Técnico do SC Braga deixou rasgados elogios ao compromisso do plantel e à resposta dada por todos os jogadores, independentemente do tempo de jogo

Carlos Vicens: «Vamos bater o recorde de jogos disputados por um clube português»

Técnico do SC Braga destacou «calendário exigente» que começou em julho, confirmou duas baixas e deixou mensagem sentida ao plantel antes de primeiro duelo contra o Friburgo

Carlos Vicens fez a antevisão do duelo entre SC Braga e Friburgo, a contar para a primeira mão das meias-finais da UEFA Europa League. Os bracarenses vão disputar esta fase da prova pela segunda vez na história do clube, depois de terem perdido na final diante do FC Porto, em 2010/11.

Análise ao Friburgo

«O Friburgo está a fazer uma Liga Europa de muito alto nível. Diria que todos os que estão nas meias-finais estão nesse nível, senão não estaríamos aqui nesta fase de uma competição tão importante a nível europeu. O Friburgo é mesmo uma equipa, são 11 jogadores comprometidos no campo no ataque e na defesa. São uma equipa em tudo o que fazem, encaram os jogos sem medo e vão à procura dos jogos. Obviamente têm jogadores de qualidade, mas destacaria sobretudo essa energia. Temos de apresentar uma versão de alto nível, sermos nós próprios mais do que nunca e jogar com personalidade e coragem. A eficácia em ambas as áreas também vai ditar o resultado.»

Baixas confirmadas e peso do calendário

«O Grillitsch e o Arrey-Mbi não estarão disponíveis. Tivemos um calendário exigente durante toda a temporada. Começámos a dispurar pré-eliminatórias no final de julho. Enquanto as outras equipas em Portugal chegaram à pausa internacional de setembro com apenas 4 jogos disputados, exceto o Benfica, já tínhamos 10. Esta tem sido a tónica de toda a época. Vamos bater o recorde de jogos disputados na história deste clube [no mínimo, 61] e de qualquer equipa portuguesa. Como o gerimos? Focando-nos jogo a jogo. Não há outra maneira. Fomos jogar fora contra o Casa Pia e depois gerimos o jogo contra o Santa Clara no domingo. O jogo de amanhã não é diferente. Sabemos que é um jogo de importância histórica, mas a nossa maneira de trabalhar não muda. Analisamos como os jogadores se sentem desde que chegámos no domingo à noite, valorizamos a forma como se sentem e pensando que temos de preparar o jogo seguinte e gerir a energia. É a única forma que conheço de trabalhar, focando-me no próximo treino e no próximo jogo.»

Mensagem para o balneário em semana histórica

«Nestas alturas tem de ter ambição e entusiasmo por jogarmos um jogo deste. O Ricardo [Horta] continua a ter essa sensação em todos os jogo que disputa e isso diz muito do espírito competitivo e da sua fome. É isso que temos de conseguir controlar. Como disse antes da eliminatória anterior: quando chegas a este tipo de jogos, ter estabilidade emocional durante as duas partidas será importante. Não é fácil, entendo que há jogadores que não estão habituados a jogar estes tipo de partidas todos os anos. Mas quando começar o treino esta tarde ou quando começar o jogo amanhã, tudo isso fica para segundo plano, todos esses nervos têm de ficar fora de campo. Tens de tentar centrar toda a energia no que acontece no terreno de jogo. A mensagem que é transmitida desde segunda-feira é de confiança absoluta nas nossas possibilidades, foco nos detalhe e trabalho diário tal como em toda a época, apesar de ser uma partida de maior importante. Somos profissionais, temos de produzir e focarmo-nos no que podemos fazer. Temos de estar conscientes de que podemos ter de fazer ajustes ao longo da partida. Temos de ser SC Braga mais do que nunca, confiar nos colegas e ser uma equipa. Isso levou-nos até onde estamos. Se queremos chegar à final, a única maneira é sendo uma equipa, confiando no processo e sendo acertivos com determinação e fé.»

Armas do Friburgo

«Todas as equipas têm as suas armas. O Betis tinha as suas, o Friburgo tem as suas. As armas de qualquer rival que enfrentes numa meia-final da Liga Europa são suficientemente perigosas para lhes ter permitido chegar aqui. Certamente eles também verão em nós armas que nos fizeram ganhar o direito de estar aqui. Teremos de ser uma das melhores versões do SC Braga que já vimos esta época e precisaremos da melhor versão do máximo número de jogadores se quisermos passar à final. O nosso processo tem de estar presente em todos os momentos. Não vamos mudar a nossa maneira de fazer as coisas. Temos de ser capazes de reagir aos momentos do jogo, porque as meias-finais têm momentos para as duas equipas. Tens de saber capitalizar quando os momentos são teus, foi o que fizemos na eliminatória anterior. Apesar de serem equipas diferentes, podemos utilizar elementos da última eliminatória. Temos de apresentar a nossa melhor versão com os nossos adeptos sabendo que amanhã não é definitivo e que temos de trabalhar na Alemanha na próxima semana para estarmos na final.»

Certezas e dúvidas sobre o onze

«Gosto sempre de esperar pelo último treino para perceber coisas. Sou muito de ouvir a minha intuição, por isso posso dar poucas pistas nesse sentido. Durante toda a temporada tivemos um calendário exigente e é normal que sofras contratempos. Os rapazes esforça-se há muito tempo. Começámos a trabalhar em junho, são muitos meses. Mas os rapazes demonstraram que, apesar os contratempos, somos uma equipa. Toda a gente teve o seu momento, todos foram importantíssimo e continuam a sê-lo. Às vezes é difícil para um jogador entender isto, mas é importante que todos trabalhem muito bem. Aquele que não joga está a fazer com que o que joga seja melhor. Estou muito contente que estejamos aqui pelo clube, pelos adeptos e principalmente por eles. Este balneário está repleto de gente boa. Estou muito animado por estarmos na segunda meia-final da história do clube por eles, o esforço começou há muitos meses. Tivemos altos e baixos, perdemos alguns pontos, percebi que eles acreditavam no processo e a bola de neve foi cada vez maior. A equipa joga de uma forma muito identificável e isso fez com que a equipa tenha crescido. Se um dia falta um, entra outro e surpreende. Esta é uma equipa com todas letras. Estou convicto de que amanhã vão voltar a fazê-lo. Os titulares e os suplentes têm de estar preparados para ajudar a equipa a acabar com a máxima energia. Máxima ambição e máxima motivação para dar tudo pelo objetivo.»

Chave para ultrapassar o Friburgo

«Que o teu processo te permita ter ocasiões para marcar golos e te ajude a sofrer menos. Temos de ser muito assertivos em tudo o que fizermos no campo, com determinação, convicção e fé.»