Eficácia permitiu desmontar os príncipes da defesa da Premier League (crónica)
O Manchester City deu continuidade à perseguição ao líder Arsenal. A equipa de Pep Guardiola, que contou com Bernardo Silva, Matheus Nunes e Rúben Dias no onze titular, venceu em Londres, em casa do Crystal Palace, por 3-0, na jornada 16 da Premier League.
A tarefa não se adivinhava fácil para os skyblues. O Crystal Palace era, à entrada para esta partida, a segunda melhor defesa do campeonato inglês e somava apenas uma derrota em casa na competição, frente ao Manchester United. A forma defensivamente compacta como se apresentou até então, marca de água dos comandados de Oliver Glasner, não se alterou na primeira parte. A lição estava bem estudada e foi posta em prática quase na perfeição, como disso é prova o facto de os citizens só terem rematado pela primeira vez ao minuto 29, num livre de Phil Foden defendido por Henderson.
A equipa da casa também ia dando cartas ofensivamente, com Yéremy Pino, após passe de Wharton, a acertar na barra de Donnarumma ao minuto 17. O italiano ainda teve de se aplicar para impedir o remate de Mateta e o golo do espanhol, e Sarr ainda teve um par de ocasiões para abrir a contagem. Mais Palace, pouco Manchester City, que não encontrava espaços para os criativos brilharem.
Há, porém, um fator a ter em conta que é diferente dos outros todos: o fator Haaland. Até ao minuto 41 havia tocado na bola em oito ocasiões apenas, com nenhum remate a assinalar. Mas fazer golos é o que melhor sabe e, quando a bola é servida com a qualidade que Matheus Nunes colocou no cruzamento, o norueguês não se costuma fazer rogado. E assim foi: bola perfeita do internacional português, cabeceamento entre os centrais e o 1-0 feito antes do intervalo, no segundo remate dos citizens antes do descanso.
O segundo tempo chegou com o Palace a procurar de forma mais insistente o golo do empate. Wharton recuperou a bola a Nico González em zona adiantada e rematou tenso, rasteiro e com demasiada pontaria, pois esta embateu no poste da baliza de Donnarumma. Segunda bola nos ferros para os anfitriões, que se expunham mais pela procura da igualdade e, por isso, iam permitindo mais espaço ao adversário. Reijnders foi o primeiro a ameaçar, com um remate cruzado, antes de Cherki combinar com Phil Foden e o inglês fazer, aos 69', o 2-0, num remate à entrada da área.
O Palace ressentiu-se, voltou a crescer e ainda ameaçou o Manchester City, que fechou as portas à baliza de Donnarumma com toda a gente. Com todos na frente, uma hesitação abriu portas ao xeque-mate: Savinho apanhou a bola no próprio meio-campo, correu pela metade ofensiva sem oposição e, ao tentar contornar Henderson, foi derrubado pelo guarda-redes. Chamado a marcar o penálti, Haaland bisou e fechou a contagem em 3-0.
Resultado demasiado dilatado para o que foi o jogo, sobretudo o primeiro tempo, em que o Crystal Palace soube controlar defensivamente e ameaçar, mesmo que não tenha sido suficiente para chegar ao intervalo, pelo menos, sem estar em desvantagem. Foi, apesar disso, uma vitória justa do vice-líder da Premier League, que, com menos remates que o adversário, soube ser muito mais eficaz e, no momento em que arranjou espaço, foi letal.