Ex-Benfica recorda «pressão sufocante» e «três olhos» de Jorge Jesus na Luz
Helton Leite recordou quatro temporadas e meia no futebol português, ao serviço do Boavista e do Benfica, em entrevista à Liga Portugal. O guarda-redes de 35 anos frisou o «muito carinho» que nutre pelos axadrezados, que representou entre 2018 e 2020.
Seguiram-se duas temporadas de águia ao peito no percurso do atual guardião do Vila Nova. A mudança para Luz foi a «realização de um sonho» para Helton Leite, que, ao mesmo tempo, simbolizava «uma responsabilidade gigante».
«Muita gente me pergunta como é que é jogar no Benfica e eu digo: 'É muito bom, mas não vais ter muita vida. Tens de ganhar sempre'. Faz parte da cultura do clube», explicou o guardião, que foi treinador por Jorge Jesus entre agosto de 2020 e dezembro de 2021.
O guarda-redes canarinho descreveu a «pressão sufocante em alguns momentos» que encontrou na Luz, à boleia do «treinador mais exigente» que teve na carreira. «Costumo dizer que o mister deve ter uns três olhos porque ao mesmo tempo que observava o treino via o que se passava a 60 metros de distância. Desde o início tinhas de estar atento como numa sala de aula. É realmente um mister, um professor. 10% das vezes era muito bem, 90% das vezes era outro tipo de respostas», reiterou.
Helton Leite destacou os requisitos necessários para triunfar na Luz. «É muita exigência logo desde o início e não apenas física, é mental. O mister leva o jogador ao limite emocional para ver realmente se é alguém que vai poder dar a resposta que ele espera. Muitos jogadores em seis meses ou numa época já saíram porque era muito difícil realmente conviver com isso. Benfica é pressão. Tens de estar sempre a 100% porque se não não vais conseguir ter nenhum sucesso ali», admitiu.
O antigo guarda-redes do Benfica elogiou, ainda assim, a riqueza tática transmitida por Jorge Jesus: «É sem dúvida o treinador com maior conhecimento de futebol que tive na minha carreira.»
Elogios a antigos colegas nas águias
Convidado a enlencar os colegas de equipa que mais o impressionaram no futebol português, Helton Leite destacou três jogadores com quem partilhou balneário na Luz. O guardião brasileiro começou por destacar a «qualidade inacreditável» e «de rua» de Enzo Fernández. «Pensávamos: 'Como é que consegue colocar a bola a 60 metros de distância'. Foi o jogador de maior nível com quem joguei», garantiu.
O antigo guardião do Benfica dezfez-se posteriormente em elogios à «beleza do jogo» de Rafa Silva, jogador «muito tranquilo» que ainda representa as águias. «Era inacreditável o que ele fazia. A aceleração, a perceção dos espaços dentro de campo, o drible curto, a agilidade», justificou.
A «liderança» de Otamendi também foi destacada por Helton Leite. O guardião canarinho contou que o defesa central argentino apresentava «as mesmas abordagens, o mesmo foco e a mesma concentração, fosse jogar contra o Paredes ou contra o Barcelona na Champions.»
34 jogos pelas águias depois, Helton Leite rumou aos turcos do Antalyaspor em janeiro de 2023, quatro meses antes do Benfica ter conquistado a Liga. «A minha maior frustração foi o Benfica não ter conquistado um título comigo lá», admitiu.
O guardião brasileiro explicou que «sabia que ia ser campeão» no final da temporada, mas tomou uma «decisão muito boa pessoalmente» para a carreira.