«Erro com o FC Porto? O Gabriel Batista conseguiu assimilar...»
No Santa Clara desde 2024/25, Luciano Oliveira é reconhecido no Brasil como um dos melhores treinadores de guarda-redes do país. Pelas suas mãos já passaram Bento, Weverton e Santos, internacionais canarinhos. Mas não só. Em conversa com A BOLA, o técnico salientou as qualidades de Gabriel Batista, guarda-redes dos açorianos, e de Kaique, do Nacional, com quem trabalhou no Palmeiras, e nomeou o que considera ser o melhor do mundo da atualidade.
- Como é que foi contratado pelo Santa Clara?
- Vim através do Rafael Andrade, o team manager, também brasileiro, e que conheço desde 2002 quando estávamos nas categorias de formação, ele no Athletico Paranaense e eu no Vitória da Bahia. Depois trabalhamos juntos seis anos na equipa principal do Athletico Paranaense e o convite surgiu após a subida à Liga, em 2024.
- No Santa Clara treina Gabriel Batista. Está ao nível dos melhores do Brasil?
- Claro! Ainda é um jovem guarda-redes e já viveu grandes momentos no futebol brasileiro, formado numa grande escola, que é a do Flamengo. Jogou cerca de 35 a 40 jogos na equipa principal do clube carioca e quem tem esses números numa equipa como a do Flamengo, tem de ser considerado um guarda-redes de muita qualidade. É uma felicidade e uma aprendizagem diária trabalhar com ele aqui no Santa Clara, precisamente pelo alto nível que ele tem.
- Quais são as melhores qualidades e como o define como guarda-redes?
- É um guarda-redes de uma técnica muito aguçada e isso é reflexo da sua formação. Um guarda-redes muito calmo, que procura passar para a equipa tranquilidade e segurança. É um líder nato e por isso é o capitão da nossa equipa. Tecnicamente falando, tem uma boa reposição de bola e bom jogo aéreo, porém, apesar da sua boa qualidade, procuramos melhorar a cada dia os seus conceitos, para que ele possa evoluir ainda mais, para nos ajudar nos jogos.
- No jogo com o FC Porto, um erro do Gabriel Batista na reposição da bola, colocando-a nos pés de Samu, ditou a derrota do Santa Clara e originou muitas críticas. Como lidaram com isso?
- O erro que acabou por ser fatal fez com que ele fosse alvo de algumas críticas, mas isso é normal, porque nós, que estamos no futebol, sabemos que somos alvos de comentários e críticas. Faz parte do processo. O Gabriel Batista é um atleta muito calmo e seguro e conseguiu assimilar o que aconteceu. Além da parte técnica, tenho por costume motivar os atletas, porque entendo que também é preciso trabalhar o lado emocional deles. Nisso, tenho como base os meus cursos de coach. É um trabalho feito com a supervisão do departamento de psicologia do clube, e também com o Pedro Ramos, meu companheiro de preparação dos guarda-redes. Essa abordagem, feita semanalmente, tem dado suporte para que possam conviver com todos os desafios diários em treino e jogo.
- Quem considera como o melhor guarda-redes do mundo?
- Aponto dois. Um que para mim será o eterno número 1: Buffon. Na atualidade, Courtois, que tem demonstrado ano após ano uma qualidade e performance absurdas. Quando o Real Madrid necessita dele, está sempre presente com grandes atuações.
«Erro com o FC Porto? O Gabriel é atleta calmo e seguro e conseguiu assimilar o que aconteceu»
«Kaique? Não entregamos receita do bolo»
- Até onde pode Kaique chegar, atendendo a que ainda é jovem?
- Tive a felicidade de fazer parte da formação do Kaique. Foram mais de três anos a trabalhar com ele no Palmeiras e desde o primeiro momento conseguimos identificar o seu grande potencial. É um guarda-redes de muita força e personalidade e que vence todos os desafios que aparecem e que lhe são colocados à prova. Evoluiu bastante nesse tempo em que tivemos a oportunidade de trabalhar juntos e acredito que vai ter protagonismo elevado, mesmo no Palmeiras, clube que é conhecido como a academia de guarda-redes. É, seguramente, um dos cinco guarda-redes que eu trabalhei com melhor aproveitamento na defesa de penáltis. Tem uma mentalidade muito forte e consegue se impor sempre ao batedor da falta. Sabe das suas qualidades e usa isso a seu favor, como poucos que eu conheço.
- Qual é o segredo do Kaique para defender grandes penalidades? Deu-lhe algumas dicas?
- Não vamos falar das dicas porque aí nós entregamos a receita do bolo [risos)]. Existe um código de ética que procuro ter com os guarda-redes com quem eu trabalho, em que aquilo que a gente compartilha de dicas e ensinamentos, fica entre a gente para o resto da vida. Mesmo sendo adversário, eu jamais vou agredir esse código que tenho com eles. Por isso... sim, há dicas e ele usa-as até aos dias de hoje.