Rotação de treinadores em Portugal (imagem gerada pelo Chatgpt)
Rotação de treinadores em Portugal (imagem gerada pelo Chatgpt)

Da estabilidade à chicotada: os números surpreendentes dos treinadores em Portugal

Saiba quais são os treinadores com mais jogos na Liga nas últimas cinco épocas. Descubra qual é a nacionalidade mais representada, a seguir à portuguesa, quais são os sete 'misters' que conseguiram manter-se durante duas temporadas consecutivas, o que Rui Borges tem de tão especial e, ainda, quais foram os clubes que mais vezes trocaram de liderança técnica entre 2021 e 2026

Ser treinador de futebol é pertencer a uma espécie de entreposto permanente. Hoje está-se aqui, amanhã está-se ali e, dentro de uma semana ou de um mês, sabe-se lá bem onde. A Liga portuguesa não é, neste aspeto, diferente da Premier League inglesa, da La Liga espanhola, da Bundesliga alemã, da Ligue 1 francesa ou da Serie A italiana. Os clubes portugueses mudam imenso de treinador e, por consequência, os treinadores mudam constantemente de clube. Se olharmos para as últimas cinco épocas, por exemplo, passaram pela Liga principal nada menos de 86 treinadores diferentes. Em jeito de comparação, pela mediática Premier League passaram 79 técnicos no mesmo período temporal.

CAMPEÕES NACIONAIS E CÉSAR PEIXOTO

César Peixoto deixa o Gil Vicente e assume o comando técnico do Wolverhampton — Foto: Miguel Nunes
César Peixoto (MIGUEL NUNES)

No meio deste carrossel, há nomes que se tornaram incontornáveis. Desde logo, a lista restrita dos campeões nacionais do período: Sérgio Conceição, Roger Schmidt, Rúben Amorim, Rui Borges e Francesco Farioli. Depois, importa olhar para aqueles que participaram em mais jogos ao longo destas últimas cinco temporadas. César Peixoto, por exemplo, esteve sentado no banco em 117 jogos de um máximo possível de 170. É, por isso, uma espécie de ‘senhor 69 por cento’ da nossa Liga. Logo a seguir, surgem mais seis nomes que conseguiram ultrapassar a barreira mítica dos 100 jogos: Rúben Amorim (113), Luís Freire (109), Sérgio Conceição (102), Rui Borges (102), Paulo Sérgio (102) e Petit (101).

83% DE PORTUGUESES

Carlos Vicens 'liderou' armada espanhola (MIGUEL NUNES)

No que toca à nacionalidade dos treinadores, 83 por cento desses 86 treinadores são portugueses, num total de 71 técnicos da casa. As raras exceções a esta regra foram os espanhóis Carlos Vicens, Pablo Villar, Gonzalo García, Pako Ayestarán, Julio Velázquez e Rubén de la Barrera; os italianos Cristiano Bacci e Francesco Farioli; os brasileiros Paulo Turra e Accioly; os escoceses Stuart Baxter e Ian Cathro; o grego Sotiris Sylaidopoulos; o alemão Roger Schmidt e, finalmente, o argentino Martín Anselmi.

SETE RESISTENTES

Verdadeiramente raros são os treinadores que conseguiram aguentar uma época inteira, do primeiro ao último minuto, numa mesma equipa: apenas 42 vezes tal cenário se verificou em 90 possibilidades teóricas (calculadas a partir de 5 épocas com 18 equipas cada). Ou seja, estamos a falar de menos de 50 por cento de estabilidade. Neste cenário de longevidade, apenas sete resistentes completaram duas ou mais épocas consecutivas com o mesmo emblema ao peito: Ian Cathro no Estoril, Luís Freire no Rio Ave, Paulo Sérgio no Portimonense, Roger Schmidt no Benfica, Rúben Amorim no Sporting, Sérgio Conceição no FC Porto e Tiago Margarido no Nacional.

