Rui Alves, presidente do Nacional - Foto: IMAGO

Direitos televisivos: Nacional revoltado com requerimento da Liga

Liga enviou documento, que deve ser devolvido, a solicitar a marcação da Assembleia Geral Extraordinária para aprovar a chave de repartição que é proposta pelo organismo. Madeirenses pretendem apresentar outra proposta. A Bola sabe que há movimentações de bastidores para que possam ser debatidas outras propostas

Depois de aprovado o procedimento de comercialização dos direitos audiovisuais das competições profissionais para o mercado doméstico, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada na passada sexta-feira, segue-se agora a aprovação da chave de repartição, que, verdadeiramente, irá definir como serão distribuídas as receitas.

Nesse sentido, a Liga de Clubes enviou um requerimento a alguns clubes, ao qual A BOLA teve acesso, e dirigido ao Presidente da Assembleia Geral da Liga Portugal, para que os clubes requeiram a marcação da AGE e subscrevam a proposta do organismo, já apresentada em 4 de dezembro de 2025, como é transmitido num dos pontos: «As sociedades desportivas subscritoras entendem que o modelo assim votado unanimemente e com os seus ajustes posteriores constitui o melhor e mais exequível compromisso entre os interesses contrapostos das sociedades desportivas, permitindo a partilha das receitas obtidas através da venda centralizada dos direitos audiovisuais.»

O conteúdo do documento causou «revolta» no Nacional, que tem uma visão diferente em relação à chave de repartição das receitas. Antes da AGE da passada sexta-feira, o clube madeirense enviou a sua proposta, que acabou por retirá-la dado que nessa reunião seria discutido apenas procedimento regulamentar a ser submetido à Autoridade da Concorrência, adiando a sua entrega para a AGE em que será aprovada a chave de repartição.

Em comunicado, o clube madeirense entende que a reunião «deveria ter permitido discutir livremente diferentes propostas ou alterações ao modelo apresentado pela Liga Portugal. Da forma como se tenta proceder à marcação de uma Assembleia Geral Extraordinária e a subscrição dos clubes à mesma, considera-se que esta impediu a discussão deste tema, de forma livre e construtiva, pelas Sociedades Desportivas e tal facto merece o nosso total repúdio.»

«O CD Nacional solicita à Liga Portugal a marcação de uma Assembleia Geral Extraordinária, de forma semelhante às que sempre realizou e sem a solicitação dos clubes para o efeito. O Nacional acredita que este procedimento será alterado, no sentido de proporcionar aos clubes uma discussão aberta sobre o tema e dada a importância do mesmo para o desenvolvimento e futuro do futebol português», transmitem ainda os madeirenses no comunicado.

Na proposta que o Nacional pretende apresentar, a quota igualitária a ser distribuída por todos os clubes será de 50%, com a Liga a propor 32,5%. O plano prevê também pagamentos de solidariedade para equipas despromovidas e estabelece um limite máximo de desigualdade entre o clube que mais recebe e o que menos recebe.

A BOLA sabe que há movimentações nos bastidores entre clubes e a Liga, para que se possa chegar a um entendimento na antecâmara da AGE, que ainda não tem data definida. É certo que nessa reunião venha a ser discutida a proposta apresentada pela Liga de Clubes, mas não é garantido que possa ser a única a ir a votação.