Farioli desafia Conceição: título é o foco e o recorde de pontos a tentação
O FC Porto soma 72 pontos quando ainda faltam disputar sete jornadas da Liga. Se vencer todos os jogos até ao fim, Francesco Farioli entrará na história do clube e da competição como o treinador com mais pontos num campeonato, 93. A marca não é uma obsessão, mas encaixa na perfeição no objetivo maior traçado pelo italiano na época de estreia nos azuis e brancos: recuperar o título nacional, festejado pela última vez em 2021/2022, a temporada mais forte de sempre em termos pontuais.
Nessa época, a equipa treinada por Sérgio Conceição superou a marca anterior de 88 pontos (detida em conjunto pelo FC Porto de 2017/18, também com a assinatura de Conceição, e pelo Benfica de 2015/16, com Rui Vitória) num campeonato disputado a 34 jornadas. O registo final de 91 pontos, alicerçado em 29 vitórias, quatro empates e apenas uma derrota, traduziu-se numa impressionante eficiência de 89,9% dos pontos possíveis.
Quatro anos depois, Francesco Farioli tem diante de si a possibilidade real de escrever um novo capítulo dourado na história azul e branca. A consistência exibida ao longo da temporada, com uma identidade de jogo vincada e capacidade de resposta em momentos de pressão, mesmo quando as exibições não eram tão iluminadas, coloca o FC Porto a um passo de quebrar todas as marcas anteriores.
Aliás, a atual campanha já ficou para a história com a melhor 1.ª volta de sempre na Liga, fruto dos 49 pontos somados em 17 jogos (16 vitórias e apenas 1 empate), sinal claro da regularidade e da eficácia coletiva que o treinador italiano conseguiu incutir. Se mantiver este ritmo nas derradeiras sete jornadas, o conjunto portista poderá atingir os 93 pontos — um valor que ultrapassaria todos os registos da era moderna do futebol português. Mas que não haja equívocos: o treinador, que no Ajax descarrilou na corrida para o título neerlandês justamente nas derradeiras sete jornadas, está ciente de que nada está ainda decidido.
O desafio está, naturalmente, em manter o foco naquilo que é essencial: a reconquista do título nacional, perdido após domínio recente dividido entre Sporting (bicampeão) e Benfica (celebrou o título em 2022/2023). Mas a eventual conquista com recorde absoluto de pontos seria a forma mais simbólica de afirmar o novo ciclo liderado por Farioli (e Villas-Boas), combinando o sucesso imediato com um projeto de futuro.
Em termos de aproveitamento de pontos, o transalpino já não vai conseguir entrar no topo absoluto, por via dos dois empates com o Benfica e Sporting e da derrota em Rio Maior frente ao Casa Pia. Ainda assim, e fazendo o pleno de triunfos, alcançará um registo de cerca de 88 por cento, muito próximo do de Conceição em 2021/22.
No topo da lista de campeões com a melhor taxa de aproveitamento surge o Benfica de 1972/73, com 96,7% dos pontos possíveis. Num campeonato com 30 jornadas, os encarnados somaram 28 vitórias e dois empates, conquistando 58 pontos de 60 possíveis. Esse Benfica, treinado por Jimmy Hagan, assinalou a época de estreia de Bento, que tinha sido contratado ao Barreirense.
O FC Porto surge logo a seguir nesse ranking de rendimento, com dois nomes que vêm quase sempre à baila quando se fala de recordes: Miguel Siska, que em 1939/40, num campeonato com 10 participantes, foi campeão com uma derrota apenas e 17 vitórias (94,4%) e André Villas-Boas, em 2010/11, campeão invicto com três empates numa Liga com 30 equipas (93,3%). Vítor Pereira também ganhou uma Liga sem desaires em 2012/13, alcançando 86,7% de eficácia pontual, por via de seis empates.
Comparativamente a igual período da época passada, o FC Porto de Francesco Farioli soma mais 16 pontos, com mais um golo marcado e menos… 10 sofridos! Outro dado a reter: corridas as 27 jornadas da edição anterior, os azuis e brancos já tinham um atraso de nove pontos para os rivais Sporting e Benfica, e estavam em igualdade com o SC Braga, ambos com 56 pontos.
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