Com estes 'Joõesticeiros' ninguém fanfe
O Fafe está nas meias-finais da Taça de Portugal, onde vai defrontar o Torreense, depois de ter eliminado, esta quarta-feira, o SC Braga. Mas os guerreiros do Minho não foram o único gigante I Liga que justiceiros eliminaram da competição: Moreirense (1-0, na terceira eliminatória), em outubro, e Arouca (2-1, na quarta eliminatória), em dezembro, também não fanfaram em Fafe.
João Batista foi o primeiro herói desta gloriosa caminhada, ao marcar um golaço de livre, ainda longe da baliza, na vitória por 1-0 frente ao Moreirense: «Na altura o Vigário deu-me a bola, e disse-me: 'Bate isto, só te peço que metas a bola na baliza'. E eu disse: 'Não te preocupes, estou muito confiante, vou pôr na baliza'. E meti mesmo. Foi dos momentos mais bonitos da minha carreira e foi um golo muito importante.»
Sobre o jogo de quarta-feira, depois de já terem eliminado duas equipas da I Liga, o defesa-central admitiu que a «confiança estava totalmente lá em cima». «Em nossa casa é sempre muito difícil ganhar. Aquele ambiente... São adeptos muito aguerridos, que sabíamos que iam fazer barulho. Quando se junta isso à nossa ambição… Queríamos muito passar, eliminar o Braga, ou viesse quem viesse», acrescentou.
«Mas isso agora já passou. Claro que acordei ainda muito feliz, mas agora já só penso no jogo de domingo, porque não nos adianta nada ganhar ao SC Braga e domingo não ganhar ao V. Guimarães B», disse aquele que é o jogador com mais minutos (1811) do plantel esta época, admitindo que o próximo jogo será decisivo para garantir o apuramento para a fase de subida.
Quando faltam apenas duas jornadas para o término da primeira fase da Liga 3, Fafe é 4.º classificado com 23 pontos: os mesmos que Paredes, V. Guimarães B e... SC Braga B. A luta está renhida. Acima dos clubes supramencionados, estão Amarante (27 pontos) e Trofense (27). Abaixo, o único que ainda pode lá chegar é o Varzim (22), mas só há espaço para quatro equipas na próxima fase. Depois do desafio com a equipa B dos conquistadores, fafenses defrontam os bês do SC Braga na derradeira jornada.
João Batista é um dos mais experientes da equipa comandada por Mário Ferreira e está ciente do que, neste momento, mais importa para o clube: «A nossa luta é a Liga 3, que não é fácil. Muitos desvalorizam a Liga 3, mas é um campeonato muito competitivo, onde tem muitos portugueses, com muita qualidade. Hoje procura-se muito o 'produto' lá fora, mas onde está a maior qualidade é dentro do nosso país. Contra o SC Braga provámos isso. A nossa equipa são mais de 80% portugueses.»
«Três vezes não pode ser sorte»
O segundo herói do Fafe foi João Oliveira. Marcou os dois golos (e um aos 90+2') ao Arouca, em novembro, e ajudou a virar o jogo (que estava 0-1). Ainda assim, ao nosso jornal, o craque confirmou que esse momento não superou a felicidade vivida esta quarta-feira: «Claro que contra o Arouca, sendo eu o protagonista, foi muito marcante para mim. No entanto, sinto até um pouco mais de felicidade agora por ganhar ao SC Braga e por ser uma fase mais adiantada da competição que nos deu acesso às meias-finais. Tanto o jogo do Arouca como este jogo foram dois momentos muito importantes da minha carreira.»
O médio de 34 anos vai marcar presença nas meias-finais a Taça de Portugal pela segunda vez, depois de já o ter logrado com o Académico de Viseu em 2019/20. Mas esta é diferente: «Esta é mais especial por chegar a esta fase com uma equipa da Liga 3 e sendo ela o Fafe. O grau de dificuldade foi maior para chegar até às meias. Lembro-me que com o Académico de Viseu [Liga 2] não cheguei a apanhar pelo caminho nenhuma equipa da I Liga [até às meias-finais, onde saiu derrotado pelo FC Porto].»
A cumprir a segunda época no Fafe, João Oliveira considera que esta tripla eliminação imposta a formações da I Liga «prova que o Fafe é uma equipa que não é do campeonato onde está inserida, é uma equipa que tem qualidade para mais». «Pode acontecer num jogo. Agora acontecer três vezes não pode ser sorte na minha opinião», acrescentou.
João Santos mira Jamor… mas antes há coisas a fazer
O último dos Joõesticeiros de Fafe é João Santos. Foi o ponta de lança de 26 anos que fez o primeiro dos minhotos contra o SC Braga, num jogo em que Carlos Daniel marcou depois o 2-0, antes de Dorgeles reduzir e sentenciar o resultado final 2-1.
O número 9 dos justiceiros admitiu que, depois da farra, o pensamento foi logo para o jogo com o V. Guimarães B: «Aproveitámos muito bem o momento, festejámos o que tínhamos para festejar. Depois voltámos ao trabalho. Temos um jogo muito importante para ganhar no campeonato. Temos toda a responsabilidade. É uma final muito importante, para estarmos na fase de subida. Ou ganhamos ou ganhamos.»
Sobre o sorteio ter ditado Torreense em vez dos possíveis FC Porto ou Sporting/Aves SAD, o ex-Felgueiras admitiu que foi um misto de emoções, porque o plantel também «estava entusiasmado com a possibilidade de jogar com um [outro] grande».
«Jogar contra um grande fica sempre marcado, não é? Mas calhou-nos o Torreense e vamos encarar o jogo, mais uma vez, para ganhar e poder estar na final», justificou João Santos.