Charles decisivo ao defender penálti aos 90+11' - Foto: Miguel Nunes
Charles decisivo ao defender penálti aos 90+11' - Foto: Miguel Nunes

De herói em herói, a dar tudo, até à conquista final (crónica)

Vimaranenses tiveram de sofrer para conquistar a primeira Taça da Liga da sua história, perante um SC Braga que teve as melhores oportunidades, porém não soube marcar o segundo golo decisivo

Grande ambiente, belo jogo, emoção permanente e a prova de que há vida para lá dos três grandes. Ganhou o underdog desta estória.

Luís Pinto começou com algumas ideias, mas o problema de início mostrou-se demasiado complicado para ser resolvido com uma mera equação. O técnico do V. Guimarães tentou impedir que a bola chegasse ao duplo-pivot arsenalista, composto por Grillitsch e João Moutinho, sobretudo este, por ser quem determina o ritmo, e conseguiu-o em parte. Obrigou o veterano a recuar, por vezes, para a saída inicialmente proposta a 3 por Vicens, alargando esse momento para quatro elementos, porém também forçou duelos individuais em igualdade numérica nas alas. Na direita, Zalazar prolongava o grande momento trazido da meia-final com o Benfica e Dorgeles, que até sentia bem de perto a companhia de Ricardo Horta, incendiava o lado contrário. O ala, que funcionou muito mais como extremo, no híbrido 3x4x3/4x3x3 de Vicens, criou a abrir, logo aos 2', a primeira oportunidade. Já o uruguaio aproveitou alguma ingenuidade de João Mendes para lhe extrair um amarelo e uma falta perigosa. Jogava-se o 17.º minuto e Dorgeles assinava, no livre consequente, um golaço.

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Foi o melhor momento dos arsenalistas, que já tinham visto Horta criar nova chance aos 13' e assistiram depois a um corte de Miguel Nóbrega perante a ameaça de Pau Víctor aos 22' e a Dorgeles a falhar um tiro cruzado aos 26'.

Assente na irreverência da sua juventude a meio-campo e de algum atrevimento ofensivo que começou a chegar dos laterais Strada e João Mendes, o Vitória reequilibrou à passagem da meia-hora. Saviolo, aos 33', teve receção criminosa que o impediu de atirar para o empate e, logo depois, Mendes assustou Hornicek de longe. E continuava. Aos 36', Nóbrega e Arcanjo combinaram para mais um bom momento e aos 41' Gonçalo Nogueira atirou perto, mas ao lado.

O SC Braga teria a última palavra na primeira parte, em cima intervalo, com Zalazar a desequilbrar mais uma vez antes de cruzar atrasado. Charles errou ao defender para a frente e Dorgeles acertou em Strata em mais uma bela oportunidade. Esse momento, somado à espantosa redenção do guarda-redes brasileiro, aos 48', a remate de Moutinho, mantiveram os vimaranenses dentro da final.

DE NDOYE A CHARLES

Sentindo provalvelmente que estavam a dever a si próprios a tranquilidade, os primeiros minutos do segundo tempo trouxeram os bracarenses de novo para o domínio, o que obrigou Luís Pinto a reagir, com as entradas de Samu e Camará logo aos 54'. Quatro minutos depois, o VAR não deixou passar uma mão de Vítor Carvalho na área e alertou Hélder Malheiro. Penálti convertido por Samu, que aceitava também a missão entregue pelo seu técnico na substituição: segurar a bola. Com ele, o Vitória cresceu. Aos 71'm, Nélson Oliveira, de trivela, acertou na barra.

Podia ter caído para qualquer lado. Os bracarenses voltaram à linha de 4 e criaram vários momentos. Só que ainda havia um herói num dos bancos: Ndoye. Esse mesmo, que tinha eliminado o Sporting. Entrou aos 77', obrigou Hornicek a grande defesa aos 82' e marcou, após canto de Samu, o golo que valeu a primeira Taça da Liga para os seus. Não sem que Zalazar despisse a capa de herói para entregá-la a Charles aos 90+11' no penálti defendido. Que final!

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