Carlos Carvalhal vê Mourinho como «a pessoa certa no momento certo» para o Real Madrid
Carlos Carvalhal não tem dúvidas: José Mourinho reúne o perfil ideal para assumir o comando técnico do Real Madrid no atual contexto competitivo. Numa entrevista ao jornal espanhol Sport, o treinador, atualmente em pausa na carreira, defendeu que o histórico do técnico luso o torna a escolha certa para inverter o ciclo menos positivo dos merengues.
Carvalhal recordou a capacidade de Mourinho para quebrar hegemonias, lembrando a sua passagem anterior pelo futebol espanhol. «Mourinho já demonstrou no passado que era capaz de quebrar um ciclo que parecia invencível», afirmou, traçando um paralelismo com o momento atual, em que o Barcelona surge novamente como principal referência. «Esta temporada, os indicadores do Real Madrid não foram bons se comparados com os do seu grande rival, o Barcelona», acrescentou.
Na perspetiva do técnico, a personalidade forte de Mourinho e a experiência em contextos de elevada pressão são fatores decisivos. «Os jogadores respeitam-no, tem uma personalidade muito forte e está habituado a gerir cenários de máxima exigência. É um trabalho difícil, mas diria que é um trabalho feito à medida de Mourinho», explicou, reforçando a ideia de que Florentino Pérez terá identificado «a pessoa certa no momento certo».
Carvalhal abordou ainda o impacto do mercado, elogiando a iminente chegada de Bernardo Silva ao clube espanhol. O internacional português foi descrito como um jogador de enorme fiabilidade física, destacando-se pela regularidade e baixo histórico de lesões, sendo «um jogador que praticamente não tem lesões», característica valorizada num plantel que procura estabilidade competitiva.
Na análise à última edição da UEFA Champions League, o treinador português foi claro ao apontar o PSG como a melhor equipa da Europa. «Para mim, ganhou a melhor equipa», afirmou. O sucesso do clube parisiense, com forte influência portuguesa — de Luís Campos a Vitinha e João Neves —, foi interpretado como reflexo da qualidade da escola nacional. Carvalhal destacou a sintonia entre estrutura diretiva e equipa técnica como fator-chave: «Quando todos remam na mesma direção, as coisas funcionam melhor».
Carvalhal apontou uma explicação estrutural para a relevância de Portugal no futebol europeu. «Portugal é um país pequeno, mas vive o futebol de uma maneira muito intensa. Partilham-se muitas ideias e existe uma cultura de aprendizagem constante», defendeu, acrescentando haver «uma troca permanente de conhecimento» entre profissionais do setor. «Creio que temos uma escola de futebol muito boa em termos de organização, metodologia e conhecimento do jogo», concluiu.
Quanto ao futuro, o técnico garantiu que a próxima etapa da carreira será guiada pelo projeto desportivo e não por critérios financeiros. «É uma questão de projeto e de sentir que realmente posso acrescentar algo», afirmou, reconhecendo, ainda assim, a inevitável dimensão económica no futebol moderno.