Real Madrid: Courtois dececionado com Mourinho
O guarda-redes Thibaut Courtois foi escolhido pelo Real Madrid para fazer antevisão ao jogo com o Benfica, da segunda-mão do play-off da UEFA Champions League, e o que aconteceu na primeira-mão entre Vinícius Júnior e Prestianni no jogo de Lisboa foi tema central.
— A justificação de Mourinho após a acusação de Vinícius a Prestianni dececionou-o?
— Mourinho é Mourinho, como treinador tem de defender o seu clube, só me dececionou usar o festejo do Vini, ele não faz nada mal. Porque os outros fazem o mesmo connosco, quando celebram um golo contra o Real festejam com o dobro ou triplo, há que saber encaixar. Aconteceu e não podemos justificar um alegado ato de racismo com uma celebração.
— O que pode mudar com este caso?
— Estamos perante um grande momento para o futebol acabar com essas coisas. Nós sabemos o que o Vinícius nos contou… e é algo que já aconteceu em muitas ocasiões. É preciso pôr fim a isso, mas a UEFA decidirá...
— E o que acha das declarações do presidente do Benfica, que falou no lance com Valvelde?
— Usar o caso do Fede… não tem nada a ver. Não teve intenção de agredir um adversário. Quanto ao caso do Prestianni… é difícil, será sempre palavra contra palavra. Mas nós estamos 100% com o Vinícius, que já recebeu muito… e nunca disse algo assim. Ele ouviu a 100%, tal como já ouviu muitas vezes, e eu acredito nele a 100%. Como ele tapou a boca, nunca saberemos. E o Benfica defenderá o seu jogador. Mas nós não podemos fazer muito mais: cabe à UEFA, às instituições, decidir.
— Os protocolos antirracismo atuais são suficientes?
— Cada vez são melhores. No fim, o problema é que, naquele momento, foi o Vinícius quem decidiu que voltávamos a jogar; porque, se ele dissesse que não, íamos ponderar sair. E depois que o responsável da UEFA decidisse o que ia acontece com o jogo. Depois… o que se passa na bancada [com insultos dos adeptos] é motivo para interromper a partida e expulsar essas pessoas. Mas, claro, não é normal que seja um jogador a ver o que acontece na bancada; isso é tarefa de um responsável pelo encontro. E devem ser chamadas as autoridades. Temos de deixar de ser tão tolos como sociedade.
— O que lhe parece a possibilidade de castigar quem tape a boca para falar?
— É difícil, porque às vezes queres comentar algo com o teu colega sem que te ouçam… mas, se for para acabar com os insultos, seja bem-vindo. Em muitas modalidades, muitos jogadores usam microfone. Ou os próprios árbitros. E ouve-se tudo. Se for para acabar com o racismo, para mim não há qualquer problema.
— Como classifica as palavras de Chilavert? Para comentar o caso recorreu a insultos pessoais...
— É também lamentável. Não se podem dizer coisas assim. Não têm lugar no mundo de hoje, para mais um antigo colega de profissão.