Com Ferran se mata no triunfo do… toureiro
Na despedida de Messi de Campeonatos do Mundo, glória para a Espanha. Essa mesma Espanha que outro argentino, César Luis Menoti, dizia que só começaria a ter sucesso quando deixasse de querer ser o touro, quando deixasse de lado a histórica fúria e passasse a querer ser o toureiro: aquele que controla o ritmo, usa a técnica, a astúcia, a posse de bola e domina o espetáculo. Tudo isso se verificou no MetLife Stadium, em Nova Jérsia e Luis de la Fuente esteve à altura da herança de Luis Aragonés, que colocou essa filosofia em prática ao implementar o famoso tiki-taka, sagrando-se Campeão de Europa em 2008.
Agosra, em 2026, o campeão da europa do futebol com mais cérebro e menos fúria volta a fazer o que foi feito por essa altura e que mostra bem o poder de Espanha: campeã da Europa em 2008, Campeã do Mundo em 2010 e novamente vencedor do título Continental em 2012.
Agosra, Luis de La Fuente montou uma equipa que não deixa jogar o adversário e depois de se sagrar campeã da Europa em 2024, em Berlim, batendo na final Inglaterra por 2-1. Com justiça. Com autoridade. Com futebol que faz da posse a sua maior arma.
E um futebol que tirando a bola ao adversário protege a sua baliza e não deixa de ser notável que esta equipa de Espanha tenha conseguido num Campeonato do Mundo o que nunca tinha sido feito antes: sofreu apenas um golo até ao momento de se sagrar campeã do Mundo e aí fica para a história o belga De Ketelaere, avançado da Atalanta, o único que conseguiu bater Unai Simón.
O melhor que tinha sido feito foi França, em 1998 (2 golos em sete jogos), Itália em 2006 (2 golos em sete jogos) e novamente Espanha, em 2010 (2 golos em sete jogos.
Curiosamente, apenas uma seleção fez todo um Campeonato do Mundo sem sofrer qualquer golo: a Suíça, em 2006. Mas não chegou para ir além dos oitavos de final, onde perdeu com a Ucrânia nos penáltis após o 0-0 resistir 120 minutos.
ADEUS AMARGO DE MESSI
Do outro lado, o tapete verde do MetLife Stadium serviu de anfiteatro para o adeus definitivo de Lionel Messi aos Mundiais. Aos 39 anos e 25 dias, o camisola 10 tornou-se o jogador de campo mais velho de sempre a disputar uma final.
Não houve o conto de fadas do bicampeonato consecutivo, mas a lenda que deixa escrita na história da competição é inalcançável. Messi despede-se dos Mundiais no topo do mundo estatístico, deixando um legado eterno de 21 golos marcados e o estatuto de o mais generoso da história do torneio, com 12 assistências, superando as 10 marcas do compatriota Diego Maradona.
Argentina não conseguiu colocar a quarta estrela no céu Argentio (cada estrela significa um título Mundial), mas a albiceleste cai de pé e para a história ficará uma equipa guerreira, que não se entregou até ao derradeiro instante.