Federação russa contesta manutenção da exclusão de atletas pela World Athletics
A Federação Russa de Atletismo (RAF) recorreu esta quinta-feira para o Tribunal Arbitral do Desporto (CAS) da decisão da World Athletics (WA) de manter russos e bielorrussos excluídos das competições internacionais, em vigor desde a invasão da Ucrânia em 2022. «O recurso foi interposto dentro do prazo de cinco dias estipulado pelos estatutos da WA, garantindo o cumprimento de todos os requisitos processuais», informou a RAF, em comunicado.
A 3 de julho, a WA anunciou que iria manter a sua política de exclusão de atletas, representantes e treinadores russos e bielorrussos das competições, que já tinha sido reavaliada em 2023, 2025 e março de 2026. «A RAF contratou advogados internacionais experientes, especializados em direito desportivo, inclusive com atuação no CAS, para representá-la no processo de arbitragem», notou o organismo regulador do atletismo russo.
A WA suspendeu pela primeira vez a RAF em 2015, numa pena extensível por oito anos, após um escândalo de doping patrocinado pelo Estado, mas os atletas russos ficaram elegíveis para competir como Atletas Neutros Autorizados (ANA), situação revertida com a invasão à Ucrânia em 2022. «A RAF observa que a decisão da WA afeta os interesses fundamentais do atletismo na Rússia e restringe o direito dos atletas russos de competir por motivos que consideramos discriminatórios. A RAF continua a procurar todas as medidas legais cabíveis para proteger os interesses dos atletas», concluiu.
Quatro dias depois da decisão da WA, baseada na ausência de avanços nas negociações de paz, o Comité Olímpico Internacional (COI) levantou provisoriamente as restrições aos atletas russos, determinadas em 2023. O COI considerou que o Comité Olímpico Russo (ROC) deixou de incluir como membros quaisquer organizações desportivas regionais em território ucraniano e que a participação de atletas em competições internacionais não deve ser limitada pelo envolvimento do Governo do respetivo país em guerras ou conflitos.
As restrições foram levantadas antes do início das qualificações para os Jogos Olímpicos Los Angeles2028 e permitirão que os atletas russos apurados participem na próxima edição do evento multidesportivo global. Os atletas russos competiram como neutros em Paris2024 e nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina2026, sendo que o COI ainda vai decidir sobre a exibição da bandeira, do hino, das cores ou de quaisquer identificações da Rússia em Los Angeles2028, mas rejeitou organizar eventos na Rússia e convidar autoridades governamentais ou estatais do país para as suas iniciativas.
Dois meses depois do levantamento das restrições aos atletas da Bielorrússia, o COI observou que as federações internacionais têm implementado as suas recomendações sobre a participação de atletas russos «com base nas respetivas realidades e regras dos estatutos». «Variam desde a admissão plena de atletas sem verificações adicionais de elegibilidade e com todos os elementos do protocolo, como bandeira e hino, até uma interpretação rigorosa do estatuto de neutralidade ou a proibição de regresso à competição em qualquer modalidade», explicou.
A Rússia é um dos países mais medalhados em Jogos, mas está privada das suas cores desde 2016, tendo competido com as bandeiras olímpica (2018) e do ROC (2021 e 2022), devido ao escândalo de doping estatal. Em fevereiro de 2022, quatro dias depois do encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim, o exército russo invadiu a Ucrânia com o apoio da Bielorrússia, desencadeando uma série de sanções desportivas.