Luciano Oliveira não poupou elogios às qualidades de Gabriel Batista, de 27 anos. -Foto: D.R.
Luciano Oliveira não poupou elogios às qualidades de Gabriel Batista, de 27 anos. -Foto: D.R.

«Erro com o FC Porto? O Gabriel Batista conseguiu assimilar...»

Luciano Oliveira, treinador de guarda-redes do Santa Clara, coloca o pupilo no topo dos ‘keepers’ do Brasil. Ajudou a moldar a baliza canarinha. Melhor do mundo? Courtois

No Santa Clara desde 2024/25, Luciano Oliveira é reconhecido no Brasil como um dos melhores treinadores de guarda-redes do país. Pelas suas mãos já passaram Bento, Weverton e Santos, internacionais canarinhos. Mas não só. Em conversa com A BOLA, o técnico salientou as qualidades de Gabriel Batista, guarda-redes dos açorianos, e de Kaique, do Nacional, com quem trabalhou no Palmeiras, e nomeou o que considera ser o melhor do mundo da atualidade.

- Como é que foi contratado pelo Santa Clara?

- Vim através do Rafael Andrade, o team manager, também brasileiro, e que conheço desde 2002 quando estávamos nas categorias de formação, ele no Athletico Paranaense e eu no Vitória da Bahia. Depois trabalhamos juntos seis anos na equipa principal do Athletico Paranaense e o convite surgiu após a subida à Liga, em 2024.

- No Santa Clara treina Gabriel Batista. Está ao nível dos melhores do Brasil?

- Claro! Ainda é um jovem guarda-redes e já viveu grandes momentos no futebol brasileiro, formado numa grande escola, que é a do Flamengo. Jogou cerca de 35 a 40 jogos na equipa principal do clube carioca e quem tem esses números numa equipa como a do Flamengo, tem de ser considerado um guarda-redes de muita qualidade. É uma felicidade e uma aprendizagem diária trabalhar com ele aqui no Santa Clara, precisamente pelo alto nível que ele tem.

- Quais são as melhores qualidades e como o define como guarda-redes?

- É um guarda-redes de uma técnica muito aguçada e isso é reflexo da sua formação. Um guarda-redes muito calmo, que procura passar para a equipa tranquilidade e segurança. É um líder nato e por isso é o capitão da nossa equipa. Tecnicamente falando, tem uma boa reposição de bola e bom jogo aéreo, porém, apesar da sua boa qualidade, procuramos melhorar a cada dia os seus conceitos, para que ele possa evoluir ainda mais, para nos ajudar nos jogos.

- No jogo com o FC Porto, um erro do Gabriel Batista na reposição da bola, colocando-a nos pés de Samu, ditou a derrota do Santa Clara e originou muitas críticas. Como lidaram com isso?

- O erro que acabou por ser fatal fez com que ele fosse alvo de algumas críticas, mas isso é normal, porque nós, que estamos no futebol, sabemos que somos alvos de comentários e críticas. Faz parte do processo. O Gabriel Batista é um atleta muito calmo e seguro e conseguiu assimilar o que aconteceu. Além da parte técnica, tenho por costume motivar os atletas, porque entendo que também é preciso trabalhar o lado emocional deles. Nisso, tenho como base os meus cursos de coach. É um trabalho feito com a supervisão do departamento de psicologia do clube, e também com o Pedro Ramos, meu companheiro de preparação dos guarda-redes. Essa abordagem, feita semanalmente, tem dado suporte para que possam conviver com todos os desafios diários em treino e jogo.

- Quem considera como o melhor guarda-redes do mundo?

- Aponto dois. Um que para mim será o eterno número 1: Buffon. Na atualidade, Courtois, que tem demonstrado ano após ano uma qualidade e performance absurdas. Quando o Real Madrid necessita dele, está sempre presente com grandes atuações.

«Erro com o FC Porto? O Gabriel é atleta calmo e seguro e conseguiu assimilar o que aconteceu»

Três internacionais do Brasil nas mãos
Bento (Al-Nassr), que está convocado por Anceloti para os amigáveis do Brasil com a França (quinta-feira) e com a Croácia (dia 31), Weverton (Grêmio) e Santos (Atlético Paranaense), internacional olímpico (Tóquio 2020), foram treinados por Luciano Oliveira. «Esses três são, certamente, os com mais protagonismo», apontou. «Não digo que são os melhores com quem trabalhei nestes quase 33 anos da minha carreira. Todos foram importantes na minha trajetória, todos me fizeram evoluir como pessoa e profissional, porque em cada treino, desde que comecei, fizeram-me estudar mais sobre a posição e ficar cada vez mais atento às necessidades de cada um», explicou.
Luciano Oliveira (ao centro) com Santos, Bento (à esq.) e Weverton (último à direita) no Athletico Paranaense, em 2017. -Foto: D.R.

«Kaique? Não entregamos receita do bolo»

Kaique, cedido pelo Palmeiras ao rival Nacional, foi treinado por Luciano Oliveira nos paulistas

- Até onde pode Kaique chegar, atendendo a que ainda é jovem?

- Tive a felicidade de fazer parte da formação do Kaique. Foram mais de três anos a trabalhar com ele no Palmeiras e desde o primeiro momento conseguimos identificar o seu grande potencial. É um guarda-redes de muita força e personalidade e que vence todos os desafios que aparecem e que lhe são colocados à prova. Evoluiu bastante nesse tempo em que tivemos a oportunidade de trabalhar juntos e acredito que vai ter protagonismo elevado, mesmo no Palmeiras, clube que é conhecido como a academia de guarda-redes. É, seguramente, um dos cinco guarda-redes que eu trabalhei com melhor aproveitamento na defesa de penáltis. Tem uma mentalidade muito forte e consegue se impor sempre ao batedor da falta. Sabe das suas qualidades e usa isso a seu favor, como poucos que eu conheço.

- Qual é o segredo do Kaique para defender grandes penalidades? Deu-lhe algumas dicas?

- Não vamos falar das dicas porque aí nós entregamos a receita do bolo [risos)]. Existe um código de ética que procuro ter com os guarda-redes com quem eu trabalho, em que aquilo que a gente compartilha de dicas e ensinamentos, fica entre a gente para o resto da vida. Mesmo sendo adversário, eu jamais vou agredir esse código que tenho com eles. Por isso... sim, há dicas e ele usa-as até aos dias de hoje.