A Nigéria é uma das quatro seleções que estão nas meias-finais da CAN
A Nigéria é uma das quatro seleções que estão nas meias-finais da CAN - Foto: IMAGO

CAN a entrar no seu território mais bonito

Acácio Santos, antigo adjunto da seleção da Nigéria, analisa em A BOLA a Taça das Nações Africanas (CAN)

Os quartos-de-final confirmaram aquilo que esta CAN vinha a anunciar. A Nigéria venceu a Argélia por 2–0, num jogo em que não precisou de dominar pela posse para controlar o jogo. A Nigéria terminou com mais remates enquadrados, maior produção de situações de transição e um xG (expectativa de golo) claramente superior. A diferença esteve na qualidade da chegada ao último terço e na forma como condicionou a estrutura defensiva argelina. O Victor Osimhen voltou a ser determinante, não apenas pelo golo, mas pela quantidade de faltas provocadas em zonas altas, obrigando a Argélia a baixar linhas e a defender em constante desequilíbrio.

No outro grande duelo, o Egito eliminou a Costa do Marfim por 3–2, num jogo onde os números ajudam a explicar o resultado. O Egito teve menos posse, menos volume ofensivo e menor xG global, mas foi claramente mais eficaz nos momentos decisivos. Duas bolas paradas transformadas em golo e a influência direta de Mohamed Salah nos momentos-chave acabaram por fazer a diferença. A Costa do Marfim produziu mais, mas falhou na gestão emocional do jogo quando esteve por cima.

Com estes resultados, as meias-finais colocam frente a frente quatro identidades muito bem definidas.

No Senegal-Egito, teremos intensidade contra controlo emocional. O Senegal apresenta uma das melhores taxas de duelos ganhos do torneio e um índice defensivo muito estável. O Egito, por sua vez, é das seleções com menos erros não forçados e maior eficácia em jogos a eliminar. Aqui, o jogo vai decidir-se na capacidade de gerir os momentos de maior pressão.

No Marrocos-Nigéria, o confronto é quase filosófico. Marrocos chega com uma organização defensiva sólida e poucos golos sofridos, muito sustentada pelo equilíbrio posicional e pela influência de Achraf Hakimi na gestão do ritmo do jogo. A Nigéria apresenta dos valores mais altos de eficácia por remate e uma das transições ofensivas mais letais da competição. Poucos toques, muita profundidade e decisão rápida.

Os dados confirmam aquilo que o campo mostra: nas meias-finais já não vence quem tem mais bola, mas quem decide melhor nos poucos momentos que o jogo oferece. O espaço reduz-se, o tempo encurta e a margem de erro desaparece.

Agora, o torneio entra no seu território mais cru e mais bonito. Dois jogos. Quatro seleções. E aqui, mais do que nunca, um detalhe estatístico equivale a uma decisão histórica.