Ex-Benfica recorda saída para a Luz: «Jamais pedi para não jogar»
Lucas Veríssimo, defesa-central de 30 anos, está de volta ao Santos, clube que considera a sua «casa». Apresentado esta terça-feira com a camisola 4, o jogador assinou um contrato válido por três temporadas e recordou a sua conturbada saída para o Benfica em 2021, garantindo que nunca se recusou a jogar pelo clube.
Em conferência de imprensa, o defesa-central abordou o polémico episódio que antecedeu a sua transferência para Portugal, negando ter pedido ao então treinador, Cuca, para não ser utilizado. «Ocorreram várias coisas comigo aqui dentro em termos de propostas e promessas não cumpridas. O adepto tem de entender que jamais pedi para não jogar», afirmou Lucas Veríssimo, referindo-se a um «desentendimento» gerado por compromissos que não foram honrados pela direção da altura.
Apesar de ter recebido propostas de outros clubes, o jogador justificou a sua escolha pelo forte vínculo emocional com o Santos. «É a minha casa. Os meus filhos nasceram aqui, eu cresci aqui. Temos uma história e quero dar-lhe continuidade com títulos», declarou o defesa. Para garantir o regresso do jogador, o Santos investiu quatro milhões de euros por 70% dos direitos económicos, que pertenciam ao Al Duhail, do Qatar. O pagamento será efetuado ao longo de quatro anos, com a primeira prestação agendada para dezembro. Lucas Veríssimo encontrava-se atualmente emprestado ao Al Wakrah, também do Qatar.
«Posso dizer ao adepto que sou o mesmo atleta de antes, mas mais experiente e dedicado. Estou pronto. Estou com ritmo. Houve uma guerra, uma pausa longa, onde continuei a trabalhar. Se depender da vontade, eu estou com muita», prometeu o jogador.
Lucas Veríssimo chega do futebol do Qatar, onde representava o Al Duhail, embora estivesse emprestado ao Al-Wakrah. O jogador revelou que a suspensão das competições devido à guerra na região o obrigou a treinar sozinho em casa, em Doha, até regressar ao Brasil. «Passámos dias complicados, difíceis. Uma situação inusitada que não desejo a ninguém», confessou, acrescentando que o conflito foi «um ponto a mais» para querer regressar.
De regresso ao Santos, o jogador manifestou a sua felicidade por voltar a um clube onde tem as suas raízes e onde pretende ajudar a equipa a lutar novamente por títulos. O atleta destacou ainda a importância de estar com a família, em segurança, após o período de guerra que viveu.
Com a presença do ídolo Alex, Lucas Veríssimo é apresentado na Vila Belmiro! ⚪⚫ pic.twitter.com/3jRJVYIu3w
— Santos FC (@SantosFC) March 17, 2026
«Estou muito feliz por estar de volta a casa. Temos raízes aqui. Os meus filhos nasceram aqui, os avós estão aqui. É muito bom», afirmou, revelando que o desejo de regressar aumentou após a guerra. «Quero reeditar tudo o que fiz antes e ser feliz aqui dentro como fui antes. Estou muito feliz por estar aqui com a minha família, a salvo, e no Santos», acrescentou.
O principal objetivo na carreira, neste momento, é claro: «Primeiro é jogar no Santos, fazer um bom papel e depois as coisas acontecem. Tem que se pensar em ajudar o Santos». O jogador recordou os tempos em que o clube lutava por troféus e expressou o desejo de ver a equipa novamente nesse patamar. «O Santos vem de anos em que não tem estado tão bem e não está acostumado. Quando estava aqui, nos anos anteriores, o Santos sempre lutou por títulos. Acho que é isso, é voltar a lutar lá em cima e as coisas vão acontecendo».
Sobre a sua condição física, o atleta assegurou estar no mesmo nível ou até melhor do que antes de uma lesão ligamentar que sofreu no passado, apesar da falta de minutos no Benfica. «Não consegui ter muitos minutos no Benfica, mas voltei bem e, de lá para cá, fisicamente, se não estou melhor, estou no mesmo nível», garantiu, explicando que a lesão o motivou a trabalhar para regressar mais forte.
O jogador também comparou os diferentes estilos de futebol que experienciou, descrevendo o futebol em Portugal como muito tático, o do Catar como focado no contra-ataque e o brasileiro como «bem jogado», desde que as condições do relvado o permitam. «Acho que cada um tem o seu perfil. Tive num clube grande em Portugal. Equipas menores jogavam fechadas e nós só atacávamos. Contra equipa grandes a postura mudava. Em Portugal é assim. No Qatar é mais contra-ataque e correria. O futebol brasileiro é bem jogado, se tiver um relvado bom. A Vila Belmiro estava com um relvado em condições que nunca vi aqui dentro. Isso é um ponto essencial no futebol», sublinhou.
Por fim, deixou uma mensagem aos jovens talentos do clube, elogiando a sua mentalidade e aconselhando-os a manter o foco. «Já pude treinar com eles. Vejo que têm boa cabeça. Isso é o principal. Ter paciência, trabalhar e ser resiliente. A mensagem é continuar a trabalhar que, quando surgir a oportunidade, eles vão agarrá-la porque são defesas brilhantes.»