Gianni Infantino, presidente da FIFA, na final do Mundial 2026
Gianni Infantino, presidente da FIFA, na final do Mundial 2026 - Foto: IMAGO

Caso Balogun leva Bélgica a retirar apoio à reeleição de Infantino

Federação Belga de Futebol anunciou que não vai apoiar o atual presidente da FIFA nas próximas eleições e que um dos motivos ainda é a falta de explicação na polémica com o norte-americano

A Federação Belga de Futebol (RBFA) anunciou que não irá apoiar a recandidatura de Gianni Infantino à presidência da FIFA, apontando o polémico caso de Folarin Balogun e o fracassado projeto FIFA Forward Enterprise (FFE) como razões fundamentais para a sua decisão.

Num comunicado emitido esta segunda-feira, a RBFA explicou a sua oposição a um terceiro mandato de Infantino, criticando a falta de transparência da FIFA em ambos os assuntos. A federação belga acusa o organismo máximo do futebol mundial de ainda não ter dado uma «resposta satisfatória» sobre a decisão de anular o castigo do avançado norte-americano Folarin Balogun durante o Mundial 2026.

Recorde-se que Balogun, de 25 anos, foi expulso com um cartão vermelho direto no jogo contra a Bósnia e Herzegovina, mas, surpreendentemente, foi autorizado a defrontar a Bélgica nos oitavos de final. Esta reviravolta ocorreu após uma intervenção que envolveu o presidente dos EUA, Donald Trump, membros do governo, a federação norte-americana (U.S. Soccer) e uma vasta equipa jurídica.

A Bélgica contestou formalmente a decisão da FIFA, mas o seu recurso foi rejeitado pelo comité de apelo. Apesar de ter vencido o jogo por 4-1 e eliminado os coanfitriões, a federação belga prometeu continuar a pressionar a FIFA por esclarecimentos.

«No caso em curso relativo ao cartão vermelho de Folarin Balogun no Campeonato do Mundo, no qual a RBFA está diretamente envolvida, questões importantes continuam por responder, na nossa opinião», pode ler-se no comunicado. «Apesar dos nossos pedidos explícitos por uma justificação clara das decisões tomadas e detalhes sobre como tais situações serão tratadas no futuro, ainda não recebemos qualquer resposta satisfatória sobre este assunto», apontou.

A presidente da RBFA, Pascale Van Damme, reforçou a frustração da federação. «A minha equipa na RBFA comunicou com a FIFA de forma serena e construtiva, tanto durante como após o Mundial, a fim de obter clareza no caso Balogun», afirmou. «Dois meses após os acontecimentos, constatamos que as nossas perguntas continuam sem resposta até à data», atirou.

Privatização do Mundial

Para além do caso do jogador, a RBFA critica a gestão do projeto FFE, o plano abandonado pela FIFA que previa a venda de participações nas suas competições, incluindo o Mundial, a investidores privados. A federação belga já solicitou que o caso Balogun seja incluído na agenda da reunião do Conselho da FIFA em outubro.

A RBFA junta-se assim a outras federações europeias na oposição a Infantino antes das eleições de março. A UEFA, organismo que rege o futebol europeu, já manifestou o desejo de ver o presidente da FIFA demitir-se devido ao plano FFE, tendo mesmo avançado com várias ações legais nos Estados Unidos para o forçar a sair.

Apesar da crescente oposição, a FIFA reiterou no domingo que Infantino, de 56 anos, será candidato a um terceiro mandato. O apoio ao atual presidente está, no entanto, dividido entre as confederações continentais. Enquanto a UEFA, a Concacaf (América do Norte, Central e Caraíbas) e a AFC (Ásia) pedem a sua demissão, Infantino mantém o apoio da Confederação Africana de Futebol (CAF). Já a CONMEBOL (América do Sul) criticou os planos do FFE, mas apelou à «unidade» antes das eleições.

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