antigo capitão, em plena mudança diretiva no clube, com críticas e acusações que, garante, não espelhavam a verdadeira natureza de Jorge Costa. «O Jorge adorava toda a gente, não tinha inimigos, não tinha maldade. Sofreu muito no último ano, com toda a envolvência e o processo de mudança, mas continuou sempre igual, sempre presente, sempre Porto», reforçou, numa mensagem de defesa da memória do ex-diretor.
O Jorge adorava toda a gente, não tinha inimigos, não tinha maldade. Sofreu muito no último ano, com toda a envolvência e o processo de mudança, mas continuou sempre igual, sempre presente, sempre Porto. Quero muito que, no fim, nos Aliados, possamos levantar a taça por ele, para o Jorge e para a família dele, porque eles merecem
Por fim, o guarda-redes deixou um desejo que é também uma promessa ao eterno capitão. «Este ano temos uma oportunidade grande, em maio, de o recordar como ele merece e de lhe darmos uma alegria onde ele estiver. Quero muito que, no fim, nos Aliados, possamos levantar a taça por ele, para o Jorge e para a família dele, porque eles merecem. O Jorge, acima de tudo, merece muito da nossa parte», vincou Cláudio Ramos, ecoando o compromisso de um balneário que continua a olhar para Jorge Costa como referência de coragem, entrega e amor à camisola.