Carlos Queiroz vai participar na quinta fase final de um Campeonato do Mundo de Futebol - FOTO:Imago
Carlos Queiroz vai participar na quinta fase final de um Campeonato do Mundo de Futebol - FOTO:Imago

Carlos Queiroz evita vazio 20 anos depois

O Gana terá na fase final do Campeonato do Mundo de 2026 Carlos Queiroz, que desde 2010 marcou presença em todas as fases finais. Evitou que não houvesse qualquer português muito tempo depois. Foi apresentado no Gana e diz que será «o maior desafio da carreira»

Carlos Queiroz é dos mais marcantes treinadores da história dos Campeonatos do Mundo. Não por se transformar no treinador mais velho de sempre numa fase final quando chegar aos Estados Unidos, México e Canadá. Não por conquistar impressionantes. Mas porque é daqueles que parece estar lá sempre e se não fosse ele pela primeira vez em 20 anos que não haveria um técnico luso na competição.

A presença de Portugal consecutivamente em fases finais de Campeonatos do Mundo é um fenómeno recente, como é recente esta tendência de ver treinadores lusos em fases finais, que às frente da Seleção, quer em representação de outros países. E também aqui Carlos Queiroz foi o pioneiro. Claro que o brasileiro Otto Glória tornou inesquecível a campanha em 1966, quando Eusébio e companhia levaram Portugal ao terceiro lugar. Claro que em 1986, no México, as memórias não são tão positivas, mas apesar do caso Saltillo, Portugal estava lá, 20 anos depois da primeira e última participação. Claro que já tivemos muitas ilusões e desilusões, mas do dedo na Geração de Ouro à participação em 2010 está um treinador que soube escrever uma história incrível.

História que continuará, com Carlos Queiroz a liderar a seleção do Gana, ele que fará história por ter a quinta fase final, mas também por, aos 73 anos, ser o segundo treinador mais velho à frente de uma seleção numa fase final de um Campeonato do Mundo. O segundo porque este ano Miroslav Koubek orientar a equipa da República Checa. O mais novo será Julian Nagelsmann., da Alemanha, com apenas 38 anos.

SELECIONADORES DE PORTUGAL EM CAMPEONATOS DO MUNDO

José Torres 1986

António Oliveira 2002

Luiz Felipe Scolari 2006

Carlos Queiroz 2010

Paulo Bento 2014

Fernando Santos 2018 e 2022

Os treinadores da Seleção e os portugueses que estiveram em Mundiais

Galeria de imagens 10 Fotos

Voltemos ao facto de Carlos Queiroz evitar que Portugal continue a ter um treinador no Mundial, o que aconteceu sempre desde 2006. Tem apenas um, mas é interessante verificar que Alemanha e França estão em peso neste particular, com seis treinadores cada.

PORTUGUESES EM MUNDIAS POR OUTRAS SELEÇÕES

Treinador Mundial Seleção

Carlos Queiroz 2014, 2018, 2022 Irão

Paulo Bento 2022 Coreia do Sul

Fernando Santos 2014 Grécia

Aliás, 27 selecionadores são estrangeiros, o que representa 56,2 por cento e entre eles está o português Carlos Queiroz, sendo que, como se sabe, Portugal leva um espanhol (Roberto Martínez), sendo que haverá na fase final quatro técnicos do país vizinho.

«MAIOR DESAFIO DA VIDA»

Carlos Queiroz está, assim na história do futebol Mundial pelo que vez nas várias seleções que treinou, ele que também foi líder no Sporting, foi braço direito de Alex Ferguson no Manchester United e aposta do Real Madrid em 2004/2004. Mas ontem, na apresentação no Gana os olhos brilharam quando garantiu que vivia um momento importantíssimo. «Este é o maior momento da minha carreira», diz.

«Por várias razões, liderar o Gana será uma honra e uma responsabilidade enorme, por toda a paixão que aqui vemos. E é o maior desafio porque é próximo. O que passou, passou. O que vem é ganhar o próximo jogo, e o próximo, e o próximo. Sei que no Gana não se espera outra coisa que não ganhar. Por isso, este é o maior desafio», afirmou o treinador português.

Do que não pode fugir é do conhecimento acumulado desta que será a quinta presença numa fase final e só não é a sexta porque em 2002, depois de qualificar a África do Sul, entrou em conflito com a federação daquele país africano e quem esteve na fase final foi Jomo Sono.

«Estou preparado para isso. Trago 40 anos de experiência para cada decisão que vai ser tomada. Acredito que com o apoio do meu staff, da federação, dos adeptos e do país, com coesão e ambição, podemos trazer sucesso», acrescentou.

Queiroz só tem um lamento, o facto de o tempo para preparar a equipa não ser muito: «Estamos a correr contra o tempo, mas com a experiência do staff, e especialmente com os nossos jogadores, estou muito confiante que vamos conseguir. Com muito trabalho será possível alcançar o que queremos. Olhando o talento, estou confiante e acredito que teremos uma grande equipa para subir no relvado. O meu objetivo é fazer uma equipa. Se jogarmos como equipa, podemos bater qualquer adversário.»

Se a África do Sul marca uma situação menos positiva para Carlos Queiroz, há um sul-africano que o marcou, como marcou milhões de cidadãos do Mundo. No Gana também falou de Nelson Mandela.

«Um grande senhor ensinou-me muitas coisas, muitas delas para a vida, e uma delas tenho sempre presente no futebol: não existe falhanço. O que existe é oportunidade para ser melhor. Mandela disse-me um dia: Carlos, nunca perdemos; ou ganhamos ou aprendemos. Por isso, não tenho medo de nada. Se trabalharmos e acreditarmos, vamos estar preparados.»

Esta não é a fase mais brilhante do Gana, uma potência Africana. É verdade que eliminou a Nigéria, mas vem de quatro derrotas consecutivas em particulares, com Japão (0-2), Coreia do Sul (0-1), Áustria (1-5) e Alemanha (1-2). Algo que Carlos Queiroz terá a missão de mudar.