BORGES, RUI BORGES

Rui Borges: 102 jogos seguidos na Liga (MIGUEL NUNES)

Há, depois, três casos muito especiais e dignos de registo: Rúben Amorim, Sérgio Conceição e Rui Borges. O primeiro completou ao serviço do Sporting três das últimas cinco épocas completas (2021/2022, 2022/2023 e 2023/2024); o segundo fez precisamente o mesmo no comando do FC Porto. Por fim, o terceiro completou uma época inteira no Moreirense (2023/2024) e outra no Sporting (2025/2026); pelo meio, conseguiu a proeza de completar outra temporada inteira (2024/2025), mas dividida por dois clubes: esteve 15 jogos no Vitória de Guimarães e 19 no Sporting. Trata-se do único treinador que esteve presente em todas as 102 jornadas dos últimos três campeonatos.

QUATRO PARA CADA

Petit, treinador do Santa Clara (MIGUEL NUNES)

Cinco nomes exemplificam na perfeição o que é isto de viver com a mala sempre pronta: Petit passou por quatro clubes: B SAD, Boavista, Santa Clara e Rio Ave. Exatamente o mesmo registo foi partilhado por Álvaro Pacheco, que orientou Casa Pia, Estoril, V. Guimarães e Vizela. Cristiano Bacci seguiu na mesma linha de rodagem, dividindo-se entre Boavista, Tondela, Estrela da Amadora e Moreirense. Ou ainda Daniel Sousa, com passagens por Gil Vicente, Arouca, SC Braga e Vitória de Guimarães.

UM SÓ JOGO

Ao mesmo tempo, temos os antigos 115 e os atuais 112: os chamados ‘misters’ temporários ou soluções de recurso de curta duração. Aconteceu com Fábio Espinho (Aves SAD) e Luís Silva (Estrela da Amadora) na época de 2025/2026; com José Tavares (FC Porto), Ricardo Silva (Famalicão), José Pedro Pinto (Gil Vicente), Carlos Cunha (Gil Vicente) e Gilberto Andrade (Boavista) em 2024/2025; com João Aroso (V. Guimarães), Rui Cunha (V. Guimarães), de novo Carlos Cunha (Gil Vicente) e Jorge Couto (Boavista) em 2023/2024; ou ainda com Pedro Guerreiro (Estoril) e Marco Paiva (Paços de Ferreira) na temporada de 2022/2023.

BOAVISTA? 9!

Fase de um Boavista-V. Guimarães (EDUARDO OLIVEIRA)

No topo da lista, as equipas recordistas absolutas de chicotadas psicológicas e de rotatividade de treinadores nestas cinco temporadas são duas das mais históricas do futebol português: Boavista e Vitória de Guimarães. Os axadrezados contaram com Petit e João Pedro Sousa em 2021/2022; seguiu-se Petit a solo em 2022/2023; depois, uma autêntica dança de cadeiras com Jorge Simão, Ricardo Paiva, Jorge Couto e Petit em 2023/2024; e, por fim, Lito Vidigal, Jorge Couto, Gilberto Andrade, Cristiano Bacci e Stuart Baxter em 2024/2025. Contas feitas, foram nada menos de 9 treinadores em apenas quatro épocas, dado que a equipa já não esteve no principal escalão em 2025/2026.

V. GUIMARÃES? 10!

Os minhotos, por seu lado, até começaram com aparente estabilidade ao terem apenas Pepa em 2021/2022 e Moreno Teixeira em 2022/2023, mas depois tudo mudou radicalmente. Passaram pelo banco Álvaro Pacheco, Rui Cunha, Paulo Turra, João Aroso e Moreno Teixeira em 2023/2024; seguidos de Luís Freire, Daniel Sousa e Rui Borges em 2024/2025; e Luís Pinto e Gil Lameiras em 2025/2026. Com esta agitação, o Vitória de Guimarães acabou por bater o recorde do Boavista, acumulando uns impressionantes 10 treinadores nas últimas cinco épocas.

TOTTENHAM? 8!

Para termos uma noção internacional do que isto representa, o Tottenham, conhecido pela sua instabilidade na Premier League, teve oito treinadores nas mesmas cinco épocas: Roberto De Zerbi, Thomas Frank, Igor Tudor, Ange Postecoglou, Ryan Mason, Antonio Conte, Cristian Stellini e Nuno Espírito Santo. Uma marca que, ainda assim, fica bem longe dos números registados em Guimarães e no Bessa.

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