Aryna Sabalenka
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'Sala da fúria': torneio de Austin prepara espaço para jogadoras desabafarem frustração

Excesso de câmaras nos recintos dos jogos têm incomodado jogadoras

Os organizadores do torneio WTA de Austin (21 de fevereiro – 1 de março) anunciaram a criação de uma 'sala da fúria', onde as jogadoras podem desabafar a sua frustração sem receio de serem filmadas e de as imagens se espalharem pela internet.

No Australian Open, após ser eliminada nos quartos de final, Coco Gauff foi filmada nas instalações do complexo de Melbourne - já fora do court - a bater, nervosamente, com a raquete no chão. As imagens rapidamente se tornaram virais na internet e, para além das reações que provocaram, desencadearam um debate sobre a privacidade das jogadoras e até que ponto é aceitável que sejam filmadas quando já não estão em competição ativa.

Iga Swiatek no Australian Open: «Somos tenistas ou animais de jardim zoológico?»

Gauff queixou-se deste aspeto numa conferência de imprensa e, posteriormente, outras jogadoras, como Iga Swiatek e Jessica Pegula, saíram em sua defesa e criticaram a tendência das televisões em captar cada momento.

«A questão é: somos tenistas ou animais de jardim zoológico, observados até quando fazem as suas necessidades? OK, exagerei, mas seria bom ter alguma privacidade. Seria bom também ter os nossos próprios rituais, sem sermos sempre filmados», questionou Swiatek.

«Sinceramente, já falávamos sobre câmaras há anos. Lembro-me que quando a Maddie Keys estava no conselho, a sua prioridade número um era livrarmo-nos destas câmaras. É uma loucura», acrescentou.

Acho que acabaram por colocar sinais para as pessoas saberem que há câmaras, mas este ano parece ainda pior. Quer dizer, vejo que estou no ginásio e há um vídeo meu a entrar nas instalações. Vi pessoas que nem sabia que estavam lá, em zonas onde não se espera que alguém nos siga. Estão em todos os corredores», acrescentou Pegula.

Neste contexto, os organizadores do torneio de Austin optaram por uma abordagem diferente.

«Introduzimos a «sala da fúria» do ATX Open – a primeira do género – onde as jogadoras podem expressar a sua frustração ou emoção em privado, num ambiente seguro e sem câmaras de filmar», comunicou o torneio do Texas, através da sua conta oficial.

Além disso, publicaram um cartaz de uma raquete partida com frases motivacionais: «Não sorrias», «Conta até 3», «Consegues», «Acredito em ti», «Faz valer a pena».