«Desiludi Mourinho e fui dispensado por mensagem»
Riccardo Calafiori, atualmente no Arsenal, recordou, numa entrevista à Sportweek, os momentos mais marcantes da sua carreira, incluindo a saída conturbada da Roma e a relação com José Mourinho.
O internacional italiano revelou que a sua maior satisfação até hoje foi ter comprado uma casa para os pais. «Quando estava na Roma, comprei uma casa para os meus pais. Em 23 anos, recebi mais elogios como pessoa do que como futebolista: o mérito é deles, pareceu-me justo retribuir», afirmou.
A relação com Mourinho foi uma autêntica montanha-russa. Calafiori recordou o entusiasmo inicial quando o técnico português publicou um vídeo a analisar o seu perfil, pouco depois da sua contratação. «Foi uma loucura. Tinha desligado o telemóvel por umas horas e, quando o liguei, tinha 300 notificações. As pessoas enviavam-me o vídeo com as minhas estatísticas publicado por Mourinho. Fiquei muito feliz», contou.
No entanto, tudo mudou após uma pesada derrota por 1-6 contra o Bodo/Glimt, quando Mourinho o considerou inadequado para o nível da equipa. «Provavelmente desiludi-o e depois do Bodo/Glimt tudo mudou. Tinha de ser assim, foi um golpe duro, mas ajudou-me a crescer», admitiu o defesa.
A fase seguinte, no Génova, também não foi fácil. Calafiori abordou a sua relação com o treinador Blessin, que, segundo Federico Marchetti, o tratava mal e o chamava de «bastardo italiano». «Tendo sempre a justificar o comportamento dos outros e certamente errei em algo. Contudo, mesmo passados anos, não tenho boas sensações sobre ele. O Génova desceu de divisão e nós discutimos», explicou, acrescentando que mais tempo de jogo não teria alterado o rumo da sua carreira.
Após a experiência no Génova, o jogador sentiu-se perdido. «A minha autoestima estava de rastos. Voltei à Roma e fui dispensado por mensagem. Perguntava-me se o meu destino seria nas divisões inferiores, mas mantive-me confiante: nunca sonhei ser um futebolista normal, queria trabalhar para chegar onde estou agora», confessou. A decisão de rumar ao Basileia revelou-se crucial para relançar a carreira. «Com a Roma e o Génova não correu bem, mas aceitei, porque era realmente muito jovem. A escolha de recomeçar no Basileia foi perfeita», considerou. O ambiente na Suíça proporcionou-lhe o contexto ideal para evoluir: «Na cidade havia pouco para fazer. Era o cenário ideal para encontrar continuidade e amadurecer depressa. Ao voltar a Itália, penso que me redimi com o Bolonha.»
Atualmente em Londres, Calafiori reencontrou um velho amigo das camadas jovens da Roma, Bove, que joga no Watford. «Moramos no mesmo prédio. Os centros de treinos do Arsenal e do Watford são adjacentes, por isso o Edo procurou casa na minha zona. Acredito que seja o destino», partilhou.
Artigos Relacionados: