Deniz Gul, avançado do FC Porto, não marca desde janeiro - Foto: IMAGO
Deniz Gul, avançado do FC Porto, não marca desde janeiro - Foto: IMAGO

FC Porto: pólvora só abastece meio esquadrão de artilharia

Desde a lesão de Samu, apenas três jogadores da frente ofensiva dos dragões picaram o ponto. Pepê e Sainz não marcam desde dezembro, Gul desde janeiro

Moffi, logo no primeiro minuto de jogo, Borja Sainz, aos 7', e Deniz Gul, já aos 70', desperdiçaram oportunidades soberanas de golo, que poderiam ter deixado o FC Porto na frente da eliminatória — e com uma margem confortável... — com o Nottingham Forest, na UEFA Europa League. O jogo dos azuis e brancos não foi perfeito, mas justificava, pelo volume ofensivo criado, a vitória. No entanto, a falta de eficácia na hora de alvejar a baliza inglesa ditou outro desfecho, intensificando a discussão em redor de um tema que vai borbulhando no universo azul e branco: as dificuldades demonstradas por boa parte das opções atacantes dos dragões na finalização.

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Neste parâmetro em particular, não há melhor prova do que os números e esses dizem que, nas seis opções de ataque que Francesco Farioli tem, atualmente, à disposição — Pepê, William Gomes, Pietuszewski, Borja Sainz, Deniz Gul e Terem Moffi —, só três fizeram o gosto ao pé desde que o artilheiro-mor da equipa (Samu, com 20 tentos na conta pessoal) se lesionou, no início de fevereiro. Vamos a contas: nos últimos 11 jogos que disputou, o FC Porto marcou 20 golos, 10 dos quais da autoria de homens da frente; contudo, a distribuição ficou-se... pela metade. William Gomes marcou cinco golos nesse período, Pietuszewski fez três e Moffi picou o ponto em duas ocasiões.

Os outros efetivos do esquadrão de artilharia têm andado de costas voltadas para o golo. Pepê, que tem sido maioritariamente titular, não faz o gosto ao pé desde 18 de dezembro; quatro dias depois, foi a vez de Sainz faturar pela última vez (e em dose dupla), na visita a Alverca. Quanto a Gul, marcou a 22 de janeiro, no empate em Plzen, mas o caso do internacional turco ganha especial relevância se tivermos em conta que lhe coube fazer as vezes de Samu desde a lesão grave do internacional espanhol. Amplamente elogiado por Farioli na presente temporada, o jovem ponta de lança, de 21 anos, dá valências diversificadas ao FC Porto, nomeadamente a nível associativo e na retenção de bola em zonas subidas, mas tem vacilado naquilo que mais se pede a um matador: fazer golos.

Moffi, reforço de inverno, já marcou por duas vezes, é verdade, mas também não sai incólume deste balanço ofensivo da turma azul e branca. O tento de estreia, diante do Arouca, surgiu já em cima do apito final e com o jogo praticamente resolvido. Por outro lado, o internacional nigeriano abriu caminho à primeira de duas vitórias sobre o exigente Estugarda, naquele que pode ser visto como o momento alto da cedência do camisola 29 até ao momento. Ainda assim, Moffi soma cinco encontros seguidos sem faturar e até foi titular em três deles. Anteontem, na receção ao Forest, sentiu o duro julgamento do tribunal do Dragão, não escapando aos assobios, principalmente no momento em que foi substituído: demorou a sair do relvado e os adeptos portistas não perdoaram.

William vai sendo, portanto, a grande exceção à regra. O extremo brasileiro continua a faturar a grande ritmo e já leva 13 golos na época, que fazem dele o segundo melhor marcador do plantel: pica o ponto a cada 139 minutos...