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Esqueçam lá a sorte, às vezes é preciso mais para ser feliz (crónica)

Casa Pia podia ficar a queixar-se do azar, mas preferiu ir por outro caminho para somar a primeira vitória e deixar o Estoril no último lugar

Até para ser feliz é preciso sorte. Ou insistir, insistir e voltar a insistir. 

O Casa Pia teve tudo para sair cabisbaixo da Amoreira e a pensar em tudo aquilo que perdeu no confronto com o Estoril, numa partida que colocava frente a frente os dois últimos classificados e piores ataques da Liga.

A equipa de Filipe Coelho chegava à sétima jornada com apenas dois golos marcados. E no espaço de sete minutos, entre os os 22’ e os 29’, teve um golo anulado, um penálti desperdiçado por Henrique Araújo, que rematou por cima, e uma bola na trave após grande remate de Rosas. 

Tinha tudo para correr mal, não é? 

Vasco Matos, no banco do Estoril, sentiu o mesmo. Por isso, ao intervalo mudou muito a equipa, apenas com uma substituição. Mudou a linha de quatro defensiva para cinco e ganhou bola e tranquilidade com isso. Ainda que continuasse muito longe da baliza.

Só que quem tem um pé esquerdo como o de Holsgrove na equipa fica mais perto de ser feliz. E foi uma abertura de excelência do médio escocês que permitiu ao lateral Ricard Sánchez surgir na área e tocar um pouco desengonçado, mas o suficiente para fazer um chapéu a Mandic.

Como reagiu então o Casa Pia? Nem teve tempo para se lembrar do que perdera antes. Dois minutos depois, Ofori cruzou com qualidade e Selvi Clua apareceu a dar superioridade aos gansos na área e a fazer o empate.

Depois voltou o desperdício que tantas vezes é penalizador. João Rego viu Sierra cortar em cima da linha um remate de golo, aos 76’. Um minuto depois, novo golo anulado ao ataque casapiano. E aos 88’, com a baliza aberta, Dafé acertou na trave após assistência de Jatta.

Mais vale desistir, não?

Não foi assim que pensaram os jogadores do Casa Pia. E no último minuto, lá foi premiado pela sorte quem tanto fez por procurá-la.

Rosas Subiu pelo flanco e obrigou Robles a sacudir de recurso, a bola sobrou para a entrada da área, onde Seba Pérez recebeu com um toque para o lado, onde Benjamin Pawels surgiu a rematar em arco para a reviravolta. No jogo e no fundo da classificação, onde passa a ser o Estoril o último. 

E com a sorte, ficou visto que não iam lá.  

Melhor em campo: João Rego (7)

Benjamin Pawels foi o herói ao marcar o golo decisivo para a primeira vitória. Mas foi o médio criativo quem nunca deixou a equipa desistir. Com classe, apesar do momento delicado, o jovem emprestado pelo Benfica foi o cérebro quando foi preciso ter cabeça. Não falhou um passe na primeira parte e na segunda ficou perto do golo, mas viu Sierra cortar em cima da linha. 

Notas do Estoril: Robles (5); Ricard Sánchez (6), Sierra (5), Xavi Sintes (4) e Jurisic (5); Holsgrove (6) e Robin (6); Omerovic (6), João Carvalho (6) e Camblan (5); Begraoui (6). Jordan (5), Rafik Guitane (6), Tsongui (6), Lacximicant (5) e Pedro Carvalho (5).

A figura do Estoril: Jordan Holsgrove (6)

O médio escocês andou muito escondido do jogo na primeira parte e o futebol da equipa ressentiu-se bastante. Nos segundos 45 minutos, assumiu mais o protagonismo e a qualidade daquele pé esquerdo fez-se notar. A assistência para para Ricard foi a nota de destaque da exibição, mas estivesse ele mais bem acompanhado na frente de ataque e talvez o resultado pudesse ser outro.

Notas do Casa Pia: Mandic (6); André Geraldes (6), Khaly (6), David Sousa (6) e Rosas (7); Selvi Clua (7) e Ofori (7); Salah (6), João Rego (7) e JP (5); Henrique Araújo (4). Alassana Jatta (6), Evans Mauri (5), Benjamin Pawels (7), Seba Pérez (7) e Abdu Dafe (5)

Vasco Matos, treinador do Estoril

A minha vontade é não baixar os braços. É o momento mais difícil da minha carreira, mas acredito muito e temos de dar a cara. Percebemos o desagrado e temos de dar o peito às balas. Conversei com os adeptos e temos, todos juntos, de sair desta situação. Qualidade só não chega. Temos de ser mais exigentes, ter mais ambição.

Filipe Coelho, treinador do Casa Pia

 A vitória é consequência do excelente trabalho, mesmo depois de um início difícil. Fizemos uma primeira parte muito boa, num início equilibrado, mas depois controlámos. A sorte do jogo não nos estava a sorrir, com o penálti falhado e a bola na barra.Estamos muito felizes. Festejámos de forma exuberante. Não ganhámos nada para o exterior, mas muitos viveram pela primeira vez o que é ganhar no Casa Pia, e é especial para quem trabalha no clube. Estamos mesmo muito felizes.

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