Escândalo: seis jogadores da Geórgia suspensos por doping antes do encontro com Portugal
Seis jogadores da seleção de rugby da Geórgia e um membro da equipa técnica foram suspensos preventivamente pela Agência Mundial Antidopagem (AMA) na sequência de uma investigação sobre um esquema de troca de amostras em controlos antidoping. A notícia foi confirmada esta sexta-feira pela AMA e pela World Rugby, a dois dias de um jogo importante com Portugal.
As duas seleções têm encontro marcado para a final do Rugby Europe Championship, em Madrid, no domingo, pelas 17h45. Portugal e Geórgia voltam a encontrar-se em mais uma final da competição, depois de se terem defrontado nesta fase nas edições de 2023 e 2024, sendo que os georgianos venceram a competição por 17 vezes, incluindo as últimas oito edições consecutivas.
A investigação, que teve início antes do Campeonato do Mundo de 2023, aponta para a existência de «um sistema organizado que envolve drogas recreativas e uma substituição de amostras», segundo um comunicado da World Rugby. A identidade dos jogadores envolvidos não foi revelada, uma vez que o processo disciplinar ainda está a decorrer.
O que aconteceu no rugby georgiano é escandaloso e constituirá uma onda de choque no desporto e junto do governo georgiano
Witold Banka, presidente da AMA, classificou a situação como «escandalosa». «O que aconteceu no rugby georgiano é escandaloso e constituirá uma onda de choque no desporto e junto do governo georgiano, bem como no rugby mundial», afirmou, acrescentando que «estão agora em curso investigações mais aprofundadas» no desporto do país.
A investigação foi desencadeada após terem sido detetadas «irregularidades em amostras de urina» através dos passaportes biológicos dos atletas, pouco antes do Mundial de França, em 2023. A AMA revelou no seu relatório que «perdeu a confiança no programa antidopagem» da Geórgia, tendo descoberto «cinco casos em que ocorreu uma substituição de amostras».
O relatório da AMA aponta ainda para falhas graves no processo de controlo, como o facto de membros da agência antidopagem georgiana terem avisado os jogadores sobre a realização de testes. Além disso, foi constatado que os agentes responsáveis «não observavam os atletas» durante a recolha, o que representa «não conformidades evidentes» com o protocolo. Uma fonte próxima da investigação garantiu à AFP que estas situações não ocorreram durante o Mundial de 2023.
Ainda que não pertença à elite mundial do râguebi, a Geórgia é uma presença constante na modalidade, tendo participado em todos os Campeonatos do Mundo desde 2003 e já garantiu presença na edição de 2027, na Austrália.