Com 19 anos e a camisola 19: foi há 19 anos que Messi imitou Maradona
Há precisamente dezanove anos, a 18 de abril de 2007, o mundo do futebol testemunhou um dos momentos mais transcendentais da história do desporto-rei. No Camp Nou, durante uma eliminatória da Taça do Rei, um jovem Lionel Messi, com apenas 19 anos e com a camisola 19 colada ao corpo, protagonizou uma obra de arte que transcendeu o simples contexto de um jogo de futebol. O golo marcado contra o Getafe não foi apenas uma exibição de perícia técnica individual. Foi também a manifestação física de um legado que muitos acreditavam ser irrepetível, estabelecendo uma ligação espiritual imediata com o lendário Diego Armando Maradona.
A jogada começou de forma aparentemente inofensiva, com Messi a receber a bola ainda no seu próprio meio-campo, encostado à linha lateral direita. O que se seguiu foi uma sucessão de movimentos coreografados pela velocidade e pelo instinto puro. Com uma agilidade desconcertante, o prodígio argentino ultrapassou rapidamente Paredes e Nacho, iniciando uma cavalgada imparável em direção à área adversária.
À medida que a defesa do Getafe colapsava, Messi serpenteou entre Alexis e Belenguer, mantendo a bola colada ao pé esquerdo como se fosse uma extensão do próprio corpo. Ao chegar à pequena área, perante a saída desesperada do guarda-redes Luis García, Messi exibiu uma frieza invulgar para a sua idade, contornando o guardião antes de finalizar com o pé direito, num ângulo apertado, selando o que ficaria para sempre conhecido como o golo maradoniano.
19 años de esta obra de arte de Leo Messi 🎨 pic.twitter.com/gu1HAoorQx
— FC Barcelona (@FCBarcelona_es) April 18, 2026
A comparação com o Golo do Século, marcado por Maradona contra a Inglaterra no Mundial de 1986, é inevitável e suportada por coincidências matemáticas quase místicas. Ambos os astros argentinos iniciaram a sua cavalgada na mesma zona do terreno e utilizaram exatamente os mesmos 13 toques na bola para completar a proeza, culminando ambos o lance com o drible sobre o guarda-redes antes do remate final. Esta simetria perfeita entre as duas jogadas serviu para consolidar, de forma definitiva, Messi como o legítimo herdeiro de El Pibe de Oro, unindo duas gerações sob o signo da genialidade.
Este momento é hoje amplamente considerado o golo mais bonito da carreira de Lionel Messi e um dos marcos mais impressionantes da história do futebol mundial. Mais do que garantir uma vitória ou uma qualificação, aquele lance contra o Getafe serviu como uma declaração de intenções global, provando que o talento puro pode, de facto, espelhar a perfeição. Para os adeptos que assistiram em direto ou para os que o redescobrem em arquivos digitais, o golo permanece como um lembrete eterno de que, no futebol, a distância entre a realidade e o mito pode ser percorrida em apenas treze toques.