Francesco Farioli aponta já ao Arouca - Foto: FC Porto
Francesco Farioli aponta já ao Arouca - Foto: FC Porto

Luto de Borja, 'equipa de monstros', sorriso de Samu e Arouca: tudo o que disse Farioli

Treinador do FC Porto fez a antevisão ao jogo de sexta-feira, no Dragão, frente ao Arouca

— Como é que o clube está a gerir a situação de Borja, uma vez que o jogador atravessa um momento delicado pela morte da mãe. Como reagiu o plantel?

Antes de mais nada, as nossas mais profundas condolências ao Borja e à sua família. Os últimos dias não foram fáceis para ele. Ele teve de viajar na segunda-feira porque a situação se complicou e, infelizmente, hoje todos recebemos a notícia que não queríamos receber. Falei muito com ele nestes dias. É um momento particular onde todos precisamos de estar muito próximos do Borja, mas, por outro lado, ele é um rapaz forte. Ele fará de tudo para estar aqui o mais depressa possível. O desejo dele é vir ajudar a equipa assim que puder, mas, claro, estes dias são bastante particulares, por isso também é bom para ele ter o seu tempo para estar com as pessoas que ama e prestar o respeito à sua mãe da forma que ela merece. Portanto, como disse, da nossa parte — equipa técnica, equipa e clube — existe, obviamente, total apoio. O presidente já lá está. Amanhã, mais alguém irá ao funeral da mãe dele e, como disse, estamos à espera que ele volte para a equipa o mais rápido possível.

— O FC Porto joga frente ao Arouca, uma equipa que venceu na primeira volta por 4-0, mas que está agora numa fase ascendente (quatro vitórias e dois desaires em seis jogos na segunda volta, com 13 golos marcados). É uma equipa a ter em conta?

Sim, apresentou números que são bastante impressionantes. O lado bom é o facto de eu me lembrar de quando jogámos contra eles na primeira volta e eu sublinhei o estilo de jogo deles, a forma como jogam, porque para mim, desde o início, tem sido uma das equipas que pratica o futebol mais interessante. Na primeira metade da época, conseguiram 14 pontos em 17 jogos, mas na segunda volta, como disse, já fizeram 12 pontos em seis jogos, o que é um número bastante impressionante. Mas, realmente, a forma como jogam e quão organizados são é algo especial. Confirmo o que disse na minha primeira conferência de imprensa da primeira volta, porque é realmente uma equipa que trabalha muito bem. Por isso, muito mérito para o Vasco, o treinador, porque estão a fazer um excelente trabalho. É uma equipa que também está a fazer um trabalho muito interessante nos lances de bola parada. Acho que já vimos duas ou três vezes combinações ofensivas muito boas e muito bem treinadas. Portanto, é definitivamente uma equipa que merece toda a nossa atenção e foco para estarmos prontos para competir e, claro, para obter os resultados que queremos.

— Os jogos estão a decidir-se em pormenores. O pormenor de o FC Porto jogar agora antes dos rivais (Sporting e Benfica) pode ter algum impacto?
Bem, da nossa parte, jogar primeiro, jogar depois... sabe, é futebol. Como disse, tivemos algumas vezes a oportunidade de jogar antes porque, claro, para nós, ao jogarmos na Liga Europa, a maioria das vezes somos a equipa que vem a seguir ou que fecha o fim de semana da liga. Desta vez vamos jogar na sexta-feira, mas acho que estamos preparados e focados especialmente para o jogo, para a abordagem que precisamos de ter, para dar continuidade às exibições, para manter a intensidade que pusemos no último jogo no Dragão contra o Rio Ave, com uma abordagem muito forte, com uma mentalidade muito forte e, mais uma vez, continuar a subir, continuar a avançar, que é para nós, claro, a parte mais importante.

— O Benfica tem vantagem por jogar apenas o campeonato a partir de agora?
Não sei. Para nós, a parte importante é o nosso caminho, é a nossa jornada. Sobre os nossos rivais, não é realmente assunto nosso. Na realidade, colocámo-nos numa condição em que temos o destino nas nossas mãos. Foi isto que fizemos desde o início da época: tentar estar num lugar onde queríamos estar, e estamos onde queríamos estar. Agora cabe-nos continuar a pressionar, como disse, manter a mesma abordagem, manter a mesma mentalidade e, honestamente, não perder muito tempo a ver o que está a acontecer nos outros campos, porque isso, na minha opinião, é sempre uma potencial distração. E sabem que, pela quantidade de jogos que temos de jogar, gastar as nossas energias em cálculos ou a olhar para os outros campos não ajuda realmente.

— Qual o estado clínico do Martim, do Kiwior e do Thiago Silva?
Sim, o Thiago não vai estar no jogo de amanhã, continua a trabalhar para tentar estar pronto o mais depressa possível. O Martim também está a trabalhar arduamente com passos interessantes que nos dão, digamos, uma esperança de o ver de volta à equipa muito em breve. E o Kiwior fez tudo com a equipa nos últimos dois dias, por isso está totalmente recuperado e pronto para voltar à equipa, potencialmente para começar ou para entrar durante o jogo.

— Apesar dos contratempos na defesa, a equipa tem mantido a solidez. Sente que esse é o setor mais equilibrado da equipa?

No outro dia, antes do Rio Ave, sabem que os jogadores lesionados costumam vir ao relvado e eu estava a rir-me — embora rir não seja a palavra certa — porque, na realidade, tínhamos ali um quarteto defensivo de topo, porque se juntarmos o Martim, o Nehuén, o Thiago e o Kivior, acho que é uma defesa bastante competitiva para jogar, e infelizmente estavam todos fora. Recuperámos o Kiwior para este jogo e isso é muito importante. Além disso, claro, as duas grandes lesões na frente, do Samu e do Luuk de Jong. Por isso, na realidade, acho que o que esta equipa está a fazer é fantástico. Até agora conseguimos gerir muito bem para cobrir ou para não deixar sentir tanto estas lesões que, repito, são eventos de muito azar porque a maioria vem de contatos. Mas acho que a equipa e os jogadores que fazem parte dela estão sempre a aparecer de forma muito forte, com uma excelente disposição, com uma excelente capacidade de se prepararem para a equipa, para o clube e prontos para dar aos nossos adeptos boas exibições e também resultados.

Samu voltou esta semana ao Olival. Como é que o encontrou e que sensações lhe passou depois da operação?

Ele voltou há um par de dias, foi muito bom tê-lo de volta, ter a oportunidade não apenas de trocar mensagens ou videochamadas, mas de o ter connosco, de ver o seu sorriso, de ele estar com os companheiros de equipa. Por outro lado, para mim é muito triste. Hoje tive uma imagem: estávamos no relvado a trabalhar e vi o Luuk de Jong a fazer bicicleta fora do relvado e o Samu perto dele. E sabem, quando se vê dois jogadores deste nível de fora é... faz-nos sentir mal. Mas, por outro lado, naquilo que eles são realmente bons é que estão ali com um bom sorriso, com uma boa energia e é disto que a equipa realmente precisa. Por isso, mais uma vez, estamos felizes por tê-lo aqui connosco de novo porque, no final, o mais importante é ter a união da equipa que, acho, tem sido até agora um dos elementos-chave, e manter isto para os próximos meses, as próximas semanas, a começar pelo jogo de amanhã.

— O FC Porto vai ter agora três jogos em dez dias. Será necessária alguma gestão física? E a nível disciplinar, o Alan Varela se vir amarelo falha o jogo com o Benfica...
Não, eu diria que vão ser três jogos em 10 dias porque, sim, acho que o calendário é... deveria ser bastante normal, embora ainda não esteja confirmado, mas pela forma como as coisas estão, acho que teremos 10 dias para preparar os três jogos, por isso não há qualquer tipo de problema. Por outro lado, repito-me: a equipa está fisicamente, honestamente, tenho a sensação de que somos uma equipa de monstros. No outro dia tivemos a segunda performance física mais alta da época e, honestamente, eles são incríveis. Em termos de fitness, acho que estamos num lugar muito, muito bom, todos prontos para competir, prontos para ajudar e para pressionar. Sobre a gestão de cartões, honestamente não estamos numa posição em que possamos fazer muitos cálculos. Infelizmente, o Alberto viu um cartão amarelo que, honestamente, não merecia no último jogo, mas com a situação do Martim, não podemos, claro, fazer qualquer outro cálculo. Na realidade, cada jogo conta o mesmo, por isso foco total no jogo de amanhã. Se for preciso um cartão amarelo... se o Alberto precisar de levar um cartão amarelo para salvar alguma coisa, tem de levar o cartão amarelo se for necessário.

— Os golos dão confiança aos avançados. O Deniz Gul não marca para o campeonato há quatro meses. É uma situação que o preocupa?
Não, o Deniz marcou no outro dia. Infelizmente, por oito centímetros o golo foi anulado. Acho que é claro que... creio que o último golo que o Deniz marcou foi contra o Arouca, marcou contra o Moreirense, ambos os golos foram bastante importantes e decisivos. Claro que, se compararmos o tempo de jogo do Deniz com o que o Samu teve, acho que esse número pode ser visto de uma forma muito relativa e pode mudar completamente a abordagem. Acho que o Deniz está a portar-se bem, o Moffi também está a voltar a uma forma muito boa, embora, claro, tenha algum trabalho a fazer. Mas não, acho que estamos muito confiantes no Deniz, no trabalho que ele está a fazer e, claro, estamos todos à espera de golos que, para um número nove, são sempre muito, muito importantes, mas ele está sempre por lá e a parte mais importante é estar no lugar certo. O golo é apenas uma questão de estar lá no momento certo e estou absolutamente confiante de que o golo chegará muito em breve.

— Da última vez que o Porto teve um jogo teoricamente acessível antes de um clássico (Casa Pia), as coisas não correram bem. Sentiu necessidade de reforçar a importância deste jogo com o Arouca junto dos jogadores?
Não, eu acho que, depois de quantos meses... sete, oito meses que estou aqui, acho que vocês já me conhecem bastante bem. Acabei de dar o exemplo do Alberto: não quero que ele tire o pé de qualquer tipo de duelo porque o jogo de amanhã... comecei com um grande elogio ao Arouca, não apenas porque tenho de o fazer, mas porque acredito mesmo no quão bons eles são. Se olharmos para a tabela da segunda volta, nós estamos em quinto, fizemos 13 pontos na segunda parte e eles estão apenas um ponto atrás de nós. Portanto, nesta parte, como em todos os adversários, precisamos de dar um certo respeito, mas o Arouca, repito, pelo estilo e pela forma como jogam e pelas qualidades que estão a pôr em campo, o facto de marcarem tantos golos nos últimos jogos, merece toda a nossa atenção. Por isso, estaremos absolutamente preparados. O que vem a seguir, vem a seguir. A nossa maratona é feita de pequenos passos, um a seguir ao outro, e o próximo para nós tem um nome, camisola amarela, e isso é para nós a parte mais importante.