Deco elogiou papel de Scolari na Seleção Nacional
Deco elogiou papel de Scolari na Seleção Nacional

Deco elogia Scolari, Ronaldo e lembra Euro 2004: «A maior desilusão...»

Diretor desportivo do Barcelona e ex-internacional português afirmou que o antigo selecionador conseguiu apaziguar a tensão entre

Deco, ex-internacional português e hoje diretor desportivo do Barcelona, relembrou o período em que representou a Seleção Nacional e deixou elogios a Luiz Felipe Scolari, antigo selecionador, que, segundo o antigo criativo, conseguiu apaziguar a tensão causada pela rivalidade entre benfiquistas e portistas.

«O Felipão criou um ambiente muito favorável em Portugal. Eram jogadores do Benfica, outros do FC Porto, e a seleção tinha um ambiente um pouco tenso por causa dessa rivalidade. E o Felipão quebrou esse gelo. O grande mérito foi essa capacidade de unir e de agregar. Até hoje ele é adorado em Portugal», referiu o dirigente blaugrana, que adicionou que, no Chelsea, o treinador brasileiro já não teve tanto impacto.

Deco deixou claro na entrevista que nunca teve dúvidas nem arrependimentos por ter representado Portugal. «Desde 2000 que a federação de Portugal falava comigo, e eu sentia-me muito bem, porque eu amo Portugal. Com 18, 19 anos fui para Portugal. Mas foi um processo que fui amadurecendo, não foi uma decisão do dia para a noite. A coisa foi acontecendo, foi evoluindo... A minha ligação com o país, com a seleção e com as pessoas acabou por se criar. Tomei a decisão em 2003. Não teve nada a ver com o Felipão, a decisão já estava tomada. Coincidiu com a chegada dele à seleção. Mas tomei em 2003 a decisão de poder estar disponível para a seleção.»

Ao serviço da Seleção Nacional, Deco chegou às meias-finais do Mundial 2006 e à final do Euro 2004, disputado em Portugal, que terminou com a desilusão portuguesa, com a derrota na final por 0-1 frente à Grécia. «A geração era muito boa, Figo, Rui Costa, eu, o Cristiano a aparecer, Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Maniche, Pauleta. O que gerou uma euforia positiva sobre a seleção, também por jogarmos em casa, e, ao mesmo tempo, foi uma desilusão grande para nós. Não dá para explicar», explicou. «Sofremos um golo, depois controlámos o jogo, mas não conseguimos marcar. A Grécia já tinha demonstrado que era uma equipa difícil de sofrer golos. Foi uma alegria praticamente o Euro inteiro e uma desilusão. Talvez a maior que tive na carreira, porque a gente queria ganhar. Mas é o futebol.»

Deco também deixou elogios a Cristiano Ronaldo: «O Cristiano sempre foi assim. Igual ao que é hoje, na questão da ambição, do que aprende, de ser melhor, isso nunca mudou. Sempre trabalhou para isso, sempre foi o que chegava mais cedo, o que trabalhava mais, o que ficava a bater livres depois de todos, o que não queria parar de crescer, de evoluir. Acho que não vai parar nunca de ser assim. Não existe nenhum atleta com essa capacidade mental. Para mim, foi o tipo mais obcecado pela evolução. Essa característica fez dele um dos maiores jogadores da história.»