Faltas de respeito, velinha por Suárez e segunda volta extraordinária: tudo o que disse Rui Borges
- Acredita que o SC Braga pode adotar uma postura mais defensiva face ao poderio ofensivo do Sporting, colocando o Leonardo Lelo no lado esquerdo e optando por maior experiência no meio-campo com a inclusão do João Moutinho? E tendo em conta o sistema do Braga num 3x4x3, acredita que a superioridade numérica que o Sporting pode criar no meio-campo e o papel dos extremos, quer no plano defensivo quer ofensivo, pode ser determinante para alcançar a vitória em Braga?
- Antes de mais, acho que o SC Braga não muda a ideia de jogo, independentemente dos jogadores que tiverem em campo ou começarem o jogo. Seja em que posição for, é uma ideia de jogo que quer ter bola, gosta de ter bola, é a equipa com mais posse – perto do Sporting, as duas equipas com mais posse de bola do campeonato. Por isso, identifica bem aquilo que é o jogo do Braga. É uma equipa que gosta de ter bola, que não gosta de a perder, é uma equipa muito forte naquilo que é a reação à perda também no último terço. Por isso, mais do que qualquer jogador, a ideia está lá sempre, eles não mudam. Mudam, sim, algumas características, podem mudar dependendo de quem joga, mas é uma equipa que gosta de ter bola, que gosta de procurar o golo, é uma equipa ofensiva, muito proposta ao jogo ofensivo, que nos vai criar bastantes dificuldades, como nos criou em Alvalade também naquilo que é o seu processo ofensivo. Tiram-nos em alguns momentos ali alguns timings ou alguns gatilhos de pressão pela sua variabilidade posicional também de toda a equipa. É uma equipa com muita variabilidade dentro de campo em termos de posição. É uma equipa que tem muitos golos, dos melhores ataques do nosso campeonato também. Uma equipa que nos últimos dez jogos fez tantos golos como o Sporting. Uma equipa que em casa tem nove golos sofridos, o que identifica também o papel defensivo, como eu disse, a boa reação à perda que têm. Uma equipa que tem muitos penáltis, é sinal que empurra também o adversário para dentro da sua área. Por isso, é uma equipa forte, onde tem a última derrota para o campeonato, penso que em setembro, se não me engano. Por isso, identifica bem aquilo que é o SC Braga.
- A renovação de Trincão deixa-o satisfeito? E Morita, que fez 150 jogos pelo Sporting, uma possível renovação também o deixaria tranquilo?
- Olho para o presente. Em relação ao Francisco [Trincão], fico contente, já o tinha dito noutros momentos também. É um jogador que tem vindo a crescer, um jogador cada vez mais maduro, com uma importância enorme naquilo que têm sido as conquistas do Sporting, aquilo que tem sido a dinâmica da equipa também. Um jogador que disse desde que cheguei aqui que foi dos que mais me impressionou, se não o que mais me impressionou. Dá tudo pela equipa para além daquilo que é a qualidade técnica e a inteligência. É um jogador que está sempre em prol da equipa, um jogador que está sempre ligado e que, como digo, tem vindo a crescer. Faz várias posições, por isso torna o Sporting muito mais forte. Feliz por ele, acima de tudo, e depois por nós, Sporting, de poder continuar a contar por mais anos com o Francisco [Trincão]. Em relação ao Morita, tem muito a ver com aquilo que é a estrutura e muito aquilo que tem a ver com a vontade do jogador. Por isso, o Morita é um jogador de que nós gostamos muito, é outro jogador que eu fiz questão também de frisar quando joguei contra e quando cheguei aqui, que era um jogador que me tinha fascinado. Está num bom momento e no presente é um jogador importante para aquilo que é o Sporting.
- No clássico optou por jogar com Luís Guilherme a titular, Pedro Gonçalves entrou a partir dos 60 minutos. Tendo em conta os elogios que acabou de fazer à equipa do SC Braga, e a pressão agressiva que tem, isso fá-lo pensar diferente a ideia para o jogo de amanhã?
- Não. Tal como o SC Braga, também não mudamos a nossa ideia de jogo, claramente não mudamos. Podemos mudar um ou outro jogador, que isso é natural que possa acontecer, neste ou noutro jogo qualquer, que nos dá coisas diferentes em termos defensivos, em termos ofensivos. Por isso, em relação àquilo que é o jogo ao clássico ou ao SC Braga, equipas diferentes, ideias de jogo diferentes em termos estratégicos, podemos olhar para as coisas de forma diferente, mas nunca fugindo à nossa ideia de jogo, seja em termos ofensivos, seja em termos defensivos. Olhamos sempre para um todo. Vamos defrontar uma boa equipa, muito bem trabalhada e que vamos ter imensas dificuldades. Agora, também dentro daquilo que nós somos, acreditamos que iremos criar dificuldades ao SC Braga.
- Carlos Vicens disse há pouco que o SC Braga partia em vantagem por não ter jogado para a Taça de Portugal a meio da semana. Concorda com a afirmação do treinador do SC Braga?
- Não sei, é muito subjetivo. Claro que têm mais dias de descanso. É possível que estejam com uma energia mais no alto em relação àquilo que é o Sporting, mas da minha parte ou da nossa parte não servirá de desculpa para aquilo que será a intensidade de jogo e aquilo que nós seremos ou não capazes de fazer no jogo perante um SC Braga forte, intenso, como se calhar ele acredita – e bem – que teve mais dias para preparar o jogo, tem os jogadores mais frescos. Agora, a nossa ambição é tanta e a vontade de ganhar é tanta que jamais servirá de desculpa o ter menos dias de descanso para o jogo.
- Após o clássico os presidentes trocaram insultos. Partilha da opinião de Frederico Varandas de que o Sporting, neste momento, põe medo ao líder do campeonato. E também há novas imagens de Luis Suárez a repetir o gesto de roubo, pelo menos três vezes, falou com o jogador?
- Vou ser como o tempo: frio! Já falei o que tinha a falar em relação a esse jogo, não vou estar aqui a comentar claramente depois o discurso do presidente. É o poder máximo do clube, por isso não vou estar aqui a comentar isso. Estou focado apenas e só num jogo, um jogo difícil neste caminho que temos traçado e é nisso que estou focado apenas e só. Suárez? Já falei, já respondi a isso no fim do jogo, já passou, é passado, não vou estar sequer a comentar sobre isso.
- Sabe-se que se o Sporting ganhar amanhã vai, pelo menos, ganhar pontos a um dos rivais que jogam entre si no domingo. Por isso esta é uma das jornadas mais importantes do campeonato?
- Não. Se o Sporting ganhar amanhã, faz o que tem a fazer: a sua parte, que é isso que é importante, é isso que queremos. Sabemos que, tenho dito várias vezes, queremos fazer uma segunda volta melhor do que a primeira, porque a primeira foi boa, mas não chegou. Temos de fazer uma segunda volta extraordinária. Para a fazer, temos de ganhar amanhã. Isso é que eu sei. Mais do que tudo o resto, mais do que o jogo que existe entre os dois rivais... não, temos de fazer a nossa parte e depois perceber qual é a consequência de nós ganharmos. Mais do que tudo o resto. Por isso, se não fizermos a nossa parte não importa absolutamente em nada aquilo que é o resultado dos outros. Sei que temos é um jogo difícil, volto a dizer, contra uma boa equipa onde nos vai criar muitas dificuldades e onde temos de estar no nosso máximo, claramente, durante noventa ou cem minutos, o que for o jogo.
- Debast está apto para defrontar o SC Braga? Recuando novamente ao clássico, o presidente do FC Porto disse que bolas e toalhas que desapareceram no Dragão são palavras do treinador do Sporting que confunde um pouco as coisas. Que comentário lhe merece isso?
- Zero comentários. Não vou dar azo a comentários de quem não me interessa, muito sinceramente. Em relação à primeira pergunta, o Debast pode entrar dentro da convocatória. Já poderia ter entrado no jogo com o Porto, não entrou por opção porque achamos que não está na sua melhor condição física, como é lógico, e optámos por ainda não o incorporar dentro da convocatória. Para o jogo de amanhã, poderá estar dentro dela.
- Em relação ao boletim clínico há alguma novidade? Como está Ioannidis? Olhando para o calendário o Sporting tem pouco tempo de recuperação, por exemplo entre o jogo do SC Braga e o Bodo/Glimt, até tendo em conta a viagem para a Noruega, poderá dar prioridade a alguma competição, por exemplo como aconteceu na época passada devido às lesões, ou se não olha assim para as competições.
- Não, não olho de todo dessa forma. Acho que estamos bem, a equipa está bem. Tivemos aqui uma semana normal, entramos agora aqui nestes três jogos mais seguidos, três ou quatro jogos, mas apesar de tudo – como penso que disse a semana ou antes do jogo passado do FC Porto – jogamos ao quarto dia e dentro daquilo que nós achamos, pensamos que a jogar ao quarto dia conseguimos ter a equipa verdadeiramente capaz para dar resposta. É isso que esperamos e acreditamos muito. Por isso, tal como amanhã para o SC Braga, tal como para o Bodo, jogamos ao quarto dia, acreditamos muito. Claro que temos o desgaste da viagem, mas toda a gente está preparada para jogar. Já fiz muitas mudanças, já não fiz tantas ou não fiz nenhuma. Por isso, tem muito a ver com o momento, com aquilo que é a percepção do momento da equipa, momento da época e depois também a parte estratégica de cada jogo. Agora, não penso que os dias em si não vão mudar em nada aquilo que é pensamento: queremos muito ganhar o jogo de amanhã e queremos muito poder ganhar o jogo no Bodo, porque queremos muito continuar a marcar a sua história, a história do Sporting na Liga dos Campeões também. Ioannidis para já está fora do jogo de amanhã.
- Suárez tem sido muito importante no ataque do Sporting, quase 30 golos, saiu um pouco fustigado do clássico. Tem poucas opções para refrescar o ataque. Ioannidis já disse que está fora do jogo, não conseguirá descansar o colombiano.
- Sim, com a não disponibilidade do Fotis acaba por se sacrificar um bocadinho mais o Luis. Felizmente temos conseguido equilibrar esse esforço com ele, temo-lo conseguido descarregar um pouco nesse sentido de recuperar um pouco a capacidade para jogo. É um jogador que também não é muito dado a lesões, felizmente, e que tem estado muito bem. É um mouro de trabalho, é um bicho. Por isso, nesse sentido, estamos muito tranquilos, meter uma velinha para não se aleijar e bater na madeira. Mas sim, gostávamos muito de ter o Fotis porque achamos que também era um jogador importantíssimo nesta fase também, até para ter esse equilíbrio em termos de desgaste físico do Luis. Mas é o que é e não me vou lamentar. O Luis tem dado resposta e quando não tiver o Luis alguém vai jogar lá e vai dar resposta. Em relação ao Pote, está bem, está a treinar normal. Foi mesmo uma questão ali de gerir ali algum tempo, poderá jogar ou não amanhã de início, logo se verá.
- Que análise faz às jornadas que faltam para o final do campeonato?
- Se queremos fazer uma segunda volta extraordinária, passa por ganhar o jogo de amanhã. A nossa parte temos de fazer. Não adianta dizer 'posso ganhar ou perder pontos se os outros ganharem ou perderem pontos'. A primeira volta já foi boa, mas alguém fez uma primeira volta extraordinária. A nossa ambição é ser primeiro e, para isso, temos de fazer melhor. É difícil? É. Mas queremos muito. E também passa pelo jogo de amanhã. Queremos fazer a tal segunda volta melhor para chegarmos ao fim e dizer 'fizemos uma segunda volta melhor do que a primeira e perceber se fizemos o suficiente para sermos campeões ou não. Mas do outro lado também está uma equipa que se voltar a fazer uma segunda volta extraordinária. Mas, dentro do nosso querer e vontade, passa muito pelo nosso jogo. E dê por onde der, temos de trabalhar muito, sabendo que vamos ter um jogo muito difícil.
- O último jogo que fez com o SC Braga acabou empatado a um golo. Há pouco o treinador do SC Braga disse que, neste momento, é a equipa que tem mais posse de bola no campeonato. Acredita que é o adversário que poderá obrigar o Sporting a fugir mais à identidade de jogo? Para os interesses do Sporting qual o resultado que interessaria mais entre Benfica e FC Porto?
- Ganhar o Sporting, claramente. Em relação à primeira parte, sim, a equipa com mais posse. Nalguns sítios é por décimas, noutro é ela por ela, são as duas equipas com mais posse do campeonato, é certo. Por isso, posso olhar nas duas perspetivas de uma equipa e da outra. Agora, naquilo que foi o jogo em casa, por exemplo, o SC Braga numa segunda parte tem melhor que nós naquilo que era a posse, não nos criou muito perigo, acaba por empatar o jogo num lance individual porque foi um lance de área, penálti, um puxão. É um lance individual onde nós, treinadores, não conseguimos controlar, é um lance individual e de momento, e o jogador tem milésimos de segundo para tomar decisões em alguns momentos. Por isso, acima de tudo são duas equipas que gostam de ter bola, vai ser um bom desafio para ambas. Agora, para nós, Sporting, é respeitarmos quem está do outro lado, percebermos naquilo que eles são bons também e sermos uma equipa muito equilibrada, seja quando estivermos a pressionar, seja quando não conseguirmos pressionar por mérito do adversário. Porque às vezes há mérito do adversário por mais que nós queiramos fazer as coisas bem feitas e que treinamos e que desejamos. Do outro lado está uma equipa com onze jogadores, com um bom treinador, que também consegue fazer coisas boas e consegue ser em alguns momentos melhores do que nós. Por isso, acima de tudo temos de ser uma equipa mentalmente capaz de perceber todos os momentos de jogo, sermos equilibrados, não perdermos esse equilíbrio